EQI Asset

Nota 7.0/10 — BOA

EQI Asset tem 1 fundo analisado (EQIR11). Nota média 7.0/10 (BOA).

A EQI Asset (Euqueroinvestir Gestão de Recursos Ltda., CNPJ 32.288.914/0001-96) é o braço de gestão de recursos do Grupo EQI Investimentos, corretora fundada em 2008 em Santa Catarina por Juliano Custodio — ex-blogueiro de finanças que construiu um dos maiores escritórios de assessoria do Brasil. Em 2020, o BTG Pactual adquiriu 49% do grupo, tornando-se sócio estratégico e parceiro de infraestrutura. Autorizada pela CVM para gestão de carteiras, a EQI Asset administra atualmente R$ 4,27 bilhões em AUM, distribuídos em 78 fundos operacionais e mais de 69 mil cotistas — com crédito privado e estruturado respondendo por cerca de 50% do volume total.

Track record e governança

No segmento imobiliário, a gestora opera o EQIR11 desde o IPO em agosto/2021 — e o histórico de cinco anos, embora curto, é positivo: zero default efetivo na carteira de CRIs, com o único evento de estresse (Casa & Vídeo, 1,2% do PL) sendo gerenciado em proteção judicial. A transparência é acima da média: relatórios gerenciais mensais detalhados com marcação a mercado por operação, tabela de garantias e vídeos de comentários da equipe gestora. A administração fiduciária do EQIR11 fica a cargo do BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM (CNPJ 59.281.253/0001-23), com custódia no Banco BTG Pactual — estrutura que reforça a solidez operacional do fundo, mas cria uma relação de dupla dependência com o grupo controlador. Não há registros de processos administrativos ou punições da CVM contra a gestora ou o fundo nos dados públicos disponíveis.

Estratégia e fundos sob gestão

A EQI Asset concentra sua expertise em crédito estruturado — segmento que consome maior capacidade analítica e justifica o foco em um único fundo imobiliário enquanto amplia o portfólio em renda fixa (o EQI Liquidez supera R$ 1,17 bilhão de PL). O EQIR11 reflete essa especialização: carteira com 33 CRIs, HHI de ~0,025, indexação majoritária a IPCA+ (75% do PL) com carrego marcado de IPCA+10,15%, e diversificação setorial em residencial (47%), logístico (14%), corporativo (13%), energia (12%), loteamentos (5%), varejo (4%) e home equity (2%) em 10 estados. A pulverização por operação (máximo 7,2%) e a política ativa de participação em assembleias distinguem a gestão da média do segmento middle grade. O PL de R$ 105 Mi e a liquidez média de ~R$ 73 mil/dia são reduzidos para uma gestora com o porte de grupo que a EQI tem — reflexo da opção por escala via crédito estruturado em vez de FIIs de maior porte.

Pontos fortes e de atenção

  • Zero default efetivo em quase 5 anos de operação do EQIR11 — histórico sólido para um fundo de papel middle grade.
  • Transparência exemplar: relatórios mensais com marcação a mercado operação por operação, vídeos e comunicação ativa com cotistas.
  • Respaldo institucional do BTG Pactual (49% do grupo): acesso a estrutura regulatória robusta, custodiante sólido e histórico de captação via rede da corretora.
  • DY atrativo (~13,84% em 12m, ~116% do CDI bruto) com isenção de IR para PF e carrego IPCA+10,15% que protege contra inflação.
  • PL pequeno (R$ 105 Mi) e liquidez baixa (~R$ 73 mil/dia): limita a entrada/saída de posições relevantes e pode amplificar volatilidade em momentos de estresse.
  • Concentração setorial em residencial (47%): CRIs de obra têm perfil de risco específico (prazo longo, garantias de imóvel em construção) e correlacionam com ciclos de incorporação.
  • Dependência do BTG em múltiplas funções: sócio do grupo (49%), administrador fiduciário e custodiante do fundo — concentração de papéis que pode gerar conflito de interesses em situações adversas.
  • Histórico limitado a um ciclo: gestora fundada após 2018, com o EQIR11 lançado em alta do ciclo de FIIs de papel; a resiliência em ciclo de juros estruturalmente mais alto ainda está sendo testada.

Para qual investidor faz sentido

A EQI Asset faz sentido para o investidor que busca renda mensal isenta de IR indexada à inflação com aceitação de liquidez reduzida. O EQIR11, único produto imobiliário da gestora, é adequado para quem tolera um fundo small-cap (PL ~R$ 105 Mi) em troca de carrego elevado (IPCA+10,15%), histórico limpo de crédito e gestão transparente. O desconto de 12% sobre o VP (P/VP 0,88) oferece margem de segurança em cenário de normalização de juros, mas exige horizonte de médio prazo. Não é indicado para quem precisa de alta liquidez ou tem aversão a risco de crédito imobiliário residencial. Vale monitorar: evolução da carteira residencial (obras entregues vs. inadimplência), desfecho do caso Casa & Vídeo, e eventual lançamento de novos FIIs pela gestora — o que diversificaria o risco operacional hoje concentrado em um único produto imobiliário.

Segmentos de atuação: Papel (CRI) — Multicategoria middle grade

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