XP Vista Asset (gestão) + BTG Pactual DTVM (administração). Iniciado em 13/04/2012. CNPJ 97.521.225/0001-25. O FII com mais cotistas pessoa física do Brasil — 1,40 milhão.
Recomendação: ACUMULAR · Nota 6,7/10 · Cotação R$ 9,83 · P/VP 1,0491 · DY 12m 12,19%
O MXRF11 é o FII com mais cotistas pessoa física do Brasil (1,40 milhão), com PL de R$ 4,31 Bi e 14 anos de operação ininterrupta desde o IPO em 13/04/2012. A carteira é dominada por ~90 CRIs (79,1% do PL) com taxa média IPCA+8,71% (MtM 9,73%) e LTV médio 55%, complementada por FIIs (11,8%) e permutas financeiras em SP (8,3%). O dividendo de R$ 0,095-0,10/mês há mais de 2 anos é a marca do fundo.
O contraponto é claro: a cota a R$ 9,80 contra VP de R$ 9,37 implica P/VP de 1,05 (ágio de 5%) — atípico em fundos de papel, onde a mediana negocia com desconto. O modelo quantitativo aponta preço justo de R$ 9,15 (faixa R$ 8,70–9,60). O ágio reflete liquidez (R$ 14 Mi/dia), marca XP e 14 anos sem corte estrutural — mas reduz a margem de segurança. Nota 7,0/10 com veredicto EM ANÁLISE no preço atual; abaixo de R$ 9,50 (paridade com VP) volta para COMPRA.
A tese do MXRF11 apoia-se em três pilares: (i) previsibilidade extrema do dividendo mensal — R$ 0,09 a R$ 0,12 há mais de 5 anos, com DY 12m de 12,19% (118% do CDI gross up), alimentado por carteira de ~90 CRIs com taxa média IPCA+8,71% e LTV 55%; (ii) escala e liquidez únicas com PL de R$ 4,31 Bi, volume médio diário de ~R$ 14 milhões e 1,40 milhão de cotistas — entrada/saída de posições grandes sem impacto relevante; e (iii) carteira de crédito ultra-pulverizada com HHI 0,0145, top-1 de apenas 3,64% e devedores AAA/AA (CSN, Arcelor, Mercado Livre, Assaí, GPA, Prevent Senior, Dasa, BRF, FEMSA).
O contraponto é o ágio: o fundo negocia com P/VP 1,05, resultado direto da demanda de varejo e do marketing XP — o que reduz margem de segurança. Os 78% em IPCA+ expõem à queda de inflação (Focus projeta 4,17% para 2026), e eventos de workout (Urbplan, Arquiplan, AIZ/Pesa) existem, embora provisionados. A taxa de 0,90% a.a. (R$ 38,8 Mi/ano) é acima da mediana do setor. Sinal de alerta: a 11ª emissão captou apenas 22% do pretendido (R$ 218 Mi de R$ 1 Bi). O MXRF11 é a definição de FII para estratégia de renda mensal — entrega consistência, mas raramente surpreende para cima.
O DPS de R$ 0,095-0,10/cota é sustentável no longo prazo — fundo distribui em regime de caixa praticamente 100% do resultado mensal (payout 12m = 100,6%, queima média ~R$ 0,28 Mi/mês). A pequena queima é coberta por R$ 101,7 Mi de caixa líquido (item 9 do Informe Mensal), cobrindo ~30 anos no ritmo atual.
Atenção: DPS sustentável real = R$ 525 Mi / 12m / 460,27 mi cotas = R$ 0,0951/cota/mês. Fundo distribui R$ 0,0957/cota — diferença de R$ 0,0006/cota. Em cenário de IPCA caindo forte (Focus 4,17%), DPS pode estabilizar em R$ 0,09 em vez de R$ 0,10 para fechar o gap. Corte de R$ 0,10 → R$ 0,095 em mar/2026 já sinaliza essa fina calibragem.
