DCRA11 — Devant FIAGRO - Imobiliário de Responsabilidade Limitada

(Devant FIAGRO — Fiagro de papel gerido pela Devant Asset, foco em CRAs do agronegócio)

Recomendação: NEUTRO / COMPRA ESPECULATIVA · Nota 6,5/10 · Cotação R$ 7,02 · P/VP 0,7163 · DY 12m 15,25%

Análise e recomendação

O DCRA11 (Devant FIAGRO) é um Fiagro de papel da Devant Asset que investe em 16 CRAs e 4 cotas de Fiagros listados (RURA11, RZAG11, AAZQ11, EGAF11) ligados ao agronegócio. Iniciado em janeiro de 2022, o fundo encerrou abr/2026 com PL de R$ 66,06 Mi, VP/cota de R$ 9,80 e cota de mercado a R$ 6,99 (01/06/2026) — P/VP de 0,71 e DY 12m de 15,25% (~115% do CDI; 135% no gross up de IR).

O grande diferencial é a carteira 100% adimplente desde o IPO — fato raro em Fiagros de papel no ciclo agro difícil de 2024-2025. A gestão é ativa e transparente (RG mensal com DRE completa), mantém linearidade de rendimentos via reserva de lucros e diversifica por indexador (CDI+3,9%, IPCA+8,3%), segmento e geografia. Os pontos de atenção: PL pequeno (R$ 66 Mi) que limita escala, concentração em revenda de insumos (setor em estresse), exposição majoritária ao CDI (DPS nominal cai na queda de Selic) e liquidez modesta (R$ 1,4 Mi/mês). A cota a P/VP 0,71 incorpora muito risco com folga — o investidor compra com margem de segurança real. Recomendação: NEUTRO com viés positivo para investidor que aceite a volatilidade de marcação e a aposta no carrego de uma carteira saudável a preço descontado.

Tese de investimento

A tese do DCRA11 hoje gira em torno de três fatores: (i) carteira 100% adimplente desde o IPO, fato raro em Fiagros de papel no ciclo agro 2024-2025; (ii) desconto profundo — cota a P/VP 0,71 (29% abaixo do VP de R$ 9,80), oferecendo margem de segurança real; e (iii) DY 12m de 15,25% isento de IR para PF, com carteira diversificada em 20 ativos.

O contraponto é de intensidade média: PL pequeno (R$ 66 Mi) que limita escala, concentração em revenda de insumos em um setor sob pressão, exposição majoritária ao CDI (DPS nominal cai na queda de Selic) e liquidez modesta. Diferente de Fiagros pares com inadimplência ativa, o DCRA11 não carrega evento de crédito conhecido — o risco é prospectivo (qualidade da originação em setor difícil), não atual. Para o investidor, o DCRA11 é uma aposta no carrego de uma carteira saudável comprada com 29% de desconto: oferece prêmio razoável e margem, mas exige tolerância à volatilidade de marcação e ao DPS em tendência de baixa.

Para quem é

  • Investidores que buscam carrego de crédito agro com qualidade de carteira e aceitam comprar a P/VP descontado apostando no fechamento do desconto
  • Perfis isentos (PF) que querem DY de ~15% ao ano com isenção de IR e diversificação setorial no agro
  • Quem valoriza gestão ativa e transparente (RG mensal com DRE) e histórico de zero inadimplência

Para quem não é

  • Quem busca fluxo de renda crescente — o DPS está em tendência de queda (R$ 0,13 → R$ 0,09) acompanhando a Selic
  • Investidores que precisam de liquidez alta — volume médio ~R$ 65-70 mil/dia
  • Quem aposta em ciclo de queda de juros via fundo de papel — 81,8% pós-fixado/percentual de CDI sofre na baixa da Selic
  • Perfis que não toleram exposição a setor agro em estresse (revenda de insumos)

Pontos de atenção e riscos

PL pequeno (R$ 66 Mi) limita escala e diluição de perdas

Com R$ 66 Mi de PL para 20 ativos (16 CRAs + 4 Fiagros), o fundo é modesto. Em Fiagro de papel, escala importa para diligência de crédito, negociação de recuperação e diversificação. A boa notícia é que a estrutura de taxas (1,00% a.a. = 0,13% adm + 0,87% gestão) é proporcional ao PL, sem mínimo fixo relevante — então o custo não distorce como em fundos com piso em reais.

