Recomendação: MANTER · Nota 5,7/10

Análise e recomendação

Desfecho parcial: a consulta formal (Termo de Apuração de 05/10/2026) aprovou a troca de administrador — a Finaxis CTVM sai e a Rio Bravo Investimentos DTVM assume a administração fiduciária a partir de 22/10/2026 (data postergada de 13 para 21/10 por motivos operacionais). Importante: o Fato Relevante NÃO confirma a venda de ativos para FTRR11/JPPA11 nem a liquidação do fundo — por ora o OUJP11 segue ativo, com nova casa administradora. O fundo empresta dinheiro para projetos imobiliários via CRIs (títulos de crédito lastreados em imóveis) e repassa os juros todo mês, sem IR: 59% a IPCA+10,1% e 40% a CDI+5,1%. Co-gerido pela JPP Capital e Fator ORE Asset — gestoras menores que Kinea/BTG/XP, mas com track record real: 11 novas operações em 2024-26 e CRI inadimplente em 2024 sanado sem perda em 2025. Dividendo real: rendimento de R$ 1,20/cota em ago/26 com resultado de R$ 0,83 e reserva retida de R$ 1,29/cota — colchão que cobre mais de 1 mês de distribuição. Cota a R$ 69,6 com VP de R$ 97,1 — P/VP 0,72 (você paga R$ 69,6 por cada R$ 97,1 de patrimônio). Perfil: moderado-arrojado que aceita a reorganização em curso e gestoras menores em troca de alta renda inflacionária. MANTER para quem já tem; quem está fora pode aguardar o desfecho da parte de venda/liquidação dos ativos antes de entrar.

Tese de investimento

OUJP11 é um FII de papel híbrido veterano (desde 2016) com co-gestão JPP Capital + Fator ORE. Carteira de ~32 CRIs com 65% IPCA+10,1% e 34% CDI+5%, LTV 50% e duration 2,6 anos. P/VP 0,86 e DY 15,2% sobre cota de mercado. Reserva de R$ 1,55/cota é colchão para suavizar volatilidade dos indexadores. Esqueleto sanado: evento de inadimplência do CRI Carvalho Hosken em 2024 foi 100% resolvido em 2025. Carteira renovada agressivamente (11 novas operações em 2024-26) a taxas elevadas. Alerta: gestoras de menor escala, concentração em SP (50%) e P/VP que não converge ao VP há anos.

Para quem é

  • Investidor que busca DY elevado (15%) e aceita o risco do deságio persistente
  • Perfil moderado-arrojado que aceita FIIs de papel ICVM 476 sem rating de agência
  • Quem busca proteção inflacionária com IPCA+10,1% médio
  • Quem valoriza reserva acumulada como colchão de DPS
  • Investidor que aposta na convergência do P/VP ao longo de 2-3 anos

Para quem não é

  • Quem busca liquidez muito alta (volume diário R$ 0,5 Mi)
  • Investidores que não toleram deságio persistente no P/VP
  • Perfil conservador que prefere FIIs de gestoras Top-3 (Kinea, BTG, XP)
  • Quem não aceita CRIs sem rating de agência
  • Quem opera posições > R$ 100 mil (spread no book pode ser alto)

Pontos de atenção e riscos

⚠️ Reorganização em curso: troca de administrador APROVADA; venda/liquidação ainda não confirmada

O Termo de Apuração da consulta formal, de 05/10/2026, aprovou a substituição da Finaxis CTVM pela Rio Bravo Investimentos DTVM como administradora, e a troca de custodiante/escriturador (Banco Finaxis → prestadores da nova administradora). A transferência, originalmente prevista para 13/10/2026, foi postergada por procedimentos operacionais: a Rio Bravo assume a administração fiduciária a partir da abertura do mercado de 22/10/2026 (Fato Relevante id 1347996, 13/10/2026). O Fato Relevante NÃO menciona a aprovação da venda de todos os ativos (50% para FTRR11 / 50% para JPPA11) nem a liquidação do fundo — itens que constavam da pauta original. Por ora, portanto, o OUJP11 permanece ativo e apenas trocou de administradora; o desfecho da parte de reorganização estrutural (split/liquidação) segue indefinido. Monitorar Fatos Relevantes no FundosNet (CNPJ 26.091.656/0001-50).

