DEVA11 Dividendos: Histórico, DY e Sustentabilidade dos Rendimentos

Quanto o DEVA11 paga de dividendos hoje?

O DEVA11 paga R$ 0,30 por cota por mês desde fevereiro de 2026. Com a cotação na casa de R$ 17-18, isso representa um dividend yield anualizado de 23,47% em 12 meses — e é exatamente esse número que atrai buscas e levanta dúvidas legítimas. O fundo distribui mensalmente, com a data-base geralmente ao redor do 5º ao 8º dia útil e pagamento entre o 10º e o 15º dia útil do mês seguinte.

O último rendimento registrado foi de R$ 0,30/cota com data-base em 08/05/2026 e pagamento em 15/05/2026. A guidance oficial da Devant Asset para o 1º semestre de 2026 é de R$ 0,25 a R$ 0,40 por cota — o DPS atual de R$ 0,30 está no piso dessa faixa, o que já diz muito sobre o estado da carteira. O acumulado previsto para 2026, mantido esse patamar, é de R$ 3,60/cota no ano, frente a R$ 4,80 entregues em todo o ano de 2025 e R$ 6,14 em 2024.

O DY de 23% é real? Por que o rendimento parece tão alto?

Um dividend yield de 23,47% à primeira vista parece uma oportunidade extraordinária em fundo imobiliário. Mas a história do DEVA11 é um estudo de caso sobre a diferença entre yield nominal e renda sustentável. Grande parte do que o fundo distribui desde 2024 não vem de juros recorrentes — vem de amortizações e retornos de CRIs renegociados, ou seja, é devolução parcial de principal disfarçada de rendimento.

A carteira do DEVA11 tem apenas ~25% dos 66 CRIs adimplentes em dia. Os outros 75% estão em carência (via waivers aprovados em Assembleias de Titulares) ou formalmente inadimplentes. Quando um CRI está em carência, ele não paga juros — o fundo usa o caixa acumulado e os retornos das operações que funcionam para manter a distribuição. Em janeiro de 2026, o caixa líquido chegou a R$ 75,2 milhões, reforçado por pré-pagamentos do CRI Grupo CEM e Thermas São Pedro no final de 2025. É esse colchão que defende os R$ 0,30 no curto prazo — mas ele não se renova sozinho.

A conta é simples: se a maioria dos waivers vencer ao longo do segundo semestre de 2026 sem que os devedores retomem pagamentos normais, o caixa se esgota e o DPS comprime. No cenário pessimista modelado pela equipe do site, o DPS pode recuar para R$ 0,20-0,25/cota, reduzindo o DY efetivo para 11%-15% — ainda expressivo, mas bem abaixo do headline de 23%.

Histórico de dividendos: a trajetória de queda

O DEVA11 nasceu em agosto de 2020 com DPS inicialmente volátil, reflexo de uma carteira em formação. Ao longo de 2021, com o PL crescendo de emissão em emissão até atingir R$ 1,3 bilhão e o CDI baixo estimulando CRIs high yield, os rendimentos mensais ficaram em torno de R$ 1,10 a R$ 1,60/cota — um DY anualizado de aproximadamente 15% a 18% sobre a cotação da época.

A virada veio em 2022-2023. A combinação de Selic a 13,75%, retração nos setores de multipropriedade e hotelaria, e dificuldades operacionais nos devedores — com destaque para o ecossistema Gramado Parks, que concentra cerca de 25% do patrimônio — produziu uma cascata de reestruturações. Em setembro de 2022, o DPS já havia caído de R$ 1,60 (mai/22) para R$ 0,55. Em 2023, o fundo oscilou entre R$ 0,65 e R$ 1,10, mas a tendência era declinante.

De 2024 em diante, com múltiplas AGTs concedendo waivers de 12 a 24 meses para Pride, HOPE, WAM, Chemin, Brasil Parques, GPK e outros, o DPS foi comprimido ainda mais: de R$ 0,68/cota em março de 2024 para R$ 0,30 desde fevereiro de 2026, uma queda de 56% no dividendo em menos de dois anos. Para contextualizar: quem comprou a cota a R$ 100 no IPO recebeu um total estimado de R$ 65 em dividendos ao longo de 69 meses — mas a cota hoje vale menos de R$ 18, resultando em retorno total acumulado negativo de aproximadamente 15%.

Nos últimos 12 meses (de junho/25 a maio/26), o DPS oscilou entre R$ 0,30 e R$ 0,46. A tendência de lateralização em R$ 0,30 reflete que o fundo atingiu o piso declarado da guidance sem espaço visível de crescimento.

Guidance e projeções: o que esperar dos próximos meses?

