ITUB4 cotação hoje — Itaú sobe juros do crédito imobiliário para 12,95% ao ano, Bradesco vai a 15%
INTERMEDIÁRIO PTENES

ITUB4 no vermelho hoje: Itaú, Bradesco e Santander reajustam o crédito imobiliário

Num financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, a parcela inicial vai de R$ 6.020 a cerca de R$ 7.250, e taxas acima de 12% saem do SFH e barram o FGTS.

A ação ITUB4 opera no vermelho nesta quinta-feira depois que Bradesco, Itaú e Santander anunciaram reajustes nas taxas do crédito imobiliário — em alguns casos de forma abrupta e sem precedente histórico — em resposta à maior disparada dos contratos DI de longo prazo em anos. O gatilho foi externo aos bancos; o custo chega agora a quem quer financiar um imóvel.

ITUB4 cotação hoje: por que os juros do crédito imobiliário subiram?

A resposta começa nos contratos de juros futuros. Na segunda-feira (26), logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o contrato DI com vencimento em janeiro de 2031 disparou cerca de 180 pontos-base em um único pregão — partindo de aproximadamente 12,64% ao ano na sexta-feira anterior e atingindo 15,25% durante as negociações, segundo a ISTOÉ Dinheiro. A B3 precisou ampliar os limites superiores de oscilação dos contratos de DI para comportar o movimento, que refletiu a reavaliação dos investidores sobre as perspectivas fiscais do próximo mandato.

Para as instituições financeiras, o efeito prático foi imediato: o custo de captar recursos no mercado de capitais para financiar empréstimos de longo prazo subiu de forma brusca. Bradesco e Itaú respondem juntos por 41,4% do crédito imobiliário contratado com recursos da poupança no país — num mercado que movimentou R$ 132,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 37,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do setor. Com os depósitos de poupança do Bradesco caindo 4,5% ao ano (segundo o Exame), o banco já dependia cada vez mais de instrumentos de mercado — LCIs e funding de prazo mais longo — cujo custo subiu junto com a curva.

Juros futuros disparam +180 bps + Captação bancária encarece = Crédito imobiliário mais caro e FIIs de tijolo pressionados

Como cada banco se posicionou — e quem foi além do razoável

Bradesco saiu na frente na própria segunda-feira (26): elevou a taxa mínima para a maioria dos clientes de 11,69% para 15% ao ano, acrescida da Taxa Referencial (TR) — um salto de 3,3 pontos percentuais de uma só vez. Itaú esperou até quinta-feira (29) para anunciar o ajuste de 11,99% para 12,95% ao ano + TR. O Santander confirmou, no fim da tarde de quinta, que também reajustaria a partir desta sexta (30), estabelecendo 12,49% ao ano como novo piso — mais TR, hoje próxima a 2% ao ano.

BancoTaxa anterior (a.a. + TR)Nova taxa mínima (a.a. + TR)Vigência
Bradesco11,69%15,00%26/10/2026
Itaú11,99%12,95%29/10/2026
Santander11,69%12,49%30/10/2026

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ainda não anunciaram mudanças — ambos estão em período de vedação antes da divulgação de resultados trimestrais.

Por que o reajuste do Bradesco é tecnicamente fora do padrão

Paulo Padro, cofundador e especialista em crédito imobiliário da MyCred, avaliou o movimento do Bradesco ao InfoMoney:

"Os reajustes em financiamentos imobiliários costumam ocorrer de forma gradual, geralmente entre 0,1 e 1 ponto percentual. Um aumento de 3,3 pontos percentuais de uma única vez, como foi o do Bradesco, é completamente fora do padrão. Nossa avaliação é que foi uma forma do banco tornar seu financiamento menos atrativo em relação aos concorrentes, e dar uma 'travada' em novas contratações."Paulo Padro, especialista em crédito imobiliário, InfoMoney

A leitura faz sentido quando se olha para a estrutura de captação do banco. Com a poupança em queda e o funding de mercado mais caro, reduzir o ritmo de novas concessões sem fechar formalmente a carteira é uma forma de administrar o balanço sem criar ruído regulatório. O Itaú, com ajuste de 0,96 ponto percentual, ficou dentro do que o especialista classificou como "normal dado o ambiente de juros futuros". Para quem está acompanhando os últimos movimentos da ação ITUB4, o dado relevante é que a instituição pode capturar spreads maiores nas novas contratações — mas só se a demanda aguentar o choque de preço.

