Carros elétricos aceleram corrida por lítio, cobre e grafita
Intermediário PTENES

Carros elétricos passam de 20 milhões de unidades e mudam o mercado de mineração

Demanda por lítio deve crescer cerca de cinco vezes até 2040, enquanto país líder concentra 70% do refino global.

Em 20 segundos
  • Mais de 20 milhões de carros elétricos vendidos globalmente em 2025, alcançando um quarto do mercado de novos veículos.
  • Demanda por lítio deve crescer cerca de cinco vezes até 2040, puxada pelas baterias.
  • País líder responde, em média, por 70% do refino dos principais minerais da transição.

O avanço acelerado da eletrificação automotiva está redesenhando o mercado global de mineração e criando novas oportunidades de investimento. A Agência Internacional de Energia (IEA) revelou dados expressivos sobre o salto no consumo de insumos críticos para baterias e infraestrutura.

O que revelou o levantamento da Agência Internacional de Energia (IEA) sobre veículos elétricos?

O mercado global de carros elétricos ultrapassou a marca de 20 milhões de unidades em 2025, registrando uma alta de 20% em relação ao ano anterior, conforme apontou a IEA. Para se ter uma ideia da velocidade dessa expansão, as vendas mundiais já haviam superado 17 milhões de veículos em 2024.

Com esse desempenho, os veículos elétricos passaram a responder por um quarto das vendas globais de carros novos. O reflexo imediato apareceu no segmento de armazenamento de energia: no mesmo ano de 2024, a demanda por baterias voltadas a esses veículos superou a marca de 950 GWh, um crescimento de 25% frente a 2023.

Lítio (Projeção 2040)~5x
Grafita e Níquel~2x
Cobre+30%

Quais são os minerais mais exigidos pela nova frota global?

A fabricação de veículos elétricos exige minerais em intensidades diferentes, com destaque para o lítio e a grafita. Ambos são fundamentais para a composição das baterias de íons de lítio, peças centrais de qualquer veículo movido a bateria.

BateriasLítio e Grafita

Essenciais para o armazenamento de energia e cátodos das baterias de íons.

InfraestruturaCobre

Aplicado de forma intensiva em sistemas elétricos e redes de recarga.

MotoresTerras Raras

Neodímio e praseodímio integram os ímãs permanentes de alta eficiência.

Além do lítio e da grafita, a indústria consome níquel, cobalto e manganês em diferentes químicas de cátodos. O cobre, por sua vez, assume papel vital na infraestrutura associada à eletrificação e nos sistemas elétricos dos automóveis. Já as terras raras — como neodímio e praseodímio — são empregadas em ímãs permanentes de determinados motores elétricos.

Como se comportam as projeções de demanda até 2040?

A IEA projeta que a necessidade por lítio cresça cerca de cinco vezes até 2040, considerando o cenário atual de políticas públicas e metas ambientais. Esse avanço expressivo reflete o apetite contínuo da indústria automobilística por novas capacidades de armazenamento.

Lítio~5x até 2040

Crescimento liderado pela expansão da frota mundial de veículos elétricos.

Grafita e NíquelDobro

Demanda projetada para duplicar no mesmo horizonte temporal.

Cobre+30%

Avanço moderado, porém crítico para a infraestrutura de redes.

Para a grafita e o níquel, a expectativa da agência é de que a demanda aproximadamente dobre até 2040. A necessidade por cobalto e terras raras também seguirá em alta, enquanto a demanda por cobre deve registrar um avanço de cerca de 30% no período.

Quais são os gargalos geográficos e onde o Brasil entra nessa história?

O principal obstáculo apontado pela IEA está na elevada concentração geográfica do refino desses insumos. Em 2025, o país líder no processamento dos principais minerais da transição energética respondeu, em média, por 70% de todo o refino global.

O que isso muda para quem investe no Brasil

Com reservas minerais estratégicas e um perfil voltado à extração de commodities, o Brasil ganha relevância no radar de investidores que buscam exposição à transição energética global. Companhias mineradoras e projetos de exploração de lítio, grafita e cobre no país passam a atrair maior atenção do mercado internacional diante da busca por diversificação de fornecedores.

Diante desse cenário de forte concentração em poucos mercados, o Brasil busca consolidar seu espaço na cadeia global de suprimentos, atraindo investimentos para projetos de extração e beneficiamento de minerais críticos em solo nacional.

O que acompanhar na cadeia global de minerais e veículos elétricos?

1

Ritmo de vendas de EVs — Monitorar os relatórios trimestrais e anuais da IEA sobre a penetração dos carros elétricos nas frotas globais.

2

Políticas comerciais e geopolítica — Acompanhar restrições de exportação e acordos bilaterais entre potências em torno do refino de lítio e terras raras.

3

Projetos locais no Brasil — Ficar de olho no avanço de licenças e aportes em companhias de mineração listadas na B3 com foco em minerais estratégicos.