Você não consegue vender porque a negociação foi travada de propósito, não porque algo deu errado: a partir de 05/11/2026 as cotas do fundo imobiliário RPRI11 ficam bloqueadas na B3, já que o fundo está sendo liquidado e a carteira vai para o PCIP11. O Fato Relevante de 04/11 fecha as datas: cotas novas do PCIP11 em 07/12 e pagamento em dinheiro em 10/12.
O que aconteceu com o RPRI11?
O fundo imobiliário RPRI11 entrou na reta final da reorganização que a Patria desenhou para quatro fundos de papel. A proposta de fusão que analisamos em setembro previa vender todos os ativos ao fundo imobiliário PCIP11 pelo valor patrimonial, pagar o cotista com cotas do PCIP11 (e/ou dinheiro) e depois encerrar o RPRI11. O documento novo registra que a assembleia aprovou isso sem ressalvas em 20/10/2026. O prazo que citávamos para a consulta era 18/09; o documento não explica a diferença entre as datas.
O que o Fato Relevante de 04/11 traz de novo não é a aprovação, que já tínhamos contado no artigo de 22/10. É o calendário operacional: o dia em que a negociação trava, quem passa a administrar o fundo e quando cada pagamento cai.
Por que não consigo vender o RPRI11?
Porque o bloqueio das cotas na B3 vale a partir de 05/11/2026. Ele existe para congelar a lista de cotistas: a troca por cotas do PCIP11 e o pagamento em dinheiro são calculados sobre quem está na base no momento do corte. Se as cotas continuassem trocando de mão, a conta não fecharia. Você continua cotista até a liquidação; só perdeu a opção de vender na bolsa.
Se a assembleia tivesse rejeitado a proposta, o fundo seguiria listado, com a carteira de CRIs e o desconto sobre o patrimônio. Aprovada, a saída passou a ser a conversão, não mais o pregão.
Qual é o calendário até a liquidação final?
O ponto decisivo é o dia 30/11. Até lá não sabemos quantas cotas do PCIP11 cada cota do RPRI11 vira, nem quanto vem em dinheiro. O documento não traz esse fator.
Quanto vale o que vou receber?
Aqui a divergência com a nossa análise é grande. No valuation de curto prazo esperávamos a cota em torno de R$ 84,50 até 30/11, numa faixa de R$ 80 a R$ 89. O último fechamento, em 04/11, foi bem abaixo da faixa:
O valor patrimonial por cota está em R$ 100,67. Como a troca foi desenhada pelo valor patrimonial, a conta de referência é simples: 100,67 ÷ 66,38 = 1,52. Quem comprou no último pregão pagou 34% menos do que o patrimônio por cota. Em um lote de 100 cotas, são R$ 6.638 de mercado contra R$ 10.067 de patrimônio.
Isso não significa que você receberá R$ 100,67 por cota em dinheiro. O pagamento vem em cotas do PCIP11 e em dinheiro, e as cotas do PCIP11 valem o que o mercado pagar por elas. Se o PCIP11 também negociar com desconto sobre o patrimônio, parte do valor "patrimonial" não aparece no preço. O documento não informa a proporção entre cotas e dinheiro. Para saber como o PCIP11 anda, vale ler nossa análise do fundo que fica com a carteira.
Sobre rendimento, o último pagamento foi de R$ 0,90 por cota em outubro. O Fato Relevante não diz se haverá distribuição em novembro ou na liquidação.
O ACUMULAR de antes ainda vale?
Não, e não por mudança de opinião sobre a carteira. Nossa nota era ACUMULAR porque a troca por valor patrimonial protegia o cotista e o desconto era real. O desconto continua aí, até maior: o P/VP foi de 0,71 para 0,66. Mas agora não há mais o que acumular: o bloqueio acabou com a possibilidade de comprar ou vender na B3. A decisão que sobra é sobre o que você faz com as cotas do PCIP11 depois de 07/12. Isso é uma nova análise, de outro fundo.
O desconto crescer depois da aprovação também mostra algo: a incerteza sobre a fusão em si saiu, mas o mercado não passou a pagar o patrimônio cheio pela cota do RPRI11. Ou desconfia do fator de troca, ou do preço que o PCIP11 terá depois, ou simplesmente quis sair antes do bloqueio. Os documentos não permitem separar as três hipóteses.
- Não precisa vender nem correr: o bloqueio não significa perda, só encerra a negociação.
- Precisa informar o custo médio de aquisição na janela do Cuore. Sem isso, o IR pode ser calculado sobre o mínimo histórico da cota na B3, como já alertávamos, e o imposto tende a ser maior.
- Não dá para vender ou comprar RPRI11 pela corretora a partir de 05/11.
- Não dá para saber hoje quanto vem em cotas e quanto em dinheiro: isso só sai em 30/11.
Sua posição deixa de ser "um FII de papel que paga renda mensal" e vira "um crédito em cotas do PCIP11 e dinheiro, com data marcada". O risco de crédito dos CRIs passa a ser o do PCIP11, e a decisão de segurar ou vender volta a ser sua só depois de 07/12.
O que acompanhar até o dia 10/12?
Custo médio — informe entre 10/11 e 30/11. Depois de 30/11 a janela fecha e o risco de IR sobre o mínimo histórico passa a valer.
Fator de proporção — em 30/11, compare o valor total que você recebe por cota (cotas do PCIP11 ao preço de mercado, mais o dinheiro) com os R$ 66,38 do último fechamento e com os R$ 100,67 de patrimônio. Perto do primeiro, o desconto não foi convertido; perto do segundo, foi.
Cotas e dinheiro na conta — confira a entrega das cotas do PCIP11 em 07/12 e o crédito da amortização em 10/12, já sob a administração da Apex.