Status técnico de caixa: estável com queima marginal — payout próximo de 100% sem reserva relevante acumulando.
A XP Vista Asset Management Ltda. (CNPJ 16.789.525/0001-98) é a divisão de gestão ativa do grupo XP Inc. — um dos maiores conglomerados de investimentos da América Latina. Herdou o mandato do MXRF11 da XP Gestão de Recursos (gestora original desde o IPO em abr/2012), com a administração migrando gradualmente de XP Investimentos CCTVM para BTG Pactual Serviços Financeiros DTVM em 2023. A combinação XP na gestão + BTG na administração é das mais conservadoras e líquidas do mercado de FIIs.
O MXRF11 é uma das vitrines da XP Asset em FIIs — tanto pelo porte (R$ 4,31 Bi) quanto pela popularidade (1,40 milhão de cotistas). A equipe mantém portal próprio (mxrf.xpasset.com.br), canal de RI ativo ([email protected]) e divulga Relatórios Gerenciais robustos (>30 páginas/mês). A auditoria é da Ernst & Young e a coordenação líder da 11ª emissão foi do próprio BTG Pactual. Por comparação com peers, a nota de gestão é 8,0/10 — gestora sólida executando mandato há 14 anos sem grandes escândalos, mas com histórico de emissões frequentes (11 ao todo) que diluem parte do retorno.
Ver a análise completa da gestora XP Vista Asset Management Ltda. →
O MXRF11 encerra mar/2026 com PL de R$ 4,31 bilhões, 460,27 milhões de cotas emitidas e 1.402.221 cotistas — o FII com mais investidores pessoa física do Brasil. A carteira de CRIs soma R$ 3,19 bilhões em ~90 títulos com taxa média IPCA+8,71% (MtM 9,73%) e LTV médio 55%. Os maiores devedores são Birmann 32 (3,64%), Helbor/Líbano (3,06%), Arcelor Mittal (2,96%), Uberlândia Refrescos/FEMSA (2,77%) e CSN (2,57%) — todos com rating AAA/AA e garantias reais robustas. A pulverização é extrema: HHI 0,0145, top-5 = 15% do PL, top-10 = 25%.
Os pontos fortes são marcantes. Primeiro, a consistência de dividendos: R$ 0,095-0,10 por cota mensalmente há mais de 2 anos, com DY de 12,19% anualizado (118% do CDI gross up). Segundo, o exercício fiscal 2025 foi o melhor da história: lucro líquido R$ 675,8 Mi (vs R$ 64,9 Mi em 2024), ROE 16,3% e R$ 515,3 Mi distribuídos. Terceiro, a combinação gestão XP Vista + administração BTG Pactual DTVM + auditoria Ernst & Young é das mais sólidas do mercado. Quarto, a liquidez: volume médio R$ 14,1 Mi/dia e giro anual 70,7% — permite entrada/saída sem impacto de preço. Quinto, 14 anos de operação ininterrupta desde o IPO em 13/04/2012.
Os pontos de atenção são reais. Primeiro, o ágio de 5% sobre o VP (P/VP 1,05) — atípico em fundos de papel e que reduz margem de segurança. O modelo quantitativo aponta preço justo de R$ 9,15 (faixa R$ 8,70-9,60), com cotação atual R$ 9,80 sendo 6,6% acima do justo. Segundo, a sub-captação da 11ª emissão (R$ 218 Mi de R$ 1 Bi pretendido) sinaliza saturação da demanda no preço atual. Terceiro, o payout 12m de 100,6% mostra que o fundo distribui levemente acima do que gera — a régua é fina. Quarto, dependência de IPCA+ (78,4% do book) em cenário de inflação descendente (Focus 4,17%). Quinto, taxa de administração de 0,90% a.a. é acima da mediana. Para investidor que busca renda mensal estável e alta liquidez, o MXRF11 segue como uma das opções mais sólidas do mercado — mas no preço atual exige paciência para entrar com margem.