Copom mantém a Selic em 13,75% após cinco cortes: o ciclo acabou ou é só pausa? Relevância4,0
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Copom mantém a Selic em 13,75% e decide o rumo dos juros

O Banco Central interrompeu cinco reduções seguidas, citou cenário externo adverso e manteve a taxa em 13,75% ao ano por unanimidade

O Copom interrompeu o ciclo de cortes: na quarta-feira (4), manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, depois de cinco reduções seguidas. Para quem investe, a pausa mantém o caixa bem remunerado e, ao contrário do que muita gente esperava, não deve baratear o financiamento de imóvel.

A Selic parou de cair?

Por ora, sim, e o mercado já contava com isso. Segundo o Money Times, na última atualização antes da reunião (sexta-feira, 30), as Opções de Copom da B3 davam 72,5% de chance de manutenção e 26% de corte de 0,25 ponto percentual. O levantamento do mesmo veículo com 21 instituições chegou a um quadro parecido:

Esperavam manter16 casas
Esperavam corte de 0,25 p.p.5 casas

Quem apostava no corte, segundo o levantamento, eram XP Investimentos, BB Investimentos, Bradesco, Inter e ASA. Nenhuma das 21 instituições previa alta nesta reunião. A taxa, portanto, não surpreendeu. O que mudou foi o tom do comunicado, e é ele que dá pistas sobre os próximos passos.

O que mudou no comunicado do Copom?

O diagnóstico do cenário externo piorou. Na decisão anterior, o colegiado tratava o ambiente lá fora como "incerto", por causa da indefinição sobre os conflitos geopolíticos. Agora, de acordo com o Money Times, o Copom diz que o ambiente tornou-se mais adverso, com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, efeito altista sobre o petróleo e seus derivados e uma política monetária mais restritiva nas economias avançadas.

“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”Comunicado do Copom, conforme reportado pelo Money Times

O comunicado também manteve entre os riscos de alta para a inflação os choques de oferta ligados a petróleo e derivados e os efeitos do clima sobre a produtividade agrícola e os custos de energia. É a lógica que explica a pausa: petróleo mais caro encarece frete, combustível e alimentos, e o BC não quer cortar juros enquanto essa pressão não ficar clara. A Nord Research fez justamente essa pergunta no título de seu vídeo sobre a decisão: e se a inflação continuar subindo? Se continuar, a pausa pode durar mais do que o mercado imagina.

É o fim dos cortes ou só uma pausa até dezembro?

Ninguém sabe ainda, e as casas de análise estão divididas. O Money Times destaca que manter a taxa agora não significa, necessariamente, o fim dos cortes no ano. A maioria espera que a Selic termine 2026 onde está, mas há quem projete um último corte em dezembro, a última reunião do ano:

Grupo de casasPrevisão para novembroSelic no fim de 2026
BofA, Safra, G5 Partners e Tag InvestimentosManutenção13,50% (corte de 0,25 p.p. em dezembro)
Genial, Citi, BTG Pactual, C6 Bank, Santander, Itaú, JPMorgan, Goldman Sachs, HSBC, ARX, Morgan Stanley e WarrenManutençãoTaxa atual (sem novos cortes)
XP, BB Investimentos, Bradesco, Inter e ASACorte de 0,25 p.p.Não informado no levantamento

A divisão pesa a favor de quem espera manutenção: são 12 casas no segundo grupo contra 4 no primeiro, entre as que disseram o que esperam para o fim do ano. Mas o mapa mostra como a margem é estreita. Se o comunicado ficou mais duro e dezembro continua em aberto, o que decide a última reunião é o dado de inflação até lá. Na nossa prévia da reunião, já mostrávamos que dezembro era o ponto de divergência. A página da Selic acompanha a taxa e a data da próxima reunião.

Por que o financiamento imobiliário não fica mais barato?

Porque o preço do crédito imobiliário hoje não depende da Selic. Segundo a InfoMoney, os aumentos recentes de Bradesco, Itaú e Santander tiveram pouca relação com a taxa básica e muito mais a ver com a disparada dos juros futuros depois da eleição. Por isso, a principal consequência prática da decisão é que a maioria dos bancos não deve rever as altas anunciadas nas últimas semanas no curto prazo.

A régua dos bancos virou a curva de juros futuros, o DI, e já mostramos o salto das taxas dos DIs na primeira semana pós-eleição. Ronal Balena, CEO da MySide, resumiu à InfoMoney: "O financiamento imobiliário reagiu antes de cair a Selic, porque ele é, mais ou menos, um indicador do futuro". Quem espera a Selic cair para financiar pode esperar sentado: o preço do crédito responde ao que o mercado acha que vai acontecer com os juros, não só ao que o Copom decide.

O que isso muda para o seu dinheiro

Caixa e renda fixa: a pausa mantém a remuneração da liquidez alta. A MoneYou, citada pela InfoMoney, aponta o Brasil no topo da lista de juro real do mundo, com 9,49%, à frente de Turquia e Argentina. FIIs: esta é a nossa leitura, não das fontes. Juros longos altos por mais tempo mantêm a pressão sobre as cotas de fundos imobiliários, porque a renda fixa segue sendo uma alternativa forte e o crédito segue caro. Financiamento: não conte com redução de taxa no curto prazo.

O que acompanhar daqui para frente?

1

A reunião de dezembro — é a última do ano. Quatro casas esperam corte de 0,25 ponto, e a maioria dos que informaram projeção espera manutenção.

2

Os juros futuros (DI) — são eles que movem o preço do crédito imobiliário e dos FIIs. Enquanto continuarem altos, a pausa da Selic não alivia o bolso de quem financia.

3

Petróleo e a guerra no Oriente Médio — o comunicado manteve choques de oferta de petróleo e derivados entre os riscos de alta da inflação. É o primeiro fator que pode adiar cortes.

Para entender o pano de fundo da reunião, vale reler a primeira reunião do Copom após a reeleição, que antecipou o cenário em que a decisão foi tomada.

O Copom pausou como a maioria esperava, em 13,75%, mas o comunicado mais cauteloso e a divisão sobre dezembro mostram que o ciclo não acabou. Quem tem dinheiro no caixa continua bem pago, e quem espera juro de financiamento menor depende dos juros futuros, não da Selic.