Fundo industrial mono-ativo: 78 unidades autônomas do Perini Business Park em Joinville/SC. Constituído em 2011 a partir da cisão do FPF Andrômeda. Cota cara (R$ 455) por nunca ter feito desdobramento desde 2012.
Recomendação: NEUTRO COM RISCO ALTO · Nota 4,5/10 · Cotação R$ 453,0 · P/VP 0,7666 · DY 12m 7,92%
O DPS de R$ 3,00 está estável e amplamente coberto pelo resultado financeiro corrente — em abr/26 a inadimplência de aluguel foi ZERO e o resultado financeiro do 1T26 foi de R$ 6,02 Mi (~R$ 2,93/cota/mês), bem acima do distribuído. O acordo formalizado com a Empresa A traz R$ 0,27/cota/mês de receita extra a partir de jul/26, e o Bloco 4-E adiciona +R$ 0,04/cota. Há espaço para o DPS subir para R$ 3,10-3,30 caso a ocupação se mantenha. O risco baixista é o descumprimento do parcelado ou nova vacância relevante.
O FIIB11 entra em junho/2026 numa fase de estabilização frágil, após o pior período dos seus 14 anos de história. A Empresa A — maior locatária com ~25% da receita — passou a pagar parte do aluguel desde setembro de 2025, alegando crise da indústria automotiva e tarifas dos EUA. O ponto de virada veio em 11/03/2026, quando o acordo de parcelamento foi formalizado: R$ 3.663.259,52 (já com juros de 1,70% a.m.) em 24 parcelas fixas de R$ 187.161,14 (R$ 0,27/cota), com a primeira vencendo em 20/07/2026. Em abril/26 a inadimplência de aluguel foi ZERO. O dividendo, que era R$ 4,00 em junho/25, caiu a R$ 3,58, depois a R$ 3,10 (jan/26) e R$ 3,00 (fev/26), e está estável neste patamar há 5 meses.
O P/VP de 0,77 que aparece nas planilhas precisa de contexto. Em dezembro/2025, a Cushman & Wakefield reavaliou os imóveis em +R$ 79,19 milhões (terrenos +R$ 5,78 Mi, edificações +R$ 72,30 Mi, propriedade para venda +R$ 1,11 Mi), elevando o VP/cota de R$ 475,73 para R$ 590,95 — alta de 24,2% num único mês. A cotação não acompanhou (~R$ 455) porque o mercado pondera o histórico operacional. Antes da reavaliação, o P/VP era ~1,02. Parte do 'desconto' é contábil; pior, se a vacância persistir acima de 6%, o próximo laudo (fim de 2026) pode reverter parte do ajuste.
A estrutura do fundo amplifica os riscos: mono-ativo (78 das 99 unidades do Perini Business Park, 100% concentrado em Joinville/SC), partes relacionadas no mesmo condomínio (FPF Andrômeda — FII originário com mesma administradora — e Perville Construções, simultaneamente co-proprietária e prestadora de serviços de engenharia), 8 processos judiciais ativos de cobrança com recuperação 'remota', e gestão da Coinvalores CCVM (fora do Top-15) que foi reativa à crise. Por outro lado, a base de ~40 locatários é razoavelmente pulverizada, a taxa de administração é baixa (~0,32% sobre PL) e o resultado financeiro corrente cobre folgadamente o DPS atual.
Para o cotista, a tese mudou de 'value trap em deterioração' para 'estabilização contrarian'. O acordo formalizado e a inadimplência zerada removem o principal risco binário de rescisão imediata, e há gatilhos positivos confirmados para julho/26 (+R$ 0,27/cota das parcelas + R$ 0,04/cota do Bloco 4-E). Ainda assim, o DY recorrente de 7,9% a ~R$ 455 segue abaixo do segmento (HGLG11/BTLG11 rodam 9-10% com diversificação real e gestão Top-3), e o spread vs NTN-B 2035 é de apenas ~0,6 ponto percentual. Faz sentido como posição pequena (<2% da carteira) para quem acredita na execução do acordo e na ocupação dos blocos vagos.