EQIR11 — EQI Recebíveis Imobiliários FII

Recomendação: ACUMULAR · Nota 6,5/10 · Cotação R$ 8,54 · P/VP 0,8831 · DY 12m 13,84%

Análise e recomendação

O EQIR11 é um FII de papel middle grade gerido pela EQI Asset que investe em 33 CRIs distribuídos por 7 setores e 10 estados. A carteira é pulverizada (máximo 7,2% por operação) com remuneração-alvo de IPCA+8% líquido de custos; a marcação a mercado (MTM) eleva o carrego para IPCA+10,15% nos 75% IPCA+ e CDI+4,29% nos 23% CDI+.

Em 01/06/2026 a cota fechou a R$ 8,55 contra VP/cota de R$ 9,67 (mar/2026), P/VP 0,88 (12% de desconto) e DY 12m de 13,84% (~116% do CDI bruto, isento de IR para PF). O fundo distribui R$ 0,10/cota desde abril/2025, sustentado por resultado caixa de R$ 0,10-0,11/cota e um saldo retido de R$ 487 mil que funciona como amortecedor.

Os pontos de atenção são reais mas controlados: ~47% da carteira é residencial (CRIs de financiamento de obra), há um único evento de crédito relevante (Casa & Vídeo, 1,2% do PL, em proteção judicial desde jan/2026), o PL é modesto (R$ 105 Mi) e a liquidez baixa (mediana R$ 73 mil/dia). Contra isso pesam 5 anos sem nenhum default, garantias robustas (LTV ponderado 48%) e gestão transparente. Recomendação: ACUMULAR para investidor moderado-arrojado que busca renda mensal isenta indexada à inflação e aceita liquidez reduzida.

Tese de investimento

A tese do EQIR11 gira em torno de quatro fatores: (i) carteira pulverizada de 33 CRIs (HHI ~0,025, máximo 7,2% por operação) com carrego MTM IPCA+10,15%; (ii) DY 12m de 13,84% (~116% do CDI bruto) isento de IR para PF; (iii) P/VP 0,88, 12% de desconto sobre o VP que tende a se reverter em ciclo de queda de juros; e (iv) zero default efetivo em ~5 anos, com gestão transparente.

O contraponto é moderado: ~47% da carteira em residencial (CRIs de obra), PL pequeno (R$ 105 Mi), liquidez baixa (mediana R$ 73 mil/dia), e o evento Casa & Vídeo (1,2% do PL) em proteção judicial. O EQIR11 é uma tese de renda mensal isenta indexada à inflação, para investidor moderado-arrojado que aceita liquidez reduzida em troca de spread atrativo e desconto patrimonial.

Para quem é

  • Investidor que busca renda mensal isenta de IR com proteção contra inflação (75% IPCA+)
  • Perfil moderado-arrojado que aceita CRIs middle grade em troca de spread atrativo (IPCA+10,15% MTM)
  • Quem quer diversificação setorial em recebíveis imobiliários (residencial, logística, energia, varejo)
  • Investidor que prioriza pulverização extrema da carteira (nenhum CRI > 8% do PL) e desconto sobre o VP

Para quem não é

  • Investidor conservador que busca apenas CRIs high grade com devedor único listado em bolsa
  • Quem precisa de alta liquidez diária — mediana de R$ 73 mil/dia dificulta ordens grandes
  • Quem rejeita exposição a CRIs de financiamento de obra (~47% residencial)
  • Perfil que exige fundos de grande porte (PL > R$ 1 bi) para reduzir risco de gestão

Pontos de atenção e riscos

Casa & Vídeo em proteção judicial

Em janeiro/2026 a varejista Casa & Vídeo solicitou proteção judicial para renegociar dívidas. O CRI (código 21H0001405, lastro debênture IPCA+7,36%, vencimento ago/2027) representa 1,2% do PL e é o único evento de crédito relevante do fundo desde o IPO. A garantia é cessão fiduciária de recebíveis com fluxo mensal mínimo de R$ 10 mi em transações de cartão (Visa/Master). A taxa MTM saltou para IPCA+13,18% (vs aquisição IPCA+7,36%), sinalizando que o mercado já precifica o estresse. A gestão informou que o evento não deve impactar as distribuições no curto prazo, mas exige monitoramento ativo.

~47% da carteira em CRIs residenciais (risco de obra)

Pela exposição por setor do RG mar/2026, residencial responde por 47% da carteira de CRI. São majoritariamente operações de financiamento de obra/término de obra (Caprem, PHV, Minas Brisa, DUE III/IV/V, Lotus, MS Incorporadora, CK) em fases distintas de desenvolvimento. O risco de execução é mitigado por garantias fortes — alienação fiduciária de cotas e terrenos, cessão fiduciária de recebíveis com cash sweep, aval PF/PJ e fundos de reserva — mas obra é o elo mais sensível do crédito imobiliário em ciclo de juros altos.

PL modesto (R$ 105 Mi) limita escala

Com R$ 105,5 Mi de patrimônio, o EQIR11 está entre os FIIs de papel de menor porte. Isso limita ganho de eficiência operacional, capacidade de disputar emissões maiores/mais qualificadas e diluição de eventuais perdas. A taxa de administração de 1% a.a. (~R$ 94 mil/mês) é competitiva, mas o porte pequeno reduz a margem de manobra da gestão.

Liquidez baixa (mediana R$ 73 mil/dia)

A mediana da liquidez diária ficou em R$ 73 mil (RG mar/2026) e o volume médio diário em R$ 80 mil no mês — abaixo do patamar de R$ 100-145 mil observado entre out/2025 e fev/2026 e bem aquém dos R$ 200-300 mil de 2023-2024. Para 9.782 cotistas é liquidez modesta: posição acima de R$ 50 mil já encontra dificuldade para entrar/sair sem mexer no preço. Há formador de mercado contratado (custo R$ 15,8 mil/mês na DRE).

