SUZB3 cotação hoje: Suzano bate recorde de receita com a Arbex. Por que o lucro subiu só 6%? Relevância4,0
INTERMEDIÁRIO PTENES

SUZB3 cotação hoje: Suzano bate recorde de receita com a Arbex

A receita disparou para R$ 16,5 bilhões com a nova joint venture, mas a margem da celulose caiu e o resultado dependeu de derivativos.

A ação SUZB3 fechou a sexta-feira (6) a R$ 53,40, alta de 2,12%. Foi o primeiro pregão depois de a Suzano divulgar a maior receita trimestral dos seus 102 anos: R$ 16,5 bilhões no 3T26. O recorde, porém, é quase todo efeito da consolidação da Arbex. A celulose ficou praticamente parada, e cada real vendido passou a sobrar menos para o acionista.

SUZB3 cotação hoje: como a ação reagiu ao recorde?

A ação subiu. Com a B3 fechada neste sábado, a cotação de referência é a de sexta, a primeira sessão depois do balanço: a Suzano (SUZB3) subiu 2,12%, segundo o InfoMoney. O papel saiu de um fechamento anterior de R$ 52,29 para R$ 53,40. O balanço saiu na quinta-feira (5), depois do fechamento da B3, e a teleconferência com analistas foi na sexta.

A alta é modesta para quem lê "recorde" na manchete. Ela também vem depois de um outubro forte: a ação acumulou 24,2% no mês, puxada pelo dólar após a eleição, como mostramos quando o JPMorgan colocou a Suzano entre as exportadoras favoritas. O mercado já tinha pago antes pelo câmbio. Na sexta, reagiu a um balanço que, olhando de perto, veio dentro do esperado ou um pouco abaixo.

O que fez a receita da Suzano disparar 36%?

Foi a Arbex. A Suzano registrou receita líquida de R$ 16,5 bilhões, alta de 36% na comparação com o terceiro trimestre de 2025 e novo recorde trimestral, segundo a própria companhia. A Arbex é a joint venture de papéis sanitários criada com a Kimberly-Clark. A Suzano pagou US$ 1,3 bilhão por 51% dela, mas passou a incorporar 100% das receitas, despesas e demais indicadores financeiros da Arbex em seu balanço consolidado.

A conta mostra o tamanho do efeito. A receita foi de R$ 12,15 bilhões para R$ 16,52 bilhões, e são R$ 4,30 bilhões a mais, quase tudo dos R$ 4,36 bilhões que a receita total cresceu. Sem a Arbex, a Suzano teria faturado cerca de R$ 12,2 bilhões, perto de 0,5% acima do 3T25 (conta nossa). Ou seja, o negócio antigo ficou estável. A nova unidade de Bens de Consumo, que junta a Arbex e as operações da Suzano no Brasil, registrou receita líquida de R$ 5 bilhões no trimestre, dos quais R$ 4,2 bilhões vieram do mercado internacional.

Então por que o lucro não acompanhou? Por dois motivos: o que os analistas esperavam e quanto sobra de cada real vendido na Arbex.

O balanço veio melhor ou pior que o esperado?

Na operação, veio levemente abaixo. No lucro, veio acima, mas por um motivo que não se repete.

Indicador 3T26EsperadoVeioLeitura
Receita líquidaR$ 16,8 bi (média dos analistas)R$ 16,52 biPouco abaixo, mesmo com o recorde
EBITDA ajustadoR$ 5,9 bi (mediana Bloomberg)R$ 5,7 bi3,1% abaixo; diferença explicada por ajuste temporário
Lucro líquidoR$ 1,27 bi (prévia da Ativa)R$ 2,08 biAcima, mas puxado por derivativos
Custo caixa da celulose~R$ 778/t (Ativa)R$ 825/tR$ 47/t acima do esperado

A Genial lembra que a diferença de R$183m é menor que uma eliminação de R$210m da celulose vendida ao Arbex e ainda não revendida. Esse valor volta ao resultado quando a Arbex vender o produto final. Por isso a casa leu o trimestre como "em linha". O lucro tem outra história: o resultado financeiro da Suzano foi positivo em R$ 1,146 bilhão, contra R$ 1,2 bilhão negativo na projeção da Ativa. Sem esse efeito, a corretora estima que o lucro ficaria em cerca de R$ 0,7 bilhão. Os R$ 2,08 bilhões, alta de 6% sobre R$ 1,96 bilhão no 3T25, dependem da marcação de derivativos com o dólar. Câmbio favorável num trimestre não garante lucro igual no próximo.

