CARE11 — Brazilian Graveyard & Death Care Services FII

(Único FII brasileiro focado no setor death care — cemitérios, crematórios e serviços funerários, via participação na Cortel Holding)

Recomendação: VENDA · Nota 3,0/10 · Cotação R$ 2,96 · P/VP 0,4265 · DY 12m 0%

Análise e recomendação

O CARE11 é um fundo de altíssimo risco com nicho único (setor death care) mas sem geração de rendimentos para cotistas desde setembro de 2021 — quase cinco anos. A participação de 19,92% na Cortel Holding (R$ 157,6 Mi, ~63% do PL) é ilíquida, avaliada por laudo de companhia fechada e difícil de monetizar. Os jazigos do Cemitério do Morumby têm venda lenta. A troca de administrador (Trustee para Mérito DTVM em jul/2025) foi conturbada — o antigo administrador reteve documentos e atrasou a divulgação das Demonstrações Financeiras de 2025. O P/VP de 0,44 reflete a desconfiança do mercado na capacidade do fundo de gerar valor ao cotista.

Tese de investimento

O CARE11 é o único FII brasileiro focado no setor death care, com participação de 19,92% na Cortel Holding (16 cemitérios, 8 crematórios, 2 cremapet, planos funerários, em 6 estados). O fundo não distribui rendimentos desde setembro/2021 e negocia com ~56% de desconto sobre o VP (P/VP 0,44). O resultado de 2025 foi negativo em R$ 1,42 Mi e o 1T2026 manteve-se no vermelho. A troca de administrador (Trustee → Mérito DTVM) trouxe ruído de governança — atraso das DF auditadas e inconsistências de cotas/VP nos informes da nova gestão. A tese é essencialmente uma aposta no destravamento de valor da participação na Cortel (via IPO, venda estratégica ou início de distribuição de lucros) — evento de timing altamente incerto.

Para quem é

  • Investidores especulativos que apostam no destravamento de valor da Cortel
  • Perfil arrojado que aceita ficar sem dividendos por tempo indeterminado
  • Quem tem horizonte de muito longo prazo (5+ anos)
  • Investidores que veem valor no nicho death care como setor defensivo e anticíclico

Para quem não é

  • Quem busca renda mensal — fundo não distribui há quase 5 anos
  • Investidores que valorizam liquidez e transparência
  • Perfil conservador ou moderado
  • Quem não aceita participação ilíquida em companhia fechada sem prazo de realização
  • Quem não tolera ruído de governança (troca conturbada de administrador, atraso de DF)

Pontos de atenção e riscos

Sem dividendos desde set/2021 — quase 5 anos

O fundo não distribui rendimentos há mais de 56 meses. Os últimos proventos foram valores irrisórios (~R$ 0,0017 por cota). O resultado do exercício de 2025 foi negativo em R$ 1.422.529,04 (Informe Anual 12/2025, item 4.1) e o 1º trimestre de 2026 registrou resultado financeiro de -R$ 477.335,98 (Informe Trimestral 31/03/2026). O Informe Trimestral confirma rendimentos declarados de R$ 0 e payout de 0,00%. Nenhuma perspectiva concreta de retomada.

63% do PL em participação ilíquida na Cortel

As 3.472.932 ações ON da Cortel Holding (19,92% do capital) valem R$ 157.554.529,15 (Informe Trimestral 31/03/2026), ~63% do PL. São ações de companhia fechada, avaliadas por laudo a valor justo (UHY Bendoraytes, fluxo de caixa descontado / WACC), sem mercado secundário. O IPO mandatado à XP em 2021 foi cancelado pela conjuntura. Somando os recebíveis da Cortel (R$ 17,9 Mi), a exposição ao grupo passa de 70% do PL.

Troca de administrador conturbada (Trustee → Mérito DTVM)

A administração migrou da Trustee DTVM para a Mérito DTVM (CNPJ 41.592.532/0001-42) com data-base de transferência em 11/07/2025. Em 10/04/2026 a Mérito comunicou ao mercado que as DF auditadas de 2025 atrasariam porque 'o antigo administrador não disponibilizou a totalidade das informações e documentos necessários'. Houve ainda troca de auditor (de Audipec para Next Auditores) e novo diretor responsável (Eduardo Félix Bianchini, desde 18/11/2025). Sinais claros de fricção de governança.

Venda lenta dos jazigos do Morumby

O fundo detinha 3.080 jazigos no Cemitério do Morumby em 11/07/2025 (Demonstrações Financeiras de transferência), precificados a R$ 70,1 Mi. A venda das cártulas de Cessão Onerosa de Direito de Uso ocorre a pessoas físicas em ritmo muito lento, dependente de campanhas de marketing omnichannel da Cortel. Esse é o único ativo direto do fundo com potencial de gerar caixa relevante no curto prazo, mas a conversão é incerta.

Oscilação atípica e questionamento da B3 (mai/2026)

Em 08/05/2026 a B3 oficiou o fundo (Ofício 098/2026-SLE) sobre oscilações atípicas, aumento de negócios e quantidade negociada das cotas. A Mérito DTVM respondeu em 11/05/2026 que não tem conhecimento de fato que justifique o movimento. A cota recuou de ~R$ 3,70 (21/05) para R$ 3,06 (01/06), refletindo volatilidade especulativa sem catalisador fundamental.

