Nota 6.0/10 — RAZOÁVEL
Aroeira Asset Gestão de Recursos tem 1 fundo analisado (EIRA11). Nota média 6.0/10 (RAZOÁVEL).
A Aroeira Asset Gestão de Recursos Ltda. é uma gestora independente sediada na Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.600, em São Paulo (SP), autorizada pela CVM em dezembro de 2023. Seu quadro societário reúne dois grupos: a Ouro Preto Gestão de Recursos S.A. — boutique premiada com mais de 13 anos de mercado, atuante em FIIs, FIDCs, private equity e multimercados — e a RP Partners Participações e Apoio Operacional Ltda. Essa estrutura híbrida é o principal diferencial da casa: a Aroeira concentra a originação e gestão dos ativos de crédito imobiliário, com o respaldo institucional e de compliance de um sócio já consolidado. O AUM consolidado aproxima-se de R$ 109 milhões, distribuídos entre o EIRA11 (R$ 35,8 mi) e um FIDC Multissetorial (R$ 73,5 mi, 531 cotistas) — carteira ainda pequena, porém em expansão consistente.
O histórico de gestão é, por ora, a principal limitação da Aroeira Asset: o EIRA11 iniciou operações em fevereiro de 2025, com pouco mais de um ano de dados verificáveis. O FIDC multissetorial amplia a janela de avaliação da equipe, mas sem histórico público consolidado disponível. Em positivo, a estrutura de governança traz auditoria PricewaterhouseCoopers — comprometimento com transparência incomum para uma casa deste porte. A administração e custódia do EIRA11 migraram da Singulare CTVM para a QI Tech no fim de 2025, plataforma com infraestrutura robusta para fundos estruturados. A direção de controles internos, risco e PLDFT está centralizada em uma mesma pessoa (Edson Vicente Carminatti Junior), concentração de papéis que merece acompanhamento em uma casa de porte reduzido. Positivamente, os relatórios gerenciais do EIRA11 apresentam análise macro detalhada, DRE completa e comparativos com benchmarks — sinal consistente de equipe técnica qualificada além do esperado para o estágio da gestora.
A Aroeira Asset opera em dois segmentos de crédito estruturado: imobiliário (EIRA11) e multissetorial (FIDC). O EIRA11 foca em CRIs de financiamento à produção — loteamento e incorporação com lastro no interior e na região de São Paulo — voltados ao segmento Middle Market e Upper Middle Market, empresas que não encontram acesso pleno ao mercado de capitais tradicional. A carteira encerrou abril/2026 com 4 ativos: 3 CRIs (Gran Lago — loteamento GO, CDI+4,85%; Aparecida Garden — loteamento GO, IPCA+12,50%; Botânica — incorporação SP, CDI+4,00%) e uma posição em FII (Mirante Realty, R$ 5,0 mi). A 2ª emissão concluída em março/2026 elevou o PL de R$ 20,9 mi para R$ 35,8 mi e a base de cotistas de 123 para 234, com caixa de 30,5% disponível para novos aportes. O carrego médio é atrativo: spread de IPCA+11,35% e CDI+2,34%, com DY anualizado de ~14–15% isento de IR para PF — desempenho que superou CDI e IPCA+7% em 2025. A concentração da carteira preocupa: cerca de 44% do patrimônio está alocado em loteamentos em Goiás originados pela mesma securitizadora (Leverage), criando risco geográfico e de pipeline não diversificado para um fundo em fase inicial de construção de portfólio.
O EIRA11 — e por extensão a Aroeira Asset — é adequado para o investidor pessoa física com horizonte de longo prazo, alta tolerância a risco de concentração e liquidez mínima, e interesse em carrego premium isento de IR. O perfil ideal é quem já possui posição diversificada em FIIs maiores e busca um satélite de alto carrego em crédito imobiliário estruturado boutique. Não é recomendável para quem precisa de liquidez ou tem baixa tolerância a risco de crédito concentrado. Pontos a vigiar: (i) manutenção da adimplência dos CRIs, especialmente os dois em Goiás; (ii) ritmo de diversificação da carteira nas próximas emissões; (iii) crescimento do PL e da liquidez no mercado secundário; e (iv) evolução do track record à medida que o FIDC multissetorial ganha histórico público auditável.
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