Nota 6.2/10 — RAZOÁVEL
Devant Asset Investimentos tem 3 fundos analisados (DCRA11, DVFF11, DEVA11). Nota média 6.2/10 (RAZOÁVEL).
A Devant Asset Investimentos é uma gestora independente paulistana (Rua Fidêncio Ramos, 195, São Paulo/SP; CNPJ 28.363.263/0001-84), fundada em 2016 e especializada em crédito estruturado. Sua bandeira é "democratizar o acesso ao crédito estruturado" — levar ao varejo estratégias de CRI, CRA e crédito privado antes restritas a grandes fortunas. No papel, a casa exibe R$ 1,36 bilhão de AUM e 81,8 mil cotistas em 10 fundos; na prática, esse número engana — R$ 1,33 bilhão (quase todo o AUM) está dentro do DEVA11, fundo em crise profunda. O AUM funcional, distribuído entre os fundos saudáveis, é uma fração disso. A Devant é, portanto, uma gestora de porte médio cujo tamanho nominal é uma miragem contábil.
O histórico tem dois capítulos opostos. No crédito privado líquido, a reputação é sólida — o Solidus Cash foi eleito melhor fundo de renda fixa pela Easynvest (2018) e reconhecido pela Órama (2019), e os fundos Magna FIRF e Audax FIRF receberam 4 e 5 estrelas pela Morningstar em 2022, 2024 e 2025. Já no segmento de FIIs/Fiagro, a governança foi abalada por um dos episódios mais graves do mercado imobiliário listado recente: a crise do DEVA11. A partir de 2023 estouraram defaults em CRIs do portfólio (Gramado Parks, Circuito das Compras/Fortesec), e em dezembro de 2023 a controladora RTSC destituiu três administradores da própria gestora alegando irregularidades. Auditoria posterior encontrou cerca de R$ 1,2 milhão em gastos jurídicos irregulares pagos pelo FII, com a nova administração prometendo restituição.
A estrutura técnica, ainda assim, é qualificada: Christiano Moreira (gestão; ex-VBI Real Estate, ex-V2, MBA IESE, MRICS), Paulo Douteiro (riscos/compliance; ex-Credit Suisse Hedging-Griffo, CGA/CGE), Cristiane Alcantara (RI; ex-Cyrela) e analistas de USP, Insper e FEA-USP. A migração de prestadores de serviço também está em curso — saída do Banco Daycoval rumo a BRL Trust (DVFF11) e QORE DTVM (DCRA11). É um perfil de equipe robusto convivendo com um passivo reputacional pesado.
A Devant cobre múltiplas categorias de renda — Fiagro de papel (DCRA11), fundo de fundos com CRIs (DVFF11) e CRI puro de lastro pulverizado (DEVA11) — todas sob o guarda-chuva "crédito estruturado / high yield". O traço comum é a busca por carrego elevado isento de IR para PF, com gestão ativa e giro tático. O problema não é o mandato, e sim a dispersão brutal de qualidade entre os fundos: as notas internas vão de 6,5 (DCRA11) a 2,5 (DEVA11), o que indica que a mesma assinatura de gestão produziu resultados radicalmente diferentes.
Os extremos contam a história. No DCRA11 (Fiagro) a carteira está 100% adimplente desde o IPO de janeiro de 2022 — feito raro no ciclo agro difícil de 2024-2025, em que Fiagros pares acumularam eventos de crédito —, com 20 ativos diversificados, DY de 15,25% e P/VP de 0,72. Já o DEVA11 está em colapso estrutural: apenas ~25% dos CRIs adimplentes, ~63% em carência via waivers, ~11% formalmente inadimplentes, P/VP de 0,19 e VP corroído por reavaliações sucessivas. No meio, o DVFF11 (FoF) é o caso mediano — diversificação instantânea em 60+ FIIs de gestoras de primeira linha (Kinea, Pátria, Vinci, VBI) e duplo desconto de ~72,5%, mas com dupla camada de taxas, liquidez baixa e retorno historicamente apenas em linha com o IFIX. Curiosamente, o DVFF11 carrega DPRO11 (do próprio grupo) como 6,0% do PL, exemplo de cross-holding intragrupo a vigiar.
A Devant exige um olhar seletivo e cético: a marca, por si só, não é garantia. O DCRA11 pode interessar ao investidor de renda tolerante a risco que busca Fiagro de papel diversificado e isento, atraído pelo histórico de adimplência e pelo desconto — vigiando concentração no agro, porte pequeno e exposição ao CDI numa eventual queda de Selic. O DVFF11 serve a quem quer um FoF descontado e diversificação em um único ticker, ciente da dupla taxa, da baixa liquidez e do retorno apenas em linha com o IFIX. Já o DEVA11 deixou de ser tese de renda e virou aposta especulativa de turnaround — adequado apenas a perfil arrojado consciente de que o DY de 23,47% é miragem (vem de amortizações, não de juros recorrentes) e de que o VP pode fechar o desconto "por baixo". Para o investidor conservador, a porta de entrada mais coerente na casa continua sendo o crédito líquido premiado, não os FIIs. Em todos os casos, o que vigiar é o mesmo: evolução da governança pós-crise, conclusão das trocas de administrador/custódia e a restituição prometida ao DEVA11.
Segmentos de atuação: Fiagro de Papel (CRAs e cotas de Fiagros), Fundo de Fundos (FoF) de FIIs + CRIs, Papel (CRI) — Multicategoria / High Yield