A Devant Asset estabeleceu guidance de R$ 0,25 a R$ 0,40/cota para o 1º semestre de 2026, publicada no Relatório Gerencial de janeiro de 2026. Com o DPS travado em R$ 0,30, o fundo opera na metade inferior dessa faixa. A guidance não foi renovada formalmente para o 2º semestre — o que é, por si só, um sinal de alerta, já que a gestora não publica Relatório Gerencial com regularidade desde janeiro de 2026.

Os três cenários projetados pelo nosso modelo consideram a cotação de referência de R$ 17,30:

  • Cenário base: DPS de R$ 0,30 mantido, DY anualizado de 17,86%. O caixa líquido de R$ 75 mi sustenta a distribuição enquanto os waivers ainda vigem.
  • Cenário otimista: devedores em carência normalizam fluxos após o vencimento dos waivers e a Selic cai para 11% conforme projeção Focus. DPS volta a R$ 0,40, DY anualizado sobe para 23,81%. Probabilidade: baixa/média.
  • Cenário pessimista: inadimplência formal triplica após vencimento dos waivers em 2026. Guidance revisada, DPS comprime para R$ 0,20. DY anualizado cai para 11,9%. Probabilidade: média/alta.

O ponto de inflexão crítico é o 2º semestre de 2026, quando vencem a maioria dos waivers concedidos para Pride, OP Resort, Eco Resort, Aquan Prime e Resort do Lago IV. O desempenho desses CRIs na retomada de pagamentos vai definir se o DEVA11 estabiliza ou entra em nova rodada de deterioração.

Sustentabilidade: os dividendos do DEVA11 duram?

A resposta direta: não, no ritmo atual. A análise de sustentabilidade do DEVA11 é a parte mais importante do que qualquer cotista — presente ou futuro — precisa entender antes de olhar o número de DY.

Um fundo de recebíveis saudável distribui rendimentos que vêm dos juros que os devedores pagam sobre os CRIs. No DEVA11, apenas 24,8% dos CRIs efetivamente pagam juros regularmente. O restante está sob carência (não paga juros pelo prazo do waiver) ou inadimplente (não paga nada e está em processo de cobrança judicial). Isso significa que o rendimento recorrente real da carteira está muito aquém do DPS declarado de R$ 0,30.

A taxa média ponderada da carteira é de IPCA+ 10,66% ao ano — rendimento excelente em tese, mas que só se materializa quando os devedores honram os pagamentos. Enquanto 75% da carteira está travada em waivers ou inadimplência, esse potencial de renda permanece congelado na teoria.

Há um aspecto positivo a mencionar: o fundo não tem alavancagem (LTV 0%) e 96,6% da carteira está indexada ao IPCA, o que cria uma proteção formal contra a inflação. Mas proteção contratual e recebimento efetivo são coisas diferentes quando o devedor não paga. A conclusão honesta é que os dividendos do DEVA11 estão sendo parcialmente financiados por reservas que se esgotam, não por renda recorrente. Para quem busca dividendos mensais estáveis e crescentes, este não é o fundo certo — para análise mais completa sobre se vale a pena investir, veja a seção de análise dedicada.

Histórico completo de dividendos do DEVA11 (70 meses)

