Como comprar Tesouro Direto: o passo a passo do seu primeiro título

O Tesouro Direto é o investimento mais seguro do país — você empresta pro Governo Federal, o dono da máquina de fazer real. Dá pra começar com cerca de R$ 30, e é exatamente aqui que a nossa recomendação de aporte manda a reserva de emergência. Este guia mostra os três tipos de título, o passo a passo pra comprar o primeiro, quanto custa de verdade e qual escolher pra cada objetivo.

⏱️ 8 min de leitura 🎯 nível: iniciante Atualizado em julho/2026

Antes de tudo: por que o Tesouro Direto?

Todo investimento tem um risco: quem tá do outro lado pode quebrar e não te pagar. No Tesouro Direto, quem tá do outro lado é o Governo Federal — o chamado risco soberano, o menor risco que existe no Brasil (um banco quebra antes do governo). Por isso é o lugar certo pra guardar o dinheiro que você não pode perder: a reserva de emergência. E, ao contrário da poupança, ele rende de verdade, acompanhando os juros do país. Começa com pouco (a partir de ~R$ 30), tem liquidez e é 100% online.

Qual é o seu caso?

🛟 Tesouro Selic — pra reserva de emergência

Melhor pra: reserva de emergência, caixa, dinheiro de curto prazo

O Tesouro Selic acompanha a taxa Selic (o juro básico da economia). O grande trunfo: ele tem liquidez diária e quase não oscila — o valor só sobe, dia após dia. Você pode resgatar a qualquer momento sem susto de perder dinheiro. É o substituto direto (e muito melhor) da poupança pra guardar sua reserva.

É por aqui que você começa. Antes de FII, ação ou dólar, a base de tudo é ter de 3 a 6 meses de gastos guardados no Tesouro Selic. Nossa recomendação de aporte prioriza isso: primeiro a rede de segurança, depois o resto.

🌱 Tesouro IPCA+ — pra longo prazo

Melhor pra: aposentadoria, objetivos de 5, 10, 20 anos

O Tesouro IPCA+ paga a inflação (IPCA) + uma taxa fixa de juro real. Quando você vê "IPCA + 7%", significa: seu dinheiro vai render 7% ao ano acima da inflação, garantido, se você segurar até o vencimento. É a única forma de garantir ganho real por décadas — perfeito pra aposentadoria.

⚠ Entenda a marcação a mercado: o preço do IPCA+ oscila no meio do caminho (sobe e desce conforme os juros do país mudam). Isso só importa se você vender antes do vencimento — aí pode ganhar mais ou perder. Se você segurar até o vencimento, recebe exatamente o combinado: inflação + a taxa que travou. Por isso IPCA+ é pra dinheiro que você não vai mexer.

🎯 Tesouro Prefixado — aposta na queda dos juros

Melhor pra: quem acredita que os juros vão cair e quer travar uma taxa alta hoje

No Prefixado você já sabe exatamente quanto vai receber: uma taxa fixa (ex.: "13% ao ano"), travada no momento da compra. Faz sentido quando os juros estão altos e você aposta que eles vão cair — aí você garantiu uma taxa gorda pro futuro. O risco é o contrário: se os juros subirem, você travou uma taxa que ficou "baixa". Assim como o IPCA+, ele sofre marcação a mercado e só entrega a taxa combinada se segurado até o fim.

Passo a passo: comprando seu primeiro título

Escolhido o tipo, o processo de compra é o mesmo pros três. Você compra pelo app da corretora (não precisa entrar no site do Tesouro):

  1. Abra conta numa corretora gratuita

    XP, Rico, Nubank, Inter, BTG, Clear… quase todas cadastram de graça pelo app (CPF, selfie e documento). A maioria não cobra taxa pra Tesouro Direto — mas confirme: procure "taxa zero pra Tesouro Direto" na corretora antes de escolher. Isso evita uma taxa de corretagem que come parte do rendimento.

