FIIB11 — FII Industrial do Brasil

Fundo industrial mono-ativo: 78 unidades autônomas do Perini Business Park em Joinville/SC. Constituído em 2011 a partir da cisão do FPF Andrômeda. Cota cara (R$ 455) por nunca ter feito desdobramento desde 2012.

Recomendação: NEUTRO COM RISCO ALTO · Nota 4,5/10 · Cotação R$ 453,0 · P/VP 0,7666 · DY 12m 7,92%

Análise e recomendação

FIIB11 é um FII mono-ativo de 2011 concentrado no Perini Business Park em Joinville/SC — 78 unidades autônomas de um condomínio industrial com ~40 locatários pulverizados. A operação foi tranquila por 14 anos até setembro/2025, quando a Empresa A (~24% da receita) passou a pagar parte do aluguel unilateralmente alegando crise da indústria automotiva e tarifas dos EUA. O ponto-chave da análise atual: em 11/03/2026 o acordo de parcelamento foi FORMALIZADO — R$ 3.663.259,52 (já com juros de 1,70% a.m.) em 24 parcelas fixas de R$ 187.161,14 (R$ 0,27/cota), com a 1ª vencendo em 20/07/2026. Em abril/26 a inadimplência de aluguel foi ZERO. O dividendo, que caiu de R$ 4,00 (jun/25) para R$ 3,00, está estável há 5 meses. A vacância recuou de 6,80% (mar/26) para 6,31% (abr/26). O P/VP 0,77 parece desconto, mas o VP/cota saltou +24% em dez/25 por reavaliação patrimonial da Cushman & Wakefield — parte do 'desconto' é contábil. Quadro de estabilização frágil: o acordo reduz o risco binário, mas o DY recorrente de 7,9% segue abaixo da logística diversificada e a concentração mono-ativo é estrutural.

Tese de investimento

FIIB11 saiu do modo value trap agudo para uma estabilização frágil. A tese das planilhas — P/VP 0,77 + DY 7,9% + taxa adm 0,32% sobre PL — convive com uma realidade operacional ainda delicada: mono-ativo em Joinville/SC, vacância 6,31%, 8 processos judiciais herdados. O que mudou: o acordo com a Empresa A foi formalizado em mar/26 (24 parcelas de R$ 0,27/cota a partir de jul/26) e a inadimplência de aluguel zerou em abril, removendo o principal risco binário de rescisão imediata. A reavaliação contábil de +24% no VP em dez/25 explica parte do P/VP baixo. Para destravar valor a partir daqui, precisaria: (1) Empresa A honrar as 24 parcelas + aluguel corrente; (2) ocupar os ~6 mil m² vagos; (3) sinal de gestão mais proativa. O spread vs NTN-B 2035 (~7,3% real) ainda é apertado — não há prêmio gordo para a concentração total.

Para quem é

  • Investidor contrarian que aposta na execução do acordo da Empresa A e na ocupação dos blocos vagos
  • Quem busca exposição industrial em SC e aceita mono-ativo conscientemente
  • Investidor que valoriza taxa de administração baixa (~0,32% sobre PL)
  • Quem entra com posição pequena (<2% da carteira) e tolera DPS em R$ 3,00 por mais 12 meses

Para quem não é

  • Quem busca renda crescente — DPS caiu 25% em 2025 e está estável em patamar baixo
  • Investidor que rejeita risco de concentração mono-ativo
  • Perfil conservador ou iniciante
  • Quem confunde P/VP baixo sem entender que parte é maquiagem contábil da reavaliação
  • Quem precisa de cotação acessível para aporte mensal (cota ~R$ 455)

Pontos de atenção e riscos

Acordo de inadimplência formalizado — risco binário reduzido, mas não eliminado

A Empresa A (~24% da receita) passou a pagar parte do aluguel desde set/2025, alegando crise da indústria automotiva e tarifas dos EUA. Após meses de tratativas, o acordo de parcelamento foi FORMALIZADO em 11/03/2026 (Fato Relevante): R$ 3.663.259,52 (já com juros de 1,70% a.m.) em 24 parcelas fixas de R$ 187.161,14 (R$ 0,27/cota), com a 1ª vencendo em 20/07/2026. Em abril/26 a inadimplência de aluguel foi ZERO. O risco remanescente: a Empresa A precisa honrar 24 meses de parcelas além do aluguel corrente; em caso de novo default, o impacto seria a perda do parcelado + retomada do imóvel (relocação leva 6-12 meses).

