O Itaú Unibanco informou à CVM, em Fato Relevante de 03/11/2026, que revisou sua projeção para 2026 e que, desde novembro, passou a gerir o banco com um custo de capital em torno de 15,25% ao ano. A ação ITUB4 não aparece nesse comunicado como alvo de extinção ou mudança de código: o texto trata de expectativas do banco, e os números da projeção não estão no trecho do documento a que tivemos acesso.
ITUB4: o que aconteceu?
O Fato Relevante foi entregue à CVM às 18h29 de 03/11/2026 e assinado por Gustavo Lopes Rodrigues, diretor de Relações com Investidores. O Itaú diz que o envio atende ao artigo 157, parágrafo 4º, da Lei nº 6.404/76 e à Resolução CVM nº 44/21, e que a projeção revisada para 2026 está no item 3 (“Projeções”) do Formulário de Referência da companhia.
Ou seja, o ato novo tem duas partes: a revisão da projeção do ano e a mudança na taxa que o banco usa para decidir onde aplicar capital. A segunda vem numa única frase, que vale ler inteira:
“Importante mencionar que, a partir de novembro de 2026, a Companhia passou a considerar um custo de capital em torno de 15,25% a.a. na gestão de seus negócios.”Itaú Unibanco Holding S.A., Fato Relevante entregue à CVM em 03/11/2026
É pouco texto para uma notícia que mexe com a ação de um dos maiores bancos do país. E é justamente aí que mora a dúvida do investidor: o que, exatamente, mudou?
O que significa o banco gerir os negócios com custo de capital de 15,25% ao ano?
Custo de capital é o retorno mínimo que a empresa exige do dinheiro dos acionistas. Na gestão, funciona como régua: uma operação, produto ou carteira que rende menos que essa taxa destrói valor, ainda que dê lucro contábil. Quando o Itaú diz que passou a considerar a taxa “na gestão de seus negócios”, está dizendo que é essa a barra que as decisões internas passam a ter de superar.
O documento não informa qual era a taxa antes. Por isso, não dá para afirmar, a partir do que o banco publicou, se a exigência subiu ou caiu. A leitura que costuma ser feita é que taxa mais alta pede mais retorno por real alocado, e que isso pode pesar sobre o valor da empresa se o lucro não acompanhar. É uma leitura possível, mas depende da comparação com o patamar anterior, que o texto não traz.
Quais são os números da projeção revisada?
No trecho transcrito do Fato Relevante, nenhum valor de projeção aparece. O corpo do documento remete ao Formulário de Referência, e o que sobra no texto são três notas de rodapé: uma diz que um dos itens inclui garantias financeiras prestadas e títulos privados; outra, que um item é composto por despesa de perda esperada, descontos concedidos e recuperação de créditos baixados como prejuízo; a terceira, que outro soma receitas de prestação de serviços, resultado de operações de seguros, previdência e capitalização e despesas com sinistros. Sem a tabela, não há como dizer o que foi revisado nem em que direção.
| Ponto | O que o banco diz | O que o texto não traz |
|---|---|---|
| Projeção de 2026 | Revisada e divulgada em 03/11/2026, no item 3 do Formulário de Referência | Os valores e faixas de cada linha |
| Custo de capital | Em torno de 15,25% a.a., a partir de novembro de 2026 | A taxa usada antes |
| Natureza das projeções | “Meras previsões”, baseadas nas expectativas atuais da administração | Qualquer garantia de que o resultado vá se repetir |
O banco faz questão de avisar que os resultados efetivos podem diferir do previsto, já que dependem das condições de mercado, do desempenho da economia do país, do setor e dos mercados internacionais. É o aviso padrão de qualquer projeção, mas aqui ele pesa mais, porque o leitor ainda não viu os números para comparar.
A ação ITUB4 sumiu, foi extinta ou está caindo por isso?
Nada no Fato Relevante fala em extinção, mudança de código ou saída da bolsa. Quem não consegue achar ou vender a ação na corretora não deve procurar a causa neste documento, que é um comunicado de projeções.
Sobre preço, o dado que temos é anterior ao comunicado: no último pregão registrado, 27/10/2026, o ITUB4 fechou a R$ 41,17, com variação de -1,27% no dia e alta de 10,57% em 12 meses. Como o Fato Relevante entrou no fim da tarde de 03/11, a reação do mercado a ele ainda não está nesses números. O pano de fundo recente de oscilação, com eleições e balanço, está na nossa análise de por que a ação ITUB4 caiu, e não vem deste comunicado.
Nada muda na sua posição por causa do Fato Relevante em si: você segue dono da mesma ação, e o texto não anuncia dividendo, venda de ativo ou mudança societária. O que muda é a régua de leitura. Quando o banco publicar o próximo balanço, o que importa é saber se o retorno entregue supera a taxa que ele mesmo agora diz exigir de si. Sobre proventos, a data-base e as regras do novo JCP já foram tratadas à parte, na nossa matéria sobre o JCP do Itaú; a página com cotação, dividendos e documentos do ITUB4 reúne o histórico.
O que acompanhar daqui para frente?
A tabela do item 3 do Formulário de Referência — compare cada linha com a projeção anterior do banco; é lá que se vê se houve revisão para cima ou para baixo.
O patamar anterior do custo de capital — sem ele, os 15,25% não dizem se a barra subiu; procure a informação no comunicado anterior do banco.
O próximo balanço — veja se o retorno reportado fica acima ou abaixo da taxa que o banco declarou usar na gestão.