PNVL3 no Fundamentus depois do 3T26: Panvel lucra 35,4% mais, e os indicadores ainda não mostram isso
INTERMEDIÁRIO PTENES

PNVL3 no Fundamentus: o que muda com o balanço do 3T26?

O LPA sobe para perto de R$ 1,00 e o P/L recua para cerca de 11,4 mesmo com a alta do papel após a divulgação dos resultados.

O Grupo Panvel, controlado pela Dimed (ação PNVL3), informou lucro líquido ajustado de R$ 46,4 milhões no terceiro trimestre de 2026, contra R$ 34,3 milhões um ano antes. Quem abre o Fundamentus hoje ainda vê os múltiplos calculados com o balanço de junho. Com o trimestre novo, a ação fica mais barata do que a tela mostra.

O que a Panvel divulgou no 3T26?

A empresa vendeu mais e gastou proporcionalmente menos para vender. A companhia atribuiu o resultado à maior diluição das despesas com vendas, que compensou a queda de 0,2 ponto percentual na margem bruta do varejo. A receita bruta do varejo chegou a R$ 1,7 bilhão, alta de 15,3%. O crescimento veio das lojas antigas, e não só das inauguradas: as vendas em mesmas lojas (SSS) cresceram 13,3%, e as unidades maduras avançaram 11,5%, ambas acima da inflação do período.

Varejo +15,3%+Despesa de venda diluída=EBITDA ajustado R$ 96,8 mi (+21,2%)

A alavanca da margem foi o digital. Segundo o balanço, os canais online somaram R$ 792,4 milhões, com alta de 104%, e chegaram a 46,6% da receita bruta do varejo. Foi um avanço de 20,2 pontos percentuais, ou seja, um ano antes o digital pesava cerca de 26%. O aplicativo Panvel cresceu 271% e respondeu por 78,5% das vendas digitais. Com isso, a margem Ebitda passou de 5,4% para 5,7%, enquanto a margem líquida ajustada avançou de 2,3% para 2,7%.

A margem bruta caiu por causa das canetas emagrecedoras. Os itens GLP-1 avançaram 68,8%, representando 11,8% das vendas efetivas do varejo. Elas trazem cliente para a loja, mas deixam pouca margem. O Safra resume: a maior participação dos medicamentos de marca pressionou a margem bruta, com os produtos da classe GLP-1 contribuindo para esse movimento. No balanço, o lucro líquido contábil foi de R$ 44,6 mi, alta de 37,0%. O número contábil fica perto do ajustado, sinal de que o crescimento não depende de ajustes. Então por que a tela de indicadores não mostra nada disso?

PNVL3 no Fundamentus: o que muda com o 3T26?

O Fundamentus ainda não incorporou o trimestre. Na consulta mais recente, o último balanço processado era o de 30/06/2026. O P/L de 11,08 que aparece lá foi calculado com a cotação de R$ 10,14, de 03/11, antes da alta pós-balanço. A tabela separa o que é dado da tela, o que muda só pelo preço e o que muda com o lucro novo.

IndicadorFundamentus (2T26, R$ 10,14)Mesmo balanço a R$ 11,42Com o 3T26 a R$ 11,42 (estimativa nossa)
LPA 12 mesesR$ 0,92R$ 0,92≈ R$ 1,00
P/L11,112,4≈ 11,4
P/VP1,161,30≈ 1,3
Valor de mercadoR$ 1,52 biR$ 1,72 biR$ 1,72 bi

A conta da última coluna: o lucro de 12 meses que a tela usa é de cerca de R$ 138 milhões (LPA de 0,92 vezes 150,4 milhões de ações). Para atualizar, tiramos o lucro contábil do 3T25, de cerca de R$ 32,6 milhões, e colocamos o do 3T26. O total de 12 meses vai a perto de R$ 150 milhões. É um corte de um ponto no P/L sem a ação mudar de preço. O BTG, que mantém recomendação de compra, olha mais à frente: a ação negocia a cerca de 8x P/L 2027, e o preço-alvo foi elevado para R$ 19 no fim de 2027.

Um alerta sobre a dívida, que costuma confundir quem compara sites. A empresa reporta alavancagem de 0,8 vez: a dívida líquida/Ebitda ajustado LTM foi de 0,8 vez no terceiro trimestre de 2026, ante 1,0 vez no terceiro trimestre de 2025 e 0,9 vez no segundo trimestre de 2026. Já os agregadores mostram números maiores. A nossa ficha marcava 2,1 vezes. A diferença vem principalmente dos aluguéis das lojas, que a contabilidade (IFRS 16) trata como dívida. Isso também explica por que o Fundamentus mostra valor da firma de R$ 2,63 bilhões contra R$ 1,52 bilhão de valor de mercado. A tendência é a mesma nas duas medidas: queda. E o lucro maior chega ao bolso do acionista?

