CACR11 Dividendos: histórico, suspensão de abril/2026 e o que esperar

O CACR11 paga dividendos mensais? Situação atual

O CACR11 (Cartesia Recebíveis Imobiliários FII) pagou dividendos mensais de forma ininterrupta por mais de seis anos — de novembro de 2019 até março de 2026. Em 3 de maio de 2026, a gestora Cartesia e o administrador BRL Trust anunciaram a suspensão integral dos dividendos de abril, retendo R$ 1,243 por cota que haviam sido apurados no mês. Foi a primeira vez na história do fundo que o provento mensal foi zerado.

Após a suspensão, houve um único pagamento parcial: o fundo distribuiu R$ 0,23 por cota em junho de 2026 (data-base 29/05/2026, pagamento 09/06/2026), representando apenas 14% dos R$ 1,61 acumulados no primeiro semestre de 2026. O comunicado ao mercado indicava que o valor distribuível do semestre estava retido para reforço de caixa destinado às obras em curso. Não há prazo definido para a retomada da distribuição regular.

O dividend yield calculado sobre a cota atual de R$ 22,70 (data de referência 09/06/2026) e o último dividendo pago de R$ 0,23 resulta em um DY mensal de 0,96% — mas esse número é enganoso: ele reflete um pagamento pontual e excepcional, não um fluxo recorrente. Para fins de comparação, o DY anualizado com base nas distribuições dos doze meses anteriores à suspensão (R$ 1,30 a R$ 1,45 mensais) teria sido superiores a 40% sobre a cota atual, mas esse cálculo mistura um preço de crise com proventos de um período de normalidade operacional que não existe mais.

Por que os dividendos foram suspensos em abril de 2026?

A resposta direta é simples: o caixa líquido do fundo havia secado. O Informe Mensal de março de 2026 registrou apenas R$ 2,82 milhões em caixa — equivalente a R$ 0,58 por cota — quando a distribuição mensal histórica exigia algo em torno de R$ 5,8 milhões para honrar R$ 1,20 por cota com as 4,84 milhões de cotas em circulação. Não havia de onde tirar o dinheiro.

A raiz do problema é estrutural. O CACR11 opera com CRIs de incorporação residencial em fase pré-lançamento e pré-obra, cujo fluxo de caixa para o fundo depende essencialmente das vendas de unidades pelos devedores. Quatro projetos críticos estavam — e parte ainda está — com os lançamentos travados: o CRI Santo André/Reserva Guaiú (25,1% do PL) e o CRI Amalfi/Viva Itaparica (21,3%) aguardavam aprovação de modificativos em prefeituras baianas; o CRI Savoie (11,9%) estava em fase de sondagem de terreno; e o CRI Station Vila Madalena (SP, 3,6%) esperava a concessão do Habite-se, que só veio em 27/04/2026 — tarde demais para evitar a suspensão.

Sem vendas de unidades, os CRIs acruam correção monetária pelo IPCA, mas esse acréscimo existe apenas contabilmente no saldo devedor — não entra como caixa no fundo. A gestora declarou em seu Relatório Gerencial de abril que o acumulado de caixa no primeiro semestre de 2026 era de R$ 1,61 por cota, retido para garantir a continuidade das obras e distribuível, por obrigação regulatória, até 30 de junho de 2026. O pagamento de R$ 0,23 em junho foi exatamente esse movimento — uma liberação parcial e cautelosa de uma fração desse caixa acumulado.

Histórico de dividendos: de R$ 1,45 ao zero

O CACR11 nasceu em outubro de 2019 e, após uma fase inicial de construção de carteira, passou a distribuir proventos mensais crescentes. Durante o período de 2021 a 2024, o fundo pagou entre R$ 1,07 e R$ 1,88 por cota ao mês, com pico de R$ 1,88 em junho de 2022 — momento em que a inflação de dois dígitos maximizava a correção dos CRIs indexados ao IPCA+.