Esqueleto sanado: CRI Carvalho Hosken (R$ 1,2 Mi de provisão em jun/2024)

Em jun/2024 o fundo carregava R$ 1,235 Mi em provisões para perdas no CRI Carvalho Hosken. Em jun/2025 não havia mais nenhuma parcela em atraso há mais de 16 dias e a provisão foi totalmente sanada.

Concentração em alguns devedores (OAD 9,6%, GPCI 7,7%)

Os 5 maiores devedores somam ~34% do PL: OAD (9,6%), GPCI (7,7%), Celeste (6,2%), Carvalho Hosken (5,7%), Laken (5,5%). Diversificação razoável para um fundo de R$ 316 Mi.

Concentração geográfica em SP (50%)

Metade dos lastros está em São Paulo.

Co-gestão JPP + Fator ORE — gestoras de menor escala

Diferente de Kinea, BTG, XP, JPP Capital e Fator ORE Asset são gestoras menores. Acesso a deals de primeira linha pode ser limitado.

Persistência do P/VP < 1,0 há anos

O fundo opera com cota de mercado abaixo do VP desde meados de 2022.

O OUJP11 é confiável?

Nossa leitura do OUJP11 hoje é MANTER, com nota 5,7/10. Essa nota não é do gestor nem do administrador: é a avaliação editorial do Rico aos Poucos, feita a partir dos documentos que o fundo publica na CVM. Abaixo está o que sustenta essa posição — e o que a contraria.

Metade inferior (11º de 19). Co-gestão JPP + Fator ORE, ~32 CRIs, P/VP 0,71 e DY 17% com colchão de R$ 1,55/cota. Travado pela reorganização estrutural em curso (AGE decide troca de administrador e aumento de taxa) e por gestoras de menor escala/acesso a deals.

Riscos que não aparecem na ficha do OUJP11

Reincidência de inadimplência

O CRI Carvalho Hosken atrasou em 2024 e foi regularizado em 2025 — mas o devedor (mesma SPE) ainda carrega 5,1% do PL. Outras emissões parecidas (CDI+5-7%) podem ter dinâmica similar.

Concentração GPCI

GPCI Empreendimentos tem 2 CRIs ativos somando 7,5% do PL (GPCI II e GPCI III). Dependência alta de uma única incorporadora paulista para o maior devedor.

P/VP que não converge

Cota negociou abaixo do VP por 6+ trimestres. Pode refletir desconfiança de mercado em relação à qualidade dos CRIs sem rating de agência ou em relação às gestoras de menor porte. Convergência não é garantida nem temporalmente previsível.

Sensibilidade a queda do CDI/IPCA

Como 99% da carteira é IPCA/CDI+spread, queda do CDI ou deflação reduz DPS rapidamente. Reserva R$ 1,55/cota suaviza no curto prazo.

Rating proprietário substituindo agências

~80% dos CRIs não têm rating Fitch/S&P/Moody's — só rating proprietário JPP. Em estresse, o mercado pode questionar a metodologia e ampliar deságio.

CRIs com LTV alto (10% da carteira > 76%)

13,9% dos ativos têm LTV > 85% (ex: Minas Brisa 95%, Mateus 100% mas High Grade, Aracaju 100,6%). Em ciclo de queda imobiliária, esses ativos podem precisar de reforço de garantia.