Concentração extrema de cotistas e baixa liquidez

Pelo Informe Anual 12/2025, cotistas com mais de 50% das cotas detêm 99,74% do total emitido (e ~93,7% via PJ), enquanto 5.335 cotistas pulverizados somam apenas 0,03%. O número de cotistas caiu de 11.759 para 6.858 (mar/2026). Não há formador de mercado. A combinação de controle concentrado, ausência de market maker e free float pequeno torna a saída de qualquer posição relevante muito difícil.

Inconsistência de cotas/VP nos informes da nova administração

Os informes de 2026 da Mérito DTVM reportam 7.201.226,48 cotas e VP/cota de R$ 34,49, enquanto o Informe Anual 12/2025 reporta 35.769.919 cotas (VP/cota ~R$ 6,94). A cotação de mercado (R$ 3,06) só é coerente com a base de ~35,8 Mi cotas (P/VP 0,44). Os números de 'rentabilidade efetiva mensal 414%' e 'DY do mês 15,47%' no informe mar/2026 reforçam que há ruído de restatement na transição de administrador — análise feita pela base de mercado de ~35,8 Mi cotas.

Sustentabilidade dos dividendos

O fundo não distribui rendimentos há quase 5 anos porque ~98% do PL está em ativos que não geram caixa distribuível: a participação ilíquida na Cortel (companhia fechada que não distribui dividendos ao fundo) e os jazigos do Morumby (venda lenta). O caixa de R$ 3,45 Mi serve apenas para cobrir despesas. Qualquer retomada de distribuição depende de um evento de liquidez na Cortel — IPO, venda ou início de pagamento de dividendos — sem prazo visível.

Sobre a gestora

A gestão é da Zion Gestão de Recursos Ltda. (Zion Invest, São Paulo), também distribuidora das cotas. A administração migrou da Trustee DTVM para a Mérito DTVM (CNPJ 41.592.532/0001-42, Vila Olímpia/SP), com data-base de transferência em 11/07/2025 — corrigindo a informação da análise anterior, que apontava 'Master S/A' como administradora. A Master S.A. CCTVM figura como custodiante. O auditor passou a ser a Next Auditores Independentes (Blumenau/SC).

A transição foi conturbada: a Mérito comunicou em abr/2026 que a antiga administradora reteve documentos, atrasando as DF auditadas de 2025. O diretor responsável pelo FII é Eduardo Félix Bianchini (desde 18/11/2025) e o contato técnico/RI é Marcos Alexandre Ikuno. Apesar do nicho diferenciado, a gestão não conseguiu gerar rendimentos para cotistas em quase cinco anos, o que pesa fortemente na nota.

Ver a análise completa da gestora Zion Gestão de Recursos (Gestor) / Mérito DTVM (Administrador desde jul/2025) →

Conclusão

O CARE11 é o único FII do mercado brasileiro focado exclusivamente no setor death care. Sua principal posição — 19,92% da Cortel Holding (3.472.932 ações ON, R$ 157,55 Mi, ~63% do PL) — dá exposição indireta a 16 cemitérios, 8 crematórios, 2 cremapet, agências funerárias e administradoras de planos funerários em 6 estados. O Grupo Cortel é pioneiro e líder do setor, com ativos reais relevantes. Além disso, o fundo detém diretamente 3.080 jazigos no Cemitério do Morumby (R$ 70,1 Mi) e recebíveis da Cortel/venda de imóvel (R$ 17,9 Mi).

Entretanto, o fundo não distribui rendimentos desde setembro de 2021 (56+ meses) e os últimos proventos foram irrisórios (R$ 0,0017/cota). A participação na Cortel é completamente ilíquida — companhia fechada avaliada por laudo a valor justo (Nível 3), com o IPO mandatado à XP em 2021 cancelado pela conjuntura. O resultado do exercício de 2025 foi negativo em R$ 1,42 Mi (Informe Anual) e o 1º trimestre de 2026 seguiu no vermelho (-R$ 477 mil financeiro). A troca de administrador (Trustee → Mérito DTVM, data-base 11/07/2025) foi conturbada: a Mérito comunicou que o antigo administrador reteve documentos, atrasando a auditoria das DF de 2025, e os informes de 2026 apresentam inconsistências de cotas/VP (7,2 Mi cotas/R$ 34,49 vs 35,8 Mi cotas/R$ 6,94 da base de mercado). Em maio/2026, a B3 ainda questionou oscilação atípica das cotas.

Olhando para frente, a tese do CARE11 é uma aposta de paciência extrema no destravamento de valor da Cortel — via IPO, venda estratégica ou início de distribuição de lucros — sem timing visível. O setor death care tem fundamentos defensivos (envelhecimento populacional, consolidação), e o P/VP de 0,44 oferece upside teórico caso o valor se destrave. Mas o VP/cota de R$ 6,94 não deve ser lido ao pé da letra: ~63% dele é participação ilíquida que exigiria haircut severo em qualquer realização, e ~28% são jazigos de venda lenta. Com zero renda no caminho, governança em estabilização e liquidez crítica, o custo de oportunidade de esperar é alto. Para o investidor que não seja estritamente especulativo, há opções muito mais sólidas.