PNVL3 paga dividendos? Quanto e quando

Paga, mas devagar. A Dimed distribui principalmente por juros sobre capital próprio (JCP), com prazo de pagamento muito longo. Nos últimos 12 meses foram cerca de R$ 0,48 por ação, um dividend yield na casa de 4% no preço atual. O JCP declarado com data-ex em 25/09/2026 soma R$ 0,1207 bruto por ação, dividido em três parcelas que só caem em 2028:

25/09/2026Data-ex do JCP do 3º trimestre 3 parcelas de R$ 0,0402 bruto cada
31/03/20281ª parcela R$ 0,0402
28/04/20282ª parcela R$ 0,0402
31/05/20283ª parcela R$ 0,0402

São de 18 a 20 meses entre a data-ex e o pagamento. Nas declarações anteriores, a empresa avisou que o valor não é corrigido. No JCP aprovado em junho, por exemplo, ela informou que o provento não terá atualização monetária. Descontados os 15% de IR na fonte, a declaração de setembro rende cerca de R$ 0,103 líquido por ação, menos de 1% do preço atual. Quem compra PNVL3 hoje compra crescimento, não renda. O payout está perto de metade do lucro, e o caixa vai para lojas novas. A empresa terminou setembro com 677 farmácias, contra 651 um ano antes, e tem a meta de 700 até o final de 2026. Mas se o trimestre foi tão bom, por que a ação está tão longe do topo?

Por que a PNVL3 caiu antes do balanço?

A queda veio de fora da empresa. A PNVL3 subiu junto com o varejo depois do primeiro turno das eleições e chegou a R$ 16,08 em 10 de outubro. Depois devolveu tudo. Segundo o BTG, a piora das expectativas macroeconômicas no fim de outubro provocou uma reversão relevante dos ganhos recentes do setor. Houve ainda um golpe específico das farmácias: o CFO da Panvel entende que a iniciativa do Mercado Livre de liberar a venda de medicamentos com prescrição para sellers é prejudicial ao setor, e o anúncio, no fim de setembro, derrubou as ações das varejistas farmacêuticas.

R$ 10 R$ 12 R$ 14 R$ 16 11,83 16,08 10,14 11,42 início/26 10/10 03/11 06/11
Do topo de outubro ao fechamento pós-balanço, a ação ainda acumula queda de cerca de 29%. O balanço recuperou só uma parte disso.

A reação ao balanço foi positiva, mas tímida perto da queda. O papel fechou em alta de 2,77% no pregão de 5 de novembro, dia da divulgação, e o BTG registrou alta de 6,26% no dia seguinte, a R$ 11,37. Outras varejistas também passaram pelo mesmo vaivém macro na temporada, como mostra o caso do Assaí, que cortou dívida, mas não destravou as vendas. A Panvel fez o oposto: vendas em alta e dívida em queda.

PNVL3 vale a pena depois do 3T26?

O resultado é bom e reforça a tese de eficiência que acompanhamos. As casas grandes leram assim: o Safra viu o operacional em linha com as expectativas e manteve recomendação de compra. O nosso modelo de valuation, calculado em 05/11 com a ação a R$ 10,75, ainda aponta "evitar", com preço justo central de R$ 7,43. Mas a dispersão entre os métodos foi de 123%, numa faixa de R$ 2,69 a R$ 11,82. Isso diz mais sobre a dificuldade de precificar uma empresa de margem líquida de 2% a 3% do que sobre a ação estar cara. Esse cálculo ainda não tem o 3T26 e deve ser refeito. Há setores que seguem na direção contrária: a Renner cancelou a meta de receita no mesmo período. Antes de decidir, veja o que pesa de cada lado:

  • Lojas antigas crescendo acima da inflação. Isso é ganho de cliente, não só reajuste de preço.
  • Alavancagem caindo trimestre a trimestre, com fluxo de caixa livre positivo de R$ 19,9 milhões, alta de 24%.
  • Com o 3T26, o P/L de 12 meses volta para perto de 11 vezes, abaixo do que a tela mostra no preço atual.
  • Margem bruta pressionada pelas canetas GLP-1. Quanto mais elas pesam nas vendas, menos sobra de cada real vendido.
  • Mercado Livre entrando em medicamento com receita: uma ameaça nova ao digital, justamente o motor deste trimestre.
  • Provento modesto e pago com até 20 meses de atraso, sem correção. Não serve para quem busca renda.
  • O resultado financeiro piorou: ficou negativo em R$ 11,978 milhões, ante R$ 9,829 milhões negativos um ano antes.

Em resumo: o trimestre confirma que a Panvel converte venda em lucro, com alta de 35,4% no ajustado e alavancagem em queda. A ação, porém, não caiu por causa da empresa. Ela vai depender do humor com o varejo doméstico e de como o setor reage à entrada do Mercado Livre. Os números a vigiar no 4T26 são três: participação do digital acima dos 46% atuais, margem bruta estável mesmo com mais GLP-1, e as 700 lojas prometidas até dezembro.