Conclusão

O OUJP11 é um FII de papel híbrido veterano (desde 2016) que demonstrou resiliência real ao passar por estresse de crédito em 2024 (provisão R$ 1,2 Mi do CRI Carvalho Hosken) e resolver sem perda definitiva até jun/2025. Em paralelo, a co-gestão JPP Capital + Fator ORE renovou a carteira agressivamente: 11 novas operações em 2024-26 a taxas elevadas (IPCA+10-12,68% e CDI+5-6%). Resultado: DPS subiu de R$ 0,82-0,91 (jun-jul/2024) para R$ 1,10 (mar/2026), trajetória crescente clara.

A carteira é diversificada (32 CRIs, top 5 devedores 28% PL), com LTV médio 50,2% e duration 2,6 anos. Reserva acumulada de R$ 1,55/cota equivale a ~1,3x DPS mensal — colchão real para suavizar volatilidade de IPCA/CDI. Concentração geográfica em SP (50%) e em GPCI (7,5% PL) merecem monitoramento.

P/VP de 0,86 oferece 14% de desconto sobre o VP, mas o deságio persiste há 6+ trimestres sem convergência clara — possivelmente refletindo desconfiança do mercado em relação às gestoras de menor escala (vs Kinea/BTG/XP) e ao fato de ~80% dos CRIs serem ICVM 476 sem rating de agência. DY 15,2% sobre cota de mercado é um dos maiores do segmento, mas vem com risco real.

Perguntas frequentes

O OUJP11 é bom? Vale a pena investir?

Recomendação atual: MANTER. Nota 5,7/10. Desfecho parcial: a consulta formal (Termo de Apuração de 05/10/2026) aprovou a troca de administrador — a Finaxis CTVM sai e a Rio Bravo Investimentos DTVM assume a administração fiduciária a partir de 22/10/2026 (data postergada de 13 para 21/10 por motivos operacionais)…

OUJP11: comprar ou vender?

Nossa leitura atual do OUJP11 é “MANTER”. Nota 5,7/10. Avalie conforme seu perfil de risco e os pontos de atenção listados acima.

Quais são os riscos do OUJP11?

Os principais pontos de atenção do Ourinvest JPP FII incluem: ⚠️ Reorganização em curso: troca de administrador APROVADA; venda/liquidação ainda não confirmada; Esqueleto sanado: CRI Carvalho Hosken (R$ 1,2 Mi de provisão em jun/2024); Concentração em alguns devedores (OAD 9,6%, GPCI 7,7%); Concentração geográfica em SP (50%).

Para quem o OUJP11 é indicado?

O OUJP11 é indicado para: Investidor que busca DY elevado (15%) e aceita o risco do deságio persistente Perfil moderado-arrojado que aceita FIIs de papel ICVM 476 sem rating de agência Quem busca proteção inflacionária com IPCA+10,1% médio

OUJP11
Papel - CRI
Ourinvest JPP FII FII de papel híbrido (CRI) gerido em parceria por JPP Capital e Fator ORE Asset. Administração em transição: Finaxis CTVM transfere a função para a Rio Bravo Investimentos DTVM a partir de 22/10/2026 (aprovado em consulta formal). Veterano desde 2016, com carteira de ~25 CRIs e duration ~2,6 anos.

FII de papel híbrido com carteira de CRIs corporativos (88% do PL) em incorporação, shopping, logística e energia, co-gerido por JPP Capital e Fator ORE Asset com foco em operações a IPCA+10% e CDI+5%. Fique atento: a consulta formal aprovou a troca de administradora (Finaxis → Rio Bravo, a partir de 22/10/2026), mas a venda de ativos para FTRR11/JPPA11 e a liquidação do fundo ainda não foram confirmadas — reorganização em curso.

P/VP · Valor de mercado
VP por cota · Patrimônio
R$ 100,72
R$ 328 Mi
Popularidade
Liquidez diária
Nº de cotistas
22.554
Preço da cota
Dividendos
Documentos e comunicados
Conversa sobre o fundo
Risco e qualidade