A professora de Relações Internacionais Ana Carolina Marson, da FESPSP, afirmou no Mapa de Risco do InfoMoney que as tarifas de importação e a guerra contra o Irã elevaram o custo de vida nos Estados Unidos e se tornaram um dos principais obstáculos de Donald Trump e do Partido Republicano nas eleições legislativas americanas. Para quem investe do Brasil, o ponto é que a economia americana está sendo julgada nas urnas, e o desfecho pode mexer com dólar, juros e apetite a risco.
O que a professora disse sobre tarifas, guerra e custo de vida?
Marson falou no programa de política do InfoMoney, em edição especial sobre as eleições de meio de mandato nos EUA. A tese dela é que o desempenho econômico é a chave para entender a situação eleitoral do presidente. Trump voltou à Casa Branca prometendo recuperar empregos, fortalecer a indústria e melhorar a vida da população. Segundo a professora, algumas das medidas adotadas para cumprir essa promessa acabaram produzindo pressão adicional sobre os consumidores.
“Então, Donald Trump, quando coloca tarifas, é claro que isso aumenta o preço dos bens e serviços dentro dos Estados Unidos.”Ana Carolina Marson, professora da FESPSP, no Mapa de Risco do InfoMoney
A reportagem do InfoMoney não traz pesquisas de opinião nem números de inflação. O que existe é a avaliação de uma analista, e ela precisa ser lida assim. O verbo da própria matéria é cauteloso: as decisões de Trump podem ter se transformado em um dos principais obstáculos eleitorais do partido. Isso é diagnóstico, não previsão de resultado.
Falta ainda saber como a guerra entra na conta. Marson a coloca ao lado das tarifas como fator de alta do custo de vida, mas o resumo da matéria não detalha o caminho do preço. Por isso este texto não vai preencher essa lacuna com números que a fonte não deu.
Por que uma tarifa mexe no preço de quem nem compra produto importado?
Porque a tarifa não incide só sobre o produto final. O InfoMoney lembra que ela pode encarecer tanto os importados quanto os insumos usados pela indústria americana. Uma fábrica que importa peça ou matéria-prima paga mais para produzir, mesmo vendendo um produto "made in USA".
Quanto desse custo chega ao consumidor? A matéria responde que depende da capacidade de empresas e fornecedores de absorver o aumento ou repassá-lo ao preço final. Há dois caminhos:
- Se a empresa ou o fornecedor absorve o custo, a margem dele encolhe e a prateleira sobe menos.
- Se o custo é repassado, o consumidor paga a tarifa no caixa do mercado, na loja ou na concessionária.
A avaliação de Marson é que o repasse pesou o bastante para ampliar a insatisfação com o governo. Daí o paradoxo que ela aponta.
Como uma política feita para proteger o trabalhador acabou irritando o eleitor?
A tarifa existe para proteger a produção local, e é por isso que ela é politicamente vendável. O problema é que o eleitor sente o custo no mês, enquanto o benefício (emprego industrial, fábrica reaberta) demora e nem sempre aparece. Quando as duas coisas se encontram numa eleição de meio de mandato, o preço na gôndola tende a falar mais alto que o discurso. É essa a leitura da professora.
Isso quer dizer que os republicanos vão perder?
Não é isso que a fonte afirma. Ela diz que o cenário é de desgaste, e a própria cobertura do InfoMoney descreve a eleição como o teste de Trump e de sua influência, com resultado que indicará o futuro do presidente e de seus projetos, locais ou mundiais. Quem decide é o voto, não a análise de um programa de TV. Tratar a opinião de uma entrevistada como placar seria o erro mais fácil de cometer aqui.
E o investidor brasileiro com isso?
Nada muda na sua carteira por causa de uma entrevista. O que muda é o que você deve vigiar: eleição que redistribui poder em Washington pode alterar o ritmo das tarifas e da política externa, e isso chega ao Brasil por dólar, juros e fluxo de capital para emergentes. A fonte não traz projeções de mercado, então não existe número de impacto para citar.
O canal é conhecido. O dólar já foi protagonista do noticiário recente, como mostramos na análise de como o câmbio e a Bolsa reagiram à reeleição, e o ambiente externo costuma pesar no humor com o real tanto quanto o doméstico. A discussão sobre o papel dos EUA no mundo também ficou mais ampla nos últimos dias, tema que tratamos ao ver a avaliação de um cientista político da UFABC sobre a liderança americana.
Para quem tem renda fixa, ações ou FIIs no Brasil, a pergunta útil não é "quem ganha nos EUA", e sim se o resultado vai encarecer ou aliviar o custo de vida lá, porque isso influencia o que os bancos centrais fazem e, por tabela, o apetite dos investidores globais por ativos brasileiros. Essa é uma leitura nossa de mecanismo, não uma declaração da professora.
O que acompanhar daqui em diante
O resultado das eleições legislativas — se o Partido Republicano sair enfraquecido, a tese de Marson ganha força; se resistir, a avaliação perde fôlego.
O destino das tarifas depois da votação — manutenção, suspensão ou ampliação mostram se o governo ouviu o recado do custo de vida.
O repasse nas empresas — balanços de varejistas e indústrias americanas que digam se o custo da tarifa foi absorvido ou empurrado ao consumidor.
Resumo: uma professora da FESPSP diz que tarifas e guerra encareceram a vida do americano e pesam contra Trump nas urnas. É avaliação, não resultado, mas o que sair dessa eleição pode chegar ao seu bolso pelo dólar.