  2. Ache a aba "Tesouro Direto" no app

    Geralmente fica dentro de "Renda Fixa" ou "Investir". Vai aparecer a lista de todos os títulos disponíveis pra comprar hoje.

  3. Aprenda a ler o nome e a taxa do título

    O nome tem tipo + ano de vencimento: "Tesouro Selic 2029" é um Tesouro Selic que vence em 2029. A taxa mostra o rendimento: "IPCA + 7,0%" = inflação mais 7% ao ano de juro real; "Prefixado 13,5%" = 13,5% ao ano fixos. Pra reserva, escolha um Selic de vencimento mais próximo; pra longo prazo, um IPCA+ com vencimento perto do seu objetivo.

  4. Invista valor fracionado

    Você não precisa comprar o título inteiro — compra uma fração, a partir de cerca de R$ 30. Digite o valor em reais que quer aplicar; o app mostra quantas frações isso equivale. Confirme com a senha.

  5. Entenda os custos: custódia da B3 + IR

    Há a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor investido (o Tesouro Selic é isento até R$ 10 mil aplicados). E o Imposto de Renda é regressivo, cobrado só sobre o lucro no resgate: 22,5% até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias. Ou seja: quanto mais tempo, menos imposto.

  6. Registre na sua carteira do Rico aos Poucos

    Adicione o valor investido na sua carteira (classe renda fixa / Tesouro) — a gente acompanha o rendimento e mostra o peso de cada classe na sua alocação, avisando quando estiver na hora de aportar de novo.

Custo real: custódia B3 de 0,20% a.a. (Selic isento até R$ 10 mil) + IR regressivo de 22,5% a 15% só sobre o lucro. Num investimento de R$ 1.000 no Selic, o custo de custódia é praticamente zero — muito mais barato que a maioria dos fundos DI.

Comparando os três títulos

CritérioTesouro SelicTesouro IPCA+Tesouro Prefixado
Pra que servereserva de emergência, caixalongo prazo, aposentadoriaapostar na queda dos juros
Oscila no meio?quase não (só sobe)sim (marcação a mercado)sim (marcação a mercado)
RendimentoSelic do diainflação + juro real fixotaxa fixa travada
Prazo idealqualquer (curto ou caixa)longo (5+ anos)médio/longo
Liquidezdiária, sem sustodiária, mas osciladiária, mas oscila

Todos têm liquidez diária (o Tesouro recompra em D+1), mas no IPCA+ e no Prefixado o preço de recompra oscila. Taxas de juro real e prefixada mudam todo dia — confira os valores vigentes na hora da compra.

Erros comuns (não caia nesses)

  • Vender um IPCA+ longo no susto. A marcação a mercado assusta quem não entende: você vê o valor cair e resgata no prejuízo. Se o dinheiro é de longo prazo, ignore a oscilação e segure até o vencimento — o combinado é garantido.
  • Usar Prefixado como reserva de emergência. Reserva não pode oscilar. Se precisar sacar num dia ruim de marcação, você perde. Reserva é sempre Tesouro Selic.
  • Ignorar o IR de curto prazo. Sacar antes de 180 dias paga 22,5% de imposto sobre o lucro. Pra objetivos de poucos meses, o rendimento líquido encolhe — planeje o prazo.
  • Confundir Tesouro Direto com poupança. A poupança rende pouco e perde pra inflação em vários cenários. O Tesouro Selic rende muito mais, com o mesmo (ou menor) risco. Não existe motivo pra deixar reserva na poupança.
  • Escolher corretora que cobra taxa. Algumas ainda cobram corretagem sobre Tesouro. Como a maioria hoje é gratuita, escolher a errada é jogar rendimento fora.

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Outros guias passo a passo

Aviso: conteúdo educacional do Rico aos Poucos — não é recomendação de investimento nos termos da CVM nem indicação das corretoras citadas (não recebemos comissão de nenhuma). Custos, alíquotas de IR, taxa de custódia e taxas de juro mudam com frequência: confira os valores vigentes na plataforma antes de operar. Investir envolve risco, inclusive de perda do valor aplicado.