(ex-EMET/More Invest, sob gestão V2 Investimentos desde fev/2026)
Recomendação: VENDA · Nota 3,5/10 · Cotação R$ 8,9 · P/VP 0,91 · DY 12m 13,6%
O EMET11 é um FII multiestratégia de pequeno porte (PL de R$ 48,7 milhões e apenas 245 cotistas) cujo portfólio hoje é composto quase integralmente por cotas de outros FIIs (FOF), com destaque para HOFC11 (35,7%), VCRR11 (29,4%) e TRUE11 (16,1%), além de posições menores em CXRI11, ALZC11, SCAR3 e a estreante IBCR11.
O fundo atravessou um período de forte instabilidade na gestão: iniciou em mar/2024 sob More Invest, migrou para REC Gestão em meados de 2025, que renunciou à gestão em nov/2025, e desde fev/2026 está sob gestão da V2 Investimentos. Em paralelo, houve transferência de administração da BTG Pactual para a BRL Trust em jun/2025. Essa rotatividade pesa sobre a previsibilidade e governança.
A cotação atual de R$ 8,67 (01/06/2026) implica P/VP de 0,89 sobre o VP de R$ 9,78/cota e DY 12m de ~13,6% — mas o yield trailing é inflado pela distribuição extraordinária de R$ 0,34 em dez/2025: o DPS recorrente despencou para R$ 0,04/cota em abr/26 (de R$ 0,10 em jan), implicando yield forward de apenas ~5,5% se mantido nesse nível. Em 02/06/2026 a V2 anunciou um programa de recompra de até 10% das cotas (jun/26 a jun/27), buscando sustentar a cota descontada. Os pontos positivos são o desconto patrimonial ampliado, a diversificação do portfólio de FIIs investidos e a iniciativa de recompra; os pontos de atenção incluem liquidez baixa, altíssima concentração (2 cotistas detêm 77,7% das cotas), queda acentuada do rendimento e risco de continuidade da estratégia sob a nova gestora.
O EMET11 é um veículo multiestratégia de pequeno porte que funciona essencialmente como um FOF concentrado, combinando exposição a FIIs de tijolo (HOFC11, VCRR11), logística (TRUE11), papel (CXRI11, ALZC11) e, residualmente, ações imobiliárias (SCAR3) e um FII não listado (Rio das Pedras I). A proposta de valor é capturar descontos patrimoniais de fundos investidos com gestão ativa, mas a execução dessa tese foi comprometida por trocas sucessivas de gestora.
Para o investidor, o fundo oferece hoje P/VP de 0,89 (desconto de 11%) e um DY 12m de ~13,6% — porém inflado pela extra de dez/25, com DPS recorrente já em R$ 0,04. Em troca, exige aceitar baixa liquidez, altíssima concentração de cotistas (dois majoritários = 77,7%), rendimento em queda e histórico recente instável. O programa de recompra anunciado em jun/26 sinaliza que a gestora vê a cota descontada, mas também que o fundo opta por encolher.
A V2 Investimentos (CNPJ 13.601.663/0001-03) é gestora independente sediada em São Paulo, com 7 FIIs listados — entre eles VVMR11 (V2 Multi Renda, PL R$ 240,4 mi), VVCO11 (V2 Edifícios Corporativos, R$ 141,9 mi), VVRI11 (V2 Renda Imobiliária, R$ 302,7 mi), VPPR11 (V2 Prime Properties, R$ 130,3 mi) e o EMET11 — e cerca de 10 fundos sob gestão, somando mais de 50 mil investidores em FIIs listados.
Assumiu a gestão do EMET11 em fev/2026, em substituição à REC Gestão (que havia renunciado em nov/2025) e, antes dela, à More Invest (gestora original desde o IPO em mar/2024). Desde a entrada da V2, a base de cotistas saltou de ~102 (dez/25) para 245 (abr/2026) — alta de quase 140% — com o relatório de abril registrando +37 cotistas no mês. Em paralelo, a V2 redesenhou o portfólio concentrando em HOFC11, VCRR11 e TRUE11 e, em jun/2026, anunciou programa de recompra de cotas.
A brevidade do histórico da V2 à frente do EMET11 impede avaliação definitiva da qualidade da gestão, mas seu track record em FIIs corporativos e híbridos é consistente com o mandato multiestratégia do fundo. O ponto de atenção é a queda acentuada do rendimento distribuído sob a nova gestão.
Em 01/06/2026 o EMET11 era cotado a R$ 8,67, com P/VP de 0,89 (desconto de 11% sobre o VP de R$ 9,78), DY 12m nominal de ~13,6% e patrimônio líquido de R$ 48,7 milhões distribuído em essencialmente 7-8 FIIs/ativos (HOFC11 35,7%, VCRR11 29,4%, TRUE11 16,1%, CXRI11, ALZC11, SCAR3, Rio das Pedras I e a estreante IBCR11). A V2 Investimentos, que assumiu a gestão em fev/2026, ampliou fortemente a base de cotistas — de ~102 (dez/25) para 245 (abr/26) — mas o rendimento recorrente caiu de R$ 0,10 (jan) para R$ 0,04 (abr/2026).
A trajetória histórica do fundo é marcada por volatilidade operacional elevada: três gestoras em 24 meses (More Invest, REC, V2), uma troca de administrador (BTG→BRL Trust em jun/2025), ausência de distribuição no 2º semestre de 2024 por conta de prejuízos contábeis e uma ressalva de ênfase da auditoria sobre distribuição abaixo do mínimo de 95% em 2025. Em jun/2026 a gestora anunciou ainda um programa de recompra de até 10% das cotas — defesa do P/VP descontado, mas também sinal de que o fundo opta por encolher em vez de captar.
O portfólio concentra ~81% do PL em apenas três FIIs, o que amplifica tanto o potencial de upside (se os investidos se valorizarem e destravarem dividendos) quanto o risco idiossincrático. A baixa liquidez (~R$ 400-700 mil/dia) e a concentração acentuada de cotistas (77,7% em apenas 2 detentores, conforme o informe anual 2025) são fatores estruturais que não se resolvem no curto prazo e limitam o apelo para investidores institucionais ou com volume expressivo. A tese, hoje, é de destravamento patrimonial — não de renda.