CompetênciaRendimento/cotaDY no mêsPreço-baseData-comPagamento
2026-05R$ 0,31,655%R$ 18,132026-06-082026-06-15
2026-04R$ 0,31,361%R$ 22,052026-05-082026-05-15
2026-03R$ 0,31,277%R$ 23,52026-04-15
2026-02R$ 0,31,254%R$ 23,922026-03-13
2026-01R$ 0,31,21%R$ 24,792026-02-13
2025-12R$ 0,41,484%R$ 26,952026-01-15
2025-11R$ 0,441,752%R$ 25,112025-12-12
2025-10R$ 0,331,375%R$ 24,02025-11-14
2025-09R$ 0,351,381%R$ 25,352025-10-14
2025-08R$ 0,321,196%R$ 26,762025-09-12
2025-07R$ 0,341,207%R$ 28,182025-08-14
2025-06R$ 0,461,359%R$ 33,852025-07-14
2025-05R$ 0,451,413%R$ 31,852025-06-13
2025-04R$ 0,461,522%R$ 30,232025-05-15
2025-03R$ 0,411,413%R$ 29,012025-04-14
2025-02R$ 0,431,503%R$ 28,62025-03-18
2025-01R$ 0,411,499%R$ 27,352025-02-14
2024-12R$ 0,441,53%R$ 28,762025-01-15
2024-11R$ 0,431,6%R$ 26,882024-12-13
2024-10R$ 0,451,488%R$ 30,252024-11-14
2024-09R$ 0,451,286%R$ 35,02024-10-14
2024-08R$ 0,451,189%R$ 37,852024-09-13
2024-07R$ 0,461,215%R$ 37,852024-08-14
2024-06R$ 0,431,055%R$ 40,762024-07-12
2024-05R$ 0,481,143%R$ 41,992024-06-14
2024-04R$ 0,651,383%R$ 47,02024-05-15
2024-03R$ 0,681,525%R$ 44,592024-04-12
2024-02R$ 0,61,478%R$ 40,62024-03-14
2024-01R$ 0,621,492%R$ 41,562024-02-16
2023-12R$ 0,421,049%R$ 40,042024-01-15
2023-11R$ 0,472023-12-14
2023-10R$ 0,522023-11-16
2023-09R$ 0,492023-10-16
2023-08R$ 0,472023-09-15
2023-07R$ 0,52023-08-14
2023-06R$ 0,62023-07-14
2023-05R$ 0,652023-06-15
2023-04R$ 0,852023-05-15
2023-03R$ 0,72023-04-17
2023-02R$ 0,92023-03-14
2023-01R$ 1,12023-02-14
2022-12R$ 1,052023-01-13
2022-11R$ 0,92022-12-14
2022-10R$ 0,562022-11-16
2022-09R$ 0,552022-10-17
2022-08R$ 1,02022-09-15
2022-07R$ 1,252022-08-12
2022-06R$ 1,412022-07-14
2022-05R$ 1,62022-06-14
2022-04R$ 1,42022-05-13
2022-03R$ 1,312022-04-14
2022-02R$ 1,182022-03-15
2022-01R$ 1,252022-02-14
2021-12R$ 1,352022-01-14
2021-11R$ 1,422021-12-14
2021-10R$ 1,42021-11-16
2021-09R$ 1,332021-10-15
2021-08R$ 1,452021-09-15
2021-07R$ 1,262021-08-13
2021-06R$ 1,112021-07-14
2021-05R$ 1,12021-06-15
2021-04R$ 1,372021-05-14
2021-03R$ 1,542021-04-15
2021-02R$ 1,282021-03-12
2021-01R$ 1,952021-02-12
2020-12R$ 0,852021-01-15
2020-11R$ 2,682020-12-14
2020-10R$ 2,492020-11-16
2020-09R$ 2,452020-10-15
2020-08R$ 0,352020-09-15

Perguntas frequentes

DEVA11 paga dividendos mensais?

Sim, o DEVA11 distribui rendimentos mensalmente. O último pagamento foi de R$ 0,30/cota em 15/05/2026. A data-base costuma ser entre o 5º e o 8º dia útil do mês, com pagamento até o 15º dia útil do mês seguinte.

Qual o dividend yield do DEVA11?

O DY dos últimos 12 meses é de 23,47%, calculado sobre a cotação na mínima histórica. Projetando os R$ 0,30 atuais sobre a cotação de R$ 17,30, o DY anualizado fica em torno de 20,8%. O número alto reflete risco, não oportunidade — boa parte do rendimento vem de amortizações e reservas, não de juros recorrentes.

O dividendo do DEVA11 vai cair?

Há risco concreto de redução. O DPS atual de R$ 0,30 está no piso da guidance (R$ 0,25-0,40) e depende de um caixa líquido de R$ 75 mi que não se renova automaticamente. Se os waivers que vencem em 2026 não forem normalizados pelos devedores, o DPS pode cair para R$ 0,20-0,25.

DEVA11 dividendos 2026: quando é o próximo pagamento?

O fundo paga todo mês. Com base no padrão histórico, a data-base do rendimento de junho/2026 deve cair em torno do dia 5-8 de junho, com pagamento previsto para 13-15 de junho. Consulte sempre o comunicado oficial via FundosNet para a data exata.

Por que o DEVA11 tem DY tão alto se é um fundo problemático?

Porque o DY é calculado dividindo o dividendo anual pelo preço da cota, e a cota caiu mais de 80% desde o IPO. Quando o preço despenca mais rápido que o dividendo, o DY sobe artificialmente. Isso não significa que a renda está crescendo — significa que o mercado está precificando risco de perda permanente.

Quanto o DEVA11 pagou em dividendos ao longo da história?

O fundo distribuiu aproximadamente R$ 65/cota acumulados desde o IPO em agosto de 2020 até maio de 2026. Quem comprou a R$ 100 no IPO recebeu esses dividendos mas tem uma cota que vale cerca de R$ 17, resultando em retorno total negativo de cerca de -15% no período.

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