Concentração em revenda de insumos — setor agro em estresse

Cerca de 15% da carteira está em CRAs de revenda/cadeia de insumos (Agrofito, Toagro, Agrodinâmica, Panorama, Agrofarm). Esse setor passou por estresse relevante no agro brasileiro 2024-2025 (Lavoro, Agrogalaxy, Belagrícola somaram bilhões de perda para credores). Os nomes específicos do DCRA11 seguem adimplentes e contam com cessão fiduciária de recebíveis + aval dos sócios, mas o setor inteiro merece monitoramento.

Exposição majoritária ao CDI — vulnerável à queda de Selic

81,8% do portfólio é pós-fixado/percentual de CDI/pré, e apenas 18,2% em IPCA+8,33%. Em ciclo de queda da Selic (Focus projeta convergência para baixo), o DPS nominal cai por aritmética do CDI+. Em maio/2026 o DPS já está em R$ 0,09 — abaixo dos R$ 0,11-0,15 de 2022-2023.

Liquidez modesta (R$ 1,4 Mi/mês, giro ~2,9%)

Volume negociado em abr/26 foi R$ 1,4 Mi no mês (giro de 2,9% do valor de mercado), ou ~R$ 65-70 mil/dia. Para 14,5 mil cotistas é liquidez baixa — investidor com posição acima de R$ 50 mil tem dificuldade real para sair sem afetar o preço. Presença em 100% dos pregões ajuda, mas o volume diário é o gargalo.

DPS em tendência de queda (R$ 0,13 → R$ 0,09)

O DPS recuou do pico de R$ 0,13-0,15 em 2022-2023 para R$ 0,09 estável desde meados de 2025. A queda acompanha a normalização dos spreads e o uso de reserva de lucros para suavizar. A reserva acumulada (R$ 817 mil, R$ 0,121/cota em abr/26) dá fôlego, mas em Selic em queda o piso natural do DPS tende a R$ 0,08-0,09.

Posições relevantes em outros Fiagros listados (13,4% do PL)

O fundo carrega cotas de RURA11, RZAG11, AAZQ11 e EGAF11 (cerca de 13,4% do PL, R$ 8,9 Mi). É uma camada de FoF que dilui risco mas adiciona uma segunda camada de taxas (taxa do Fiagro investido + taxa do DCRA11) e expõe o cotista à marcação de mercado dessas cotas, que negociam com desconto (RZAG11 a R$ 9,24 vs VP R$ 9,63, etc.).

Exposição a quirografários sem garantia real (Marfrig + Minerva)

CRA Marfrig (3,8% PL) e CRA Minerva (4,5% PL) são corporativos sem garantia real — a própria gestora informa 'A operação não conta com garantias'. São empresas grandes e líquidas, mas em stress corporativo a recuperação depende exclusivamente do fluxo de caixa e da estrutura geral, sem ativo específico para executar.

Transição de administrador (Daycoval) sob acompanhamento

O Banco Daycoval comunicou intenção de transferir a administração para a QORE DTVM, sem alteração de custos ou de prestadores anunciada. Transições de administrador são operacionalmente neutras na maioria dos casos, mas merecem acompanhamento até a conclusão para garantir continuidade de governança e de relatórios.

Sustentabilidade dos dividendos

O DPS de R$ 0,09 é sustentável: o resultado líquido de 2025 (R$ 1,3059/cota) ficou bem acima do distribuído, gerando reserva de lucros de R$ 0,121/cota. A carteira 100% adimplente e o caixa robusto (R$ 22,85 Mi, ~18,7% do PL) dão folga. O risco é a aritmética do CDI+: na queda da Selic, o resultado nominal recua e o DPS pode escorregar para R$ 0,08 no médio prazo.