Cota patrimonial ainda abaixo do IPO

Após ~5 anos, a cota patrimonial está em R$ 9,67 (mar/2026) contra IPO de R$ 10,00 — reflexo da marcação a mercado dos CRIs na curva de juros altos de 2025-26 e de prejuízos acumulados contábeis de R$ 5,06 Mi (Demonstrações 30/06/2025). Considerando reinvestimento dos dividendos, o retorno acumulado desde o IPO é de 83,6% (152% do CDI), positivo, mas a cota nominal não recompôs o valor inicial.

Sensibilidade ao IPCA e à queda da Selic

Com 75% da carteira em IPCA+ e 23% em CDI+, meses de inflação baixa pressionam a correção monetária (receita de R$ 173-253 mil/mês nos últimos meses) e a queda da Selic comprime a parcela CDI+. Em ciclo de juros em queda, o DPS nominal tende a recuar, embora o desconto sobre o VP tenda a se reverter (ganho de capital potencial).

Sustentabilidade dos dividendos

O fundo distribui exatamente o que gera no caixa — payout de ~99% no semestre — sem queimar patrimônio. A gestão usa o saldo retido de R$ 487 mil para suavizar meses de IPCA mais baixo (em fev/26 distribuiu R$ 0,10 com resultado caixa de R$ 0,094, usando reservas). Estrutura saudável enquanto a Casa & Vídeo não piorar e o IPCA não desabar. DPS de R$ 0,10 deve se manter nos próximos meses.

Sobre a gestora

A EQI Asset (Euqueroinvestir Gestão de Recursos) é o braço de gestão de recursos do grupo EuQueroInvestir (EQI) e gere o EQIR11 desde o IPO em agosto/2021. A casa publica Relatórios Gerenciais mensais detalhados, com transparência sobre alocação, marcação a mercado, garantias por operação e estratégia, além de vídeos mensais de comentários da gestão.

O track record se destaca por: (i) zero eventos de default desde o início do fundo (único evento de estresse é a Casa & Vídeo, 1,2% do PL, em proteção judicial); (ii) atuação proativa em assembleias; (iii) ganhos de capital recorrentes em pré-pagamentos e destravamentos; e (iv) construção de carteira pulverizada (máximo 7,2% por operação). A administração fiduciária é da BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM (CNPJ 59.281.253/0001-23), com custódia no Banco BTG Pactual.

Ver a análise completa da gestora EQI Asset (Euqueroinvestir Gestão de Recursos) →

Conclusão

O EQIR11 encerra março/2026 com PL de R$ 105,5 milhões, 9.782 cotistas e uma carteira pulverizada em 33 CRIs (82,6% do PL), além de 3,5% em cotas de FII (VRTM11) e 14,0% em caixa (Tesouro Nacional / compromissadas). A distribuição mensal está estável em R$ 0,10/cota desde abril/2025, com DY 12m de 13,84% (~116% do CDI bruto, isento de IR para PF). A carteira é diversificada — residencial (47%), galpões logísticos (14%), corporativo (13%), energia (12%), loteamento (5%), varejo (4%) e home equity (2%) — em 10 estados, com carrego marcado a mercado de IPCA+10,15% (75% da carteira), CDI+4,29% (23%) e pré 18,28% (2%). O lucro líquido do exercício jul/2024-jun/2025 foi de R$ 10,28 milhões (R$ 0,94/cota), +60% vs os R$ 6,41 milhões do FY anterior.

Os pontos de atenção são reais mas controlados. A concentração de 47% em CRIs residenciais (majoritariamente financiamento de obra: Caprem, PHV, Minas Brisa, DUE III/IV/V, Lotus, MS, CK) é o principal vetor de risco em ciclo de juros altos, ainda que mitigada por garantias robustas — alienação fiduciária de cotas e terrenos, cessão fiduciária de recebíveis com cash sweep, aval PF/PJ e fundos de reserva (LTV ponderado de 48%). O único evento de crédito relevante desde o IPO é a Casa & Vídeo (1,2% do PL), em proteção judicial desde jan/2026 — a taxa MTM já saltou para IPCA+13,18%, sinalizando que o estresse está parcialmente precificado. O porte pequeno (R$ 105 Mi) limita escala e a liquidez é baixa (mediana R$ 73 mil/dia). A cota patrimonial de R$ 9,67 segue abaixo do IPO de R$ 10,00, reflexo da marcação a mercado e de prejuízos contábeis acumulados de R$ 5,06 milhões.

Olhando para frente, o EQIR11 é uma tese de renda mensal isenta indexada à inflação com viés de convergência ao VP. O desconto de ~12% sobre o valor patrimonial tende a se reverter em ciclo de queda de juros, beneficiando os 75% da carteira em IPCA+ marcados a mercado. O DPS de R$ 0,10 é sustentável — payout de ~99% no 1T2026 sem queima de patrimônio, amortecido por R$ 487 mil de saldo retido e R$ 14,8 milhões em caixa. Para o investidor, o EQIR11 oferece DY de 13,84% isento, carteira pulverizada com zero default em cinco anos e gestão transparente, em troca de aceitar liquidez reduzida e exposição a CRIs de obra residencial. Recomendação ACUMULAR para perfil moderado-arrojado, com nota 6,5/10 refletindo o equilíbrio entre qualidade de crédito (zero default, boa pulverização, garantias fortes) e as limitações de porte e liquidez.