A fase mais estável aconteceu entre 2023 e o primeiro semestre de 2025. Nesse período, os dividendos oscilaram dentro de um corredor bastante previsível, entre R$ 1,30 e R$ 1,45 mensais. Junho de 2025 representou o pico recente: R$ 1,45 por cota, com a cota negociada em torno de R$ 99 e um DY mensal de cerca de 1,46%. Eram as últimas semanas de relativa normalidade antes de a crise virar pública.

A partir de julho de 2025, os proventos começaram um declínio gradual: R$ 1,35 em julho e agosto, R$ 1,33 em setembro, R$ 1,32 em outubro e novembro, R$ 1,35 em dezembro. Em 2026, a tendência de queda acelerou: R$ 1,20 em janeiro, R$ 1,21 em fevereiro, R$ 1,20 em março — e então o colapso em abril, com R$ 0,00 distribuídos apesar de R$ 1,243 apurados. O pagamento isolado de R$ 0,23 em maio (pago em junho) encerrou o histórico até o momento desta análise.

Para ter a dimensão do efeito acumulado: quem comprou cotas no IPO (R$ 100 por cota, out/2019) recebeu ao longo dos anos uma estimativa de aproximadamente R$ 71,00 por cota em dividendos totais — somando proventos mensais de R$ 1,15 em média por cerca de 62 meses. O problema é que a cota que valia R$ 100 chegou a R$ 22,70 em junho de 2026, uma queda de 77% de valor patrimonial que apaga mais do que três vezes o total já distribuído.

Sustentabilidade: quando o dividendo do CACR11 pode voltar?

A análise de sustentabilidade do CACR11 é direta — e pouco encorajadora. Com caixa líquido de R$ 2,82 milhões e necessidade de R$ 5,8 milhões por mês apenas para manter a distribuição histórica de R$ 1,20 por cota, a retomada do dividendo depende integralmente de eventos que estão fora do controle direto da gestora: aprovações municipais na Bahia, registros de incorporação e início efetivo das vendas.

O cenário base, conforme estimativa da análise Rico aos Poucos, projeta DPS de R$ 0,40 a R$ 0,80 mensais a partir de agosto/setembro de 2026, condicionado a que ao menos dois dos quatro projetos travados comecem a gerar vendas. O cenário otimista — quatro projetos destravados, DPS voltando a R$ 1,00+ em fins de 2026 — tem probabilidade baixa dada a dependência regulatória simultânea. O cenário pessimista, infelizmente, é o mais provável no curto prazo: DPS permanecendo em torno de zero por mais 12 meses, com o fundo distribuindo apenas o mínimo obrigatório do caixa remanescente.

Há um agravante estrutural que diferencia o CACR11 de outros FIIs com distribuição temporariamente suspensa: o próprio Relatório Gerencial de 2024 admitia que "é prática comum que o fundo realize aquisições de novos CRIs para suportar o pagamento das obrigações dos CRIs já emitidos". Com a cota em R$ 22,70 e P/VP de 0,24, uma nova emissão de cotas a preço razoável é praticamente impossível, bloqueando o mecanismo que sustentava o fluxo histórico de dividendos. Isso não significa que o dividendo jamais voltará — significa que o caminho de volta é longo, incerto e dependente de resultados comerciais concretos que ainda não existem.

Guidance e projeções de DY

Sem guidance oficial após o Fato Relevante de maio, as projeções dependem de premissas externas. Calculadas sobre a cota atual de R$ 22,70 e um cenário base de R$ 0,52 médios mensais no período mai/26-abr/27, o DY projetado ficaria em torno de 18% ao ano. No cenário otimista, DY de 31%; no pessimista, menos de 7%. Para efeito de comparação, FIIs de papel de baixo risco estão pagando entre 12% e 14% ao ano sobre suas cotas atuais — o que significa que o prêmio de risco implícito no CACR11, mesmo no cenário base, é modesto diante da gravidade da situação.

