Recomendação: NEUTRO COM RISCO ALTO · Nota 4,8/10 · Cotação R$ 104,55 · P/VP 1,0118 · DY 12m 13,6%
O EIRA11 é um fundo de papel boutique gerido pela Aroeira Asset, listado em 10/02/2025. Depois da 2ª emissão concluída em mar/2026 (follow-on), o patrimônio líquido saltou de R$ 20,95 Mi para R$ 36,20 Mi (abr/2026), as cotas foram de 200.490 para 346.289 e a base de cotistas dobrou para 234. A carteira passou de 3 para 4 ativos: três CRIs estruturados originados pela securitizadora Leverage (Gran Lago, Aparecida Garden e Botânica) mais uma posição em FII Mirante Realty, com cerca de 30,5% ainda em caixa para novas alocações.
O carrego é alto — spread médio de IPCA + 11,35% a.a. e CDI + 2,34% a.a. — e a carteira está 100% adimplente. No acumulado desde o IPO, o fundo entregou 18,81% na cota de mercado + dividendos (acima do CDI de 17,97% e do benchmark IPCA+7% de 15,41%). O DPS de abr/2026 foi de R$ 1,16/cota (DY anualizado de 14,16%, isento de IR para PF). Os contrapontos são estruturais: concentração extrema (4 ativos, ~44% em loteamento em GO), liquidez baixíssima (o fundo praticamente não negocia no secundário), PL ainda pequeno que dilui mal os custos fixos e a base de cotistas concentrada (em dez/2025 um único cotista PJ detinha 73,8% das cotas). Recomendação: apenas para investidor PF que entenda crédito imobiliário estruturado, aceite risco de concentração e liquidez quase nula e busque DY isento acima do CDI.
A tese do EIRA11 gira em torno de três fatores: (i) carrego elevado e isento (spread médio IPCA+11,35% e CDI+2,34%, com DY anualizado de ~14% isento de IR para PF); (ii) carteira 100% adimplente com garantias padronizadas robustas (cessão fiduciária, alienação de SPE, aval, fundo de reserva); e (iii) crescimento em curso — a 2ª emissão concluída em mar/2026 já elevou o PL para R$ 36 mi e adicionou o 4º ativo, com caixa de 30,5% para novas alocações.
Os contrapontos são estruturais e pesam na nota: concentração extrema (apenas 4 ativos, ~44% em loteamento em GO, mesma securitizadora nos 3 CRIs), liquidez quase nula no secundário, base de cotistas concentrada (1 PJ detinha 73,8% em dez/2025) e PL ainda pequeno que dilui mal os custos fixos. O EIRA11 é, hoje, uma aposta em um FII de papel em fase inicial: oferece carrego competitivo e adimplência, mas exige tolerância a concentração, liquidez baixíssima e dependência da continuidade do crescimento do veículo.
O fundo distribui um pouco acima do que gera no caixa, usando a reserva como suavizador (em abr/26 distribuiu R$ 1,16 com resultado de R$ 1,08, consumindo R$ 0,08 da reserva). A estrutura é saudável enquanto a carteira segue 100% adimplente e o caixa de R$ 11,3 Mi é alocado em novos CRIs que ampliem a geração recorrente. Se a alocação demorar e a reserva se esgotar, o DPS tende a convergir para o resultado caixa (~R$ 1,05-1,10/cota).
A Aroeira Asset Gestão de Recursos Ltda. (CNPJ 52.365.272/0001-99) é uma gestora independente sediada em São Paulo, autorizada pela CVM em dezembro de 2023. O EIRA11 é seu único veículo listado em bolsa, com track record de gestão iniciado em fev/2025 — pouco mais de um ano. A casa é especializada em crédito imobiliário estruturado, com foco em CRIs de financiamento à produção (loteamento e incorporação).
A administração fiduciária, custódia e escrituração são exercidas pela QI Tech (QI Corretora de Títulos e Valores Mobiliários), que substituiu a Singulare CTVM no fim de 2025. A auditoria é da PricewaterhouseCoopers. Os relatórios gerenciais trazem análise macro detalhada (curvas DI e NTN-B, DRE completa, comparativo com benchmarks), sinal de equipe técnica capacitada. As limitações para uma nota mais alta são o histórico curto, a ausência de outros fundos na casa e o porte pequeno do veículo, que dificultam avaliar consistência ao longo de ciclos.
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O EIRA11 (Aroeira FII) encerra abr/2026 como um FII de papel boutique em pleno amadurecimento. A 2ª emissão concluída em mar/2026 elevou o patrimônio líquido de R$ 20,95 milhões para R$ 36,20 milhões, ampliou a base de cotistas de 123 para 234 e permitiu a entrada de um 4º ativo na carteira — o FII Mirante Realty (R$ 5,0 mi, 13,8%), ao lado dos 3 CRIs estruturados originados pela securitizadora Leverage (Gran Lago — loteamento GO, CDI+4,85%; Aparecida Garden — loteamento GO, IPCA+12,50%; Botânica — incorporação SP, CDI+4,00%). A carteira segue 100% adimplente, com garantias padronizadas robustas (cessão fiduciária, alienação das cotas da SPE, aval dos controladores e fundo de reserva de 2 PMTs). O carrego é elevado — spread médio de IPCA+11,35% e CDI+2,34% — e o fundo distribuiu R$ 1,16/cota em abr/26 (DY anualizado de 14,16%, isento de IR para PF), entregando 18,81% no acumulado de mercado + dividendos desde o IPO, acima do CDI (17,97%) e do benchmark IPCA+7% (15,41%).
Os pontos de atenção são estruturais e definem a nota. Primeiro, a concentração é extrema: apenas 4 ativos, com ~44% da carteira em loteamento residencial em Goiás e os 3 CRIs originados pela mesma securitizadora. Segundo, a liquidez no secundário é praticamente nula — o histórico de preços mostra volume diário de zero a poucas centenas de cotas, sem formador de mercado, tornando inviável montar ou desmontar posições relevantes. Terceiro, a base de cotistas era altamente concentrada (um único cotista PJ detinha 73,8% das cotas em dez/2025, parcialmente diluído pela 2ª emissão). Quarto, mesmo após a captação, o PL de R$ 36 milhões dilui mal os custos fixos: o mínimo de gestão subiu para R$ 45 mil/mês a partir de fev/2026, peso desproporcional para o tamanho do fundo. Por fim, a distribuição vem superando o resultado caixa (R$ 1,16 distribuído vs R$ 1,08 gerado em abr/26), consumindo a reserva de rendimentos, que caiu para R$ 1,04/cota.
Olhando para frente, o caminho do EIRA11 depende da continuidade do crescimento do veículo. Os ~30,5% em caixa (R$ 11,3 milhões) aguardam alocação — a gestão sinalizou um novo CRI a CDI+4,95% em fase final de aquisição, que ampliaria a geração recorrente. Se a Aroeira mantiver o ritmo de emissões e diversificar a carteira de crédito (de 4 para 8-10 ativos), o fundo melhora estruturalmente em concentração, custos e liquidez. O cenário macro é de dois gumes: a queda gradual da Selic (Copom em 14,50% em abr/26) comprime o carrego nominal dos 63% em CDI+, mas o fechamento das curvas favorece a marcação a mercado dos 37% em IPCA+. Para o investidor, o EIRA11 hoje é uma aposta em um FII de papel em fase inicial: oferece DY isento competitivo (~13,6%) e adimplência total, mas exige tolerância a concentração, liquidez quase nula e dependência da execução da gestora. A cota a P/VP 1,01 não oferece margem de segurança, então a tese é de carrego + amadurecimento, não de desconto patrimonial.