Sobre a gestora

A Devant Asset Investimentos é uma gestora independente especializada em crédito estruturado, com uma linha de fundos que inclui CRI (DEVA11), FII (DPRO11), Fiagro (DCRA11) e fundos de renda fixa de crédito privado. No DCRA11 a gestão adota postura ativa e transparente, divulgando relatórios gerenciais mensais com DRE completa, composição da carteira e monitoramento dos devedores.

O principal selo de qualidade é o histórico de zero inadimplência no DCRA11 desde o IPO em janeiro de 2022 — resultado notável no ciclo agro difícil de 2024-2025, em que vários Fiagros de papel pares acumularam eventos de crédito. A gestão é proativa na renegociação de eventos (waiver fees cobrados de emissores em momentos de aperto setorial) e mantém a linearidade dos rendimentos via reserva de lucros. A administração e custódia ficam com o Banco Daycoval (com intenção de transferência para a QORE DTVM em curso). O contato de RI é (11) 93271-6089.

Ver a análise completa da gestora Devant Asset Investimentos Ltda →

Conclusão

O DCRA11 (Devant FIAGRO) encerra abr/2026 com PL de R$ 66,06 milhões, 14.508 cotistas, 67,8% do patrimônio alocado em 16 CRAs e 4 cotas de Fiagros (RURA11, RZAG11, AAZQ11, EGAF11) e ~18,7% em caixa (LFT + RF, com R$ 10 milhões alocados em LFT em abril). A distribuição mensal está estável em R$ 0,09, com DY 12m de 15,25% (~135% do CDI no gross up de IR para PF). A carteira é diversificada — sucroalcooleiro (16,7%), revenda/cadeia de insumos (15%), Fiagros (13,4%), logística/locação (11,5%), etanol (10,1%), alimentício (8,4%), cooperativa (3,1%) e fertilizantes (3%) — por múltiplos estados e indexadores (42% CDI+3,9%, 18,6% IPCA+8,33%). O resultado líquido de 2025 foi de R$ 8,80 milhões (R$ 1,3059/cota), +9,6% vs R$ 8,03 milhões em 2024, com a reserva de lucros chegando a R$ 0,121/cota.

O quadro positivo é o destaque do fundo. Primeiro, a carteira está 100% adimplente desde o IPO em janeiro de 2022 — fato raro em Fiagros de papel que atravessaram o ciclo agro difícil de 2024-2025, quando várias revendas de insumos quebraram no Brasil. Segundo, a estabilidade institucional é exemplar: mesmo ticker, mesma gestora (Devant Asset) e mesma estrutura de taxas (1,00% a.a., sem mínimo fixo distorcivo) desde a estreia. Terceiro, e talvez o mais relevante para o investidor hoje, a cota a R$ 6,99 negocia a apenas 0,71x o valor patrimonial de R$ 9,80 — um desconto de 29% que está entre os maiores do segmento e que, no caso do DCRA11, não se justifica por risco de crédito, mas por porte pequeno e liquidez modesta.

Os pontos de atenção são de intensidade média e prospectivos, não atuais. O PL de R$ 66 milhões limita a escala de diligência e diluição de eventuais perdas; cerca de 15% da carteira está em revenda de insumos, setor que segue sob pressão; 8,3% está em CRAs quirografários (Marfrig + Minerva) sem garantia real; e ~82% do portfólio é pós-fixado, o que comprime o DPS nominal na queda da Selic — o rendimento já recuou de R$ 0,13 (2022-2023) para R$ 0,09 estável. A camada de Fiagros (13,4%) adiciona diversificação mas também uma segunda camada de taxas. Para o investidor, o DCRA11 é uma tese de carrego com margem de segurança: oferece DY de ~15% isento e uma carteira saudável comprada com 29% de desconto, com potencial adicional de ganho via fechamento do P/VP em direção à mediana dos pares (0,92x). Exige tolerância à liquidez baixa e ao DPS em tendência de queda lenta, mas o risco de crédito conhecido é zero — o que diferencia o DCRA11 de boa parte dos Fiagros de papel pares.