CACR11 é high yield? O que isso significa na prática

Sim, o CACR11 é classificado como FII de papel high yield — e a crise em curso é um exemplo didático do que esse rótulo significa na prática. CRIs high yield são emitidos por devedores com perfil de risco elevado (neste caso, SPEs de incorporação residencial em fase pré-obra) e pagam taxas mais altas exatamente para compensar esse risco. No CACR11, todos os dez CRIs são indexados a IPCA+ 12,68% a 13,50% — taxas que, em contexto de inflação de 5% a 6% ao ano, geram retornos nominais de 17% a 19% a.a. sobre o saldo devedor.

O problema é que a taxa alta não garante que o dinheiro chegue ao fundo. A jornada entre o IPCA acruando sobre o saldo dos CRIs e o caixa sendo distribuído como dividendo exige que os devedores (as SPEs) concluam as obras, obtenham habite-se, vendam as unidades e repassem os valores. Qualquer ruptura nessa cadeia — atraso de licença, troca de incorporador, inadimplência do devedor — interrompe o fluxo antes que ele chegue ao cotista. É exatamente o que aconteceu no CACR11. A renda alta que o fundo prometia em seu prospecto era real enquanto a cadeia funcionava; quando parou, o dividendo foi ao zero de forma abrupta.

Para quem pesquisa dividendos de FIIs high yield de CRI, o histórico do CACR11 entre 2022 e 2025 — com DY mensal consistentemente acima de 1,4% — ilustra bem tanto o potencial quanto o risco específico do segmento. O fundo distribuiu mais de R$ 71 por cota acumulados desde 2019, mas o cotista que entrou em 2023 e ainda mantém a posição viu a maior parte desse rendimento ser destruída pela queda da cota. Rendimento e segurança de principal são coisas diferentes — e no high yield, o segundo nunca esteve garantido.

Histórico completo de dividendos do CACR11 (77 meses)

CompetênciaRendimento/cotaDY no mêsPreço-baseData-comPagamento
2026-05R$ 0,230,96%R$ 23,972026-05-292026-06-09
2026-04R$ 0,0
2026-03R$ 1,21,471%R$ 81,552026-03-312026-04-08
2026-02R$ 1,211,529%R$ 79,162026-03-09
2026-01R$ 1,21,41%R$ 85,112026-01-302026-02-09
2025-12R$ 1,351,728%R$ 78,132026-01-09
2025-11R$ 1,311,791%R$ 73,152025-12-08
2025-10R$ 1,321,76%R$ 75,02025-11-10
2025-09R$ 1,331,772%R$ 75,052025-10-08
2025-08R$ 1,351,966%R$ 68,682025-09-08
2025-07R$ 1,351,534%R$ 87,992025-08-08
2025-06R$ 1,451,463%R$ 99,092025-07-08
2025-05R$ 1,411,436%R$ 98,172025-06-09
2025-04R$ 1,371,401%R$ 97,792025-05-09
2025-03R$ 1,331,431%R$ 92,952025-04-08
2025-02R$ 1,311,41%R$ 92,942025-03-12
2025-01R$ 1,31,542%R$ 84,282025-02-10
2024-12R$ 1,341,558%R$ 86,02025-01-09
2024-11R$ 1,321,528%R$ 86,42024-12-09
2024-10R$ 1,321,332%R$ 99,12024-11-08
2024-09R$ 1,321,262%R$ 104,62024-10-08
2024-08R$ 1,311,248%R$ 105,02024-09-09
2024-07R$ 1,31,251%R$ 103,92024-08-08
2024-06R$ 1,461,414%R$ 103,222024-07-08
2024-05R$ 1,411,376%R$ 102,492024-06-10
2024-04R$ 1,391,323%R$ 105,052024-05-09
2024-03R$ 1,371,318%R$ 103,982024-04-08
2024-02R$ 1,351,32%R$ 102,272024-03-08
2024-01R$ 1,351,326%R$ 101,82024-02-08
2023-12R$ 1,482024-01-09
2023-11R$ 1,422023-12-08
2023-10R$ 1,42023-11-09
2023-09R$ 1,422023-10-09
2023-08R$ 1,432023-09-11
2023-07R$ 1,422023-08-08
2023-06R$ 1,612023-07-10
2023-05R$ 1,522023-06-09
2023-04R$ 1,512023-05-09
2023-03R$ 1,442023-04-11
2023-02R$ 1,422023-03-08
2023-01R$ 1,42023-02-08
2022-12R$ 1,472023-01-09
2022-11R$ 1,422022-12-08
2022-10R$ 1,442022-11-09
2022-09R$ 1,562022-10-10
2022-08R$ 1,542022-09-09
2022-07R$ 1,592022-08-08
2022-06R$ 1,882022-07-08
2022-05R$ 1,722022-06-08
2022-04R$ 1,52022-05-09
2022-03R$ 1,442022-04-08
2022-02R$ 1,52022-03-08
2022-01R$ 1,52022-02-08
2021-12R$ 1,592022-01-10
2021-11R$ 1,512021-12-08
2021-10R$ 1,32021-11-09
2021-09R$ 1,442021-10-08
2021-08R$ 1,142021-09-09
2021-07R$ 1,12021-08-09
2021-06R$ 1,552021-07-08
2021-05R$ 1,082021-06-09
2021-04R$ 1,072021-05-10
2021-03R$ 1,072021-04-08
2021-02R$ 1,032021-03-08
2021-01R$ 0,962021-02-08
2020-12R$ 1,132021-01-11
2020-11R$ 1,762020-12-08
2020-10R$ 1,762020-11-10
2020-09R$ 1,722020-10-08
2020-08R$ 1,52020-09-09
2020-07R$ 0,62020-08-10
2020-06R$ 0,32020-07-08
2020-03R$ 0,12020-04-08
2020-02R$ 0,232020-03-09
2020-01R$ 0,32020-02-10
2019-12R$ 0,142020-01-09
2019-11R$ 1,02019-12-09

