Nota 4.8/10 — FRACA
Coinvalores CCVM tem 2 fundos analisados (EURO11, FIIB11). Nota média 4.8/10 (FRACA).
A Coinvalores CCVM Ltda. (CNPJ 00.336.036/0001-40) é uma corretora de câmbio, títulos e valores mobiliários paulistana de médio porte, com sede na Av. Brigadeiro Faria Lima, 1.800, e mais de meio século de mercado. Regulada por Banco Central, CVM, B3 e ANBIMA, é comandada por Fernando Ferreira da Silva Telles e tem entre os sócios José Ataliba Ferraz Sampaio (cinco sócios no total). Na administração de FIIs ela é uma jogadora secundária e veterana: gere apenas dois fundos operacionais — FIIB11 (FII Industrial do Brasil) e EURO11 (FII Europar) —, que somam cerca de R$ 566 milhões de patrimônio (FIIB11 ~R$ 405 mi e EURO11 ~R$ 161 mi). A casa não figura no Top-15 de administradoras de fundos imobiliários e trata os FIIs como atividade paralela ao negócio de corretagem, não como vocação de boutique especializada.
A Coinvalores administra o EURO11 desde sua constituição em 2002 (IPO em jan/2003) e o FIIB11 desde 19/08/2011 (IPO em dez/2011), este último nascido da cisão do FPF Andrômeda — fundo que a própria casa também administrava. O histórico é de encolhimento de escopo, não de crescimento: dos 10 fundos registrados na história da gestora, 8 foram cancelados — incluindo o FII Unimed Investcoop Nacional e o FII Hospital Unimed Campina Grande —, sobrando apenas os dois veículos logístico-industriais ativos. Não há, nas fontes públicas, registro de fusões, troca de controle ou problemas regulatórios recentes junto à CVM, o que é um sinal de estabilidade institucional. A estrutura de prestadores do FIIB11 ilustra o padrão da casa: auditoria pela Confiance, escrituração pelo Banco Daycoval e engenharia pela Perville (parte relacionada) — esta última uma fragilidade de governança a observar. No EURO11, a consultoria imobiliária fica com a NG Consultoria Projetos e Arquitetura. A base de cotistas é fortemente desbalanceada: dos ~16,3 mil cotistas, quase todos estão no FIIB11 (~16,3 mil), enquanto o EURO11 tem apenas ~2,3 mil — um fundo mais institucional e ilíquido.
Vistos em conjunto, os dois fundos contam a mesma história com nuances diferentes: ambos são tijolo logístico-industrial sob gestão passiva (definida em regulamento) — a Coinvalores mantém o portfólio existente e não compra ou vende imóveis sem assembleia. Não há, portanto, uma "tese de alocação" da gestora; o que existe é administração de carteiras herdadas. A dispersão de qualidade é pequena e ambas ficam abaixo da média: o EURO11 leva nota de fundo 5,3 (gestora 5,0 — REGULAR) e o FIIB11, nota 4,5 (gestora 4,5 — ABAIXO DA MÉDIA), puxando a média da casa para 4,8 (FRACA). Os dois não se complementam como portfólio diversificado — são variações do mesmo risco (galpões/ativos industriais), com o agravante de que cada um é essencialmente mono ou multi-ativo concentrado (FIIB11 é mono-ativo em Joinville/SC; EURO11 tem 6 imóveis em SP e RJ). Em dividendos, há razoável consistência de DY de mercado (EURO11 7,91% e FIIB11 7,92%), mas a tendência recente dos proventos por cota é de queda: o FIIB11 caiu de R$ 4,00 (jun/25) para R$ 3,00 (mai/26) após o calote parcial da maior locatária, enquanto o EURO11, na contramão, elevou o DPS recorrente de R$ 2,08 para R$ 2,45 (mar/26) após renovar o CDA Mod. IV com +31,4%. Os P/VP descontados (0,77 no FIIB11 e 0,85 no EURO11) precisam de leitura crítica — no EURO11, parte do desconto é ilusão contábil, fruto de uma reavaliação patrimonial não-caixa de +R$ 25,9 mi (dez/25).
A exposição à Coinvalores se dá, na prática, escolhendo um dos dois fundos pelo ativo subjacente, não pela gestão — porque gestão ativa, aqui, praticamente não existe. Faz sentido para o investidor de renda em tijolo logístico-industrial que aceita carteiras concentradas e maduras (imóveis dos anos 2000), valoriza taxa de administração baixa e tem estômago para baixa liquidez (sobretudo no EURO11) e comunicação fraca. Não faz sentido para quem busca crescimento de portfólio, gestão ativa de ativos ou transparência institucional de primeira linha. Entre os dois, o EURO11 vive seu melhor momento histórico (renovação, emissão e DPS em alta), mas com a ressalva de que o P/VP descontado é em parte contábil; o FIIB11 está em estabilização frágil após o pior período dos seus 14 anos, dependente do cumprimento das 24 parcelas do acordo (R$ 0,27/cota a partir de jul/26). O que vigiar: (i) o cumprimento integral do acordo de parcelamento e a resolução dos 8 processos herdados no FIIB11; (ii) a entrega e a estabilização dos galpões novos do EURO11 (previsão 2027) e a tão anunciada saída da Torre Atlas; (iii) qualquer sinal de melhora — ou nova deterioração — na comunicação e na postura proativa da casa; e (iv) a sustentabilidade dos proventos, hoje em rota de queda no FIIB11.
Segmentos de atuação: Tijolo - Industrial/Logística, Tijolo - Logística/Industrial