Mono-ativo e dependência de Joinville/SC

100% do patrimônio (R$ 400,5 Mi de valor de mercado) está concentrado no Perini Business Park, em Joinville/SC. O fundo possui 78 das 99 unidades autônomas do condomínio (104.187 m² ABL). Não há diversificação geográfica nem setorial — qualquer choque local (industrial, sindical, fiscal de SC) atinge 100% da receita. As outras 21 unidades pertencem ao FPF Andrômeda (FII de origem, mesma administradora) e à Perville (controladora do empreendimento), ou seja, há partes relacionadas no mesmo condomínio.

Reavaliação patrimonial maquiou o P/VP

Em dez/25 a Cushman & Wakefield reavaliou os imóveis com ajuste a valor justo de +R$ 79,19 milhões (terrenos +R$ 5,78 Mi, edificações +R$ 72,30 Mi, propriedade para venda +R$ 1,11 Mi). VP/cota saltou de R$ 475,73 (nov/25) para R$ 590,95 (dez/25), alta de +24,2% num único mês. P/VP que era ~1,02 em out/25 caiu para 0,77 sem que a cotação tivesse mexido. Parte do 'desconto' é contábil, não operacional. Risco: se vacância e inadimplência persistirem, o próximo laudo (provavelmente out/26) pode reverter parte do ajuste.

Dividendo recuou 25% em 2025 e estabilizou em patamar baixo

O dividendo caiu de R$ 4,00 (jun/25, pico) para R$ 3,58 (jul-dez/25), R$ 3,10 (jan/26) e R$ 3,00 (fev-abr/26). Em set-dez/25 a administradora absorveu o impacto da inadimplência usando caixa; em jan/26 repassou ao cotista. O DPS está estável em R$ 3,00 há 5 meses, mas o DY recorrente de 7,9% é baixo para o segmento. Recuperação para R$ 3,50+ depende da quitação do parcelado + ocupação dos blocos vagos.

8 processos judiciais ativos de cobrança

Histórico recorrente de inadimplência herdada: Bulonfer (R$ 358 mil, desde 2013), TAC Motors (R$ 72 mil, falida em 2014, veículos desmontados), Gecel (R$ 237 mil, desde 2016), Joinvillense (3 processos somando ~R$ 1,67 Mi, 2022-2024), Embargos de Terceiros Ceres (R$ 232 mil, 2025), Eurosonics (R$ 303 mil, 2024). Recuperação em todos é classificada como 'remota'. Saldo em cobrança judicial: R$ 914.631,83 (estável). Mostra padrão estrutural — locatários industriais de pequeno-médio porte que entram em crise.

Liquidez razoável, mas armadilha do preço alto

Cotação de ~R$ 455 é uma das mais altas do mercado de FIIs — efeito de nunca ter sido feito desdobramento desde 2011. Volume de abr/26: R$ 5,68 Mi (12.285 cotas negociadas, ~R$ 270 mil/dia). Razoável, mas o preço alto reduz a base de investidores pequenos (aporte mensal de R$ 100-500 não compra nem uma cota). A base de 14.298 cotistas está estável.

Gestão da Coinvalores em fundo de nicho

A Coinvalores CCVM administra o fundo desde a constituição em 2011. É administradora de médio porte, fora do Top-15 do mercado de FIIs. Taxa de administração de 3% sobre receita bruta (~0,32% sobre PL). Gestão definida, mas reativa: foi pega de surpresa pela inadimplência da Empresa A em set/25 e levou ~5 meses para formalizar o acordo. Não há histórico de vendas estratégicas, recompras ou subscrições — fundo permanece com a mesma estrutura desde 2012. Adaptou o regulamento à Resolução CVM 175 (responsabilidade limitada).

Caixa magro pós-distribuição

Em abr/26: caixa total de R$ 2,82 Mi (R$ 107 mil em conta + R$ 2,69 Mi em LFTs venc. 09/2029). O fundo praticamente esgota o caixa todo mês na distribuição de rendimentos (política de mínimo 95% do resultado financeiro), e as obras de adequação contratadas (R$ 815 mil, saldo R$ 665 mil) consomem parte do restante. Reserva relativamente fina (~R$ 4,11/cota) para absorver outro choque sem repassar ao cotista.