Perguntas frequentes

CACR11 paga dividendos mensais em 2026?

Não de forma regular. O CACR11 suspendeu os dividendos em abril de 2026 pela primeira vez na sua história, retendo R$ 1,24 por cota apurados naquele mês. Em junho de 2026, foi feito um único pagamento parcial de R$ 0,23 por cota (referente a maio/2026). Não há prazo definido para retomada da distribuição mensal.

Qual foi o último dividendo do CACR11?

O último dividendo pago foi de R$ 0,23 por cota, com data-base 29/05/2026 e pagamento realizado em 09/06/2026. Antes disso, o fundo distribuiu R$ 1,20 por cota em março de 2026, sendo esse o último mês de distribuição dentro da normalidade histórica.

Qual o dividend yield do CACR11 hoje?

Calculado sobre o último dividendo pago (R$ 0,23) e a cota de R$ 22,70, o DY mensal é de 0,96% — mas esse valor é pontual e não representa um fluxo recorrente. O fundo está efetivamente com os dividendos suspensos e a retomada depende do destravamento de projetos imobiliários na Bahia e em São Paulo.

Por que o CACR11 não vai pagar dividendos?

O caixa líquido do fundo caiu para apenas R$ 2,82 milhões em março de 2026, insuficiente para cobrir a distribuição mensal de R$ 5,8 milhões. Quatro projetos-chave da carteira (3 na Bahia e 1 em SP) estão com lançamentos travados, impedindo a geração de caixa operacional. Sem vendas de unidades, o dinheiro não chega ao fundo.

O CACR11 vai voltar a pagar dividendos?

Possivelmente, mas sem prazo certo. O cenário base projeta retomada parcial (R$ 0,40 a R$ 0,80 mensais) a partir de agosto/setembro de 2026, condicionada ao início das vendas nos projetos baianos. O cenário pessimista prevê DPS próximo de zero por mais 12 meses.

CACR11 dividendos abril 2026: o que aconteceu?

Em 3 de maio de 2026, a Cartesia e a BRL Trust anunciaram a retenção integral dos R$ 1,243 por cota apurados em abril — a primeira suspensão total da história do fundo. A justificativa foi o caixa insuficiente diante dos atrasos regulatórios e construtivos em quatro projetos críticos da carteira.

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