O que muda para quem quer financiar um imóvel agora

O efeito mais imediato é na parcela mensal. Um financiamento de R$ 500 mil em 30 anos, que custava em torno de R$ 6.020 por mês com a taxa anterior do Itaú, passa para aproximadamente R$ 7.250 com a nova — quase 20% a mais na parcela inicial, segundo simulações levantadas pela Exame. Famílias que mantêm o valor da parcela fixo perdem cerca de 17% na capacidade de financiamento, o que obriga a uma entrada maior ou a reduzir o valor financiado.

Atenção: FGTS e SFH ficam fora do alcance com as novas taxas. O teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) é de 12% ao ano. As novas taxas do Itaú (12,95%) e do Bradesco (15%) superam esse limite — o que significa que contratos firmados nessas condições não se enquadram no SFH e, portanto, não permitem o uso do FGTS como entrada ou amortização. Murilo Arjona, especialista em crédito habitacional, indica que os bancos já vinham pressionando pela elevação desse teto de 12% para 13% ao ano, mas a mudança ainda não ocorreu.

Clientes com relacionamento consolidado com os bancos — conta salário, seguros e investimentos na instituição — costumam receber condições diferenciadas abaixo dos pisos publicados. Mas para quem não tem esse histórico, o impacto é integral. E o contratante que tiver uma proposta aprovada antes dos reajustes precisará verificar se a instituição vai honrar o rate lock ou se a condição mudou.

Por que os FIIs de tijolo absorveram o baque mais forte

O IFIX encerrou esta quinta-feira em 3.632,26 pontos, queda de 0,60% no dia. O número parece contido, mas vem após uma semana excepcional: na segunda-feira (26), o índice chegou a recuar mais de 8% durante o pregão — ativando o circuit breaker da B3 pela primeira vez desde março de 2020 —, após ter encerrado a semana anterior em 3.990 pontos, seu maior patamar em 52 semanas. A reeleição de Lula, na prática, apagou em horas o rali que os FIIs acumulavam ao longo de outubro.

O mecanismo é direto: fundos de tijolo valem hoje o que o mercado aceita pagar pelos aluguéis futuros, descontados por uma taxa. Quando os juros longos disparam, essa taxa de desconto sobe e o valor presente dos contratos de locação cai — independentemente de os imóveis estarem ocupados ou não. O JSRE11, segundo a SpaceMoney, recuou 14,21% na segunda-feira, para R$ 61,26, exemplificando o movimento. A alta do crédito imobiliário adiciona uma segunda camada de pressão a médio prazo: financiamento mais caro reduz a demanda por aquisições residenciais via banco, o que pode afetar o ritmo de novas incorporações e os fundos de desenvolvimento imobiliário. O rali que ITUB4 e B3SA3 registraram após o primeiro turno mostrou a volatilidade que o ciclo eleitoral imprimiu sobre ativos financeiros — e o movimento desta semana é o reverso exato daquele pregão.

E a Caixa? O que acompanhar nos próximos dias

A Caixa Econômica Federal é a peça mais relevante que ainda não se moveu. Responsável por aproximadamente 70% do crédito habitacional do país, com carteira superior a R$ 1 trilhão e taxa de balcão a partir de 11,19% ao ano — ainda abaixo dos privados —, a Caixa não anunciou mudança e está em período de vedação. Se seguir o movimento dos três bancos privados, o impacto sobre o mercado imobiliário será incomparavelmente maior, porque é a Caixa que sustenta o grosso das operações com FGTS e teto do SFH.

1

Anúncio da Caixa Econômica Federal — qualquer ajuste acima de 12% ao ano muda o acesso ao FGTS para a maioria dos contratos e sinaliza o novo piso efetivo do mercado habitacional brasileiro.

2

Reunião do Copom em novembro — se os juros futuros recuarem com sinalização fiscal do governo, os bancos podem reverter parte dos spreads; se a Selic subir acima do esperado, novos reajustes virão na esteira.

3

IFIX abaixo de 3.550 ou acima de 3.800 — abaixo de 3.550 confirma que a reprecificação dos fundos de tijolo ainda não encontrou piso; acima de 3.800, o mercado já acomodou a nova curva de juros futuros.