Sustentabilidade dos dividendos

O DPS de R$ 3,00 está estável e amplamente coberto pelo resultado financeiro corrente — em abr/26 a inadimplência de aluguel foi ZERO e o resultado financeiro do 1T26 foi de R$ 6,02 Mi (~R$ 2,93/cota/mês), bem acima do distribuído. O acordo formalizado com a Empresa A traz R$ 0,27/cota/mês de receita extra a partir de jul/26, e o Bloco 4-E adiciona +R$ 0,04/cota. Há espaço para o DPS subir para R$ 3,10-3,30 caso a ocupação se mantenha. O risco baixista é o descumprimento do parcelado ou nova vacância relevante.

Sobre a gestora

Coinvalores CCVM Ltda. é uma corretora paulistana de médio porte (Av. Brigadeiro Faria Lima, 1800 — São Paulo/SP) que administra o FIIB11 desde a constituição em 19/08/2011. O fundo veio da cisão do FPF Andrômeda — a Coinvalores administra ambos. Não está no Top-15 de administradoras de FIIs. Taxa de administração: 3% sobre receita bruta (~0,32% sobre PL). Ponto positivo recente: conduziu e formalizou o acordo de parcelamento com a Empresa A (Fato Relevante 11/03/2026), retirando o risco binário de rescisão imediata. Pontos fracos: herdou 8 processos judiciais ativos sem solução, foi reativa à inadimplência (~5 meses até formalizar acordo), sem histórico de movimentos estratégicos (sem subscrições, vendas ou recompras desde 2012). Auditoria pela Confiance, escrituração pelo Banco Daycoval, engenharia pela Perville (parte relacionada).

Ver a análise completa da gestora Coinvalores CCVM Ltda. →

Conclusão

O FIIB11 entra em junho/2026 numa fase de estabilização frágil, após o pior período dos seus 14 anos de história. A Empresa A — maior locatária com ~25% da receita — passou a pagar parte do aluguel desde setembro de 2025, alegando crise da indústria automotiva e tarifas dos EUA. O ponto de virada veio em 11/03/2026, quando o acordo de parcelamento foi formalizado: R$ 3.663.259,52 (já com juros de 1,70% a.m.) em 24 parcelas fixas de R$ 187.161,14 (R$ 0,27/cota), com a primeira vencendo em 20/07/2026. Em abril/26 a inadimplência de aluguel foi ZERO. O dividendo, que era R$ 4,00 em junho/25, caiu a R$ 3,58, depois a R$ 3,10 (jan/26) e R$ 3,00 (fev/26), e está estável neste patamar há 5 meses.

O P/VP de 0,77 que aparece nas planilhas precisa de contexto. Em dezembro/2025, a Cushman & Wakefield reavaliou os imóveis em +R$ 79,19 milhões (terrenos +R$ 5,78 Mi, edificações +R$ 72,30 Mi, propriedade para venda +R$ 1,11 Mi), elevando o VP/cota de R$ 475,73 para R$ 590,95 — alta de 24,2% num único mês. A cotação não acompanhou (~R$ 455) porque o mercado pondera o histórico operacional. Antes da reavaliação, o P/VP era ~1,02. Parte do 'desconto' é contábil; pior, se a vacância persistir acima de 6%, o próximo laudo (fim de 2026) pode reverter parte do ajuste.

A estrutura do fundo amplifica os riscos: mono-ativo (78 das 99 unidades do Perini Business Park, 100% concentrado em Joinville/SC), partes relacionadas no mesmo condomínio (FPF Andrômeda — FII originário com mesma administradora — e Perville Construções, simultaneamente co-proprietária e prestadora de serviços de engenharia), 8 processos judiciais ativos de cobrança com recuperação 'remota', e gestão da Coinvalores CCVM (fora do Top-15) que foi reativa à crise. Por outro lado, a base de ~40 locatários é razoavelmente pulverizada, a taxa de administração é baixa (~0,32% sobre PL) e o resultado financeiro corrente cobre folgadamente o DPS atual.

Para o cotista, a tese mudou de 'value trap em deterioração' para 'estabilização contrarian'. O acordo formalizado e a inadimplência zerada removem o principal risco binário de rescisão imediata, e há gatilhos positivos confirmados para julho/26 (+R$ 0,27/cota das parcelas + R$ 0,04/cota do Bloco 4-E). Ainda assim, o DY recorrente de 7,9% a ~R$ 455 segue abaixo do segmento (HGLG11/BTLG11 rodam 9-10% com diversificação real e gestão Top-3), e o spread vs NTN-B 2035 é de apenas ~0,6 ponto percentual. Faz sentido como posição pequena (<2% da carteira) para quem acredita na execução do acordo e na ocupação dos blocos vagos.