O custo da celulose em R$ 825/t não é novidade para quem nos acompanha. A Suzano revisou a meta do ano para esse patamar, e explicamos a revisão do custo e a meta de dívida abaixo de US$ 14 bi no mesmo dia do balanço. O dado novo é outro: quanto a Arbex rende.

Quanto sobra de cada R$ 100 que a Arbex vende?

Bem menos que na celulose, e é isso que explica a distância entre receita e lucro. Pelo release do 3T26, a margem EBITDA da empresa inteira caiu de 43% para 34%. A diluição fica clara quando se compara o que cada negócio deixa de EBITDA ajustado a cada R$ 100 vendidos:

CeluloseR$ 50
Suzano inteira 3T25R$ 43
Suzano inteira 3T26R$ 34
Bens de consumoR$ 16
Papel e embalagemR$ 11

A Arbex tem um ponto a favor. O segmento de bens de consumo trouxe R$803m de EBITDA, R$694m deles do Arbex a 100%, acima dos R$632m que esperávamos, escreveu a Genial. O negócio entregou o que prometia. Só que um ganho de cerca de 16% sobre a receita (R$ 694 milhões sobre R$ 4,30 bilhões, conta nossa) é outro tipo de negócio, e há um detalhe que o recorde esconde: 49% disso é da Kimberly-Clark. Na nossa estimativa, a parte econômica da Suzano no EBITDA da Arbex foi de uns R$ 354 milhões no trimestre.

Tirando a Arbex, o EBITDA ficou perto de R$ 5,0 bilhões. Com a eliminação temporária de volta, chega a uns R$ 5,2 bilhões, praticamente o mesmo do 3T25 (estimativa nossa a partir da alta de 9% divulgada). A celulose não piorou, mas também não cresceu. E o caixa? Aqui a notícia é melhor.

O caixa e a dívida aguentam a Arbex?

Por ora, sim. A geração de caixa operacional totalizou R$ 3,8 bilhões no trimestre, alta de 12%. O fluxo de caixa livre contábil ficou negativo em R$ 3,03 bilhões porque inclui o pagamento da aquisição. Já o ajustado, sem expansão e sem proventos, houve geração de R$ 2,63 bilhões, 25% maior que no terceiro trimestre de 2025. A alavancagem de 3,7 vezes em dólar já era conhecida e está inflada porque a conta só tem três meses de Arbex. A empresa repetiu a meta de terminar 2026 com dívida líquida abaixo de US$ 14 bilhões.

O que isso muda para quem tem a ação

Pouco no curto prazo, e nada no dividendo. Com a dívida como prioridade até chegar a US$ 11 bi em 2027, é difícil esperar provento acima dos R$ 1,12 por ação dos últimos 12 meses, um yield de cerca de 2,1% ao preço de sexta. O recorde não aumenta o seu pedaço do lucro, porque parte da receita nova é da sócia. O que decide a ação continua sendo o preço da celulose em dólar. A Arbex só reduz a dependência desse ciclo, ao custo de uma margem menor.

SUZB3: comprar ou vender depois do balanço?

As casas se dividem. A Ativa manteve recomendação neutra. O BTG manteve compra com preço-alvo de R$ 72 e reconheceu que o EBITDA ficou 2% abaixo do consenso. O Safra vê perspectiva para Suzano positiva. Antes do balanço, o Citi tinha cortado o preço-alvo sem mudar a recomendação de compra, um sinal de que o otimismo do mercado depende do câmbio.

A nossa conta não mudou de rótulo: manter. Nosso preço justo é de R$ 47,63, dentro de uma faixa larga de R$ 24,81 a R$ 68,22, porque os métodos discordam muito. A R$ 53,40, a ação negocia cerca de 11% acima desse ponto central. Ao lucro dos últimos 12 meses (R$ 6,62 por ação), o P/L fica em torno de 8 vezes. Não está cara para uma líder global, mas também não oferece margem de segurança. Quem quer aumentar a posição teria mais conforto perto do nosso preço justo.

  • Arbex entregou EBITDA acima do esperado no primeiro trimestre consolidado e diversificou a receita para fora da celulose.
  • Caixa operacional e fluxo livre ajustado cresceram, o que sustenta a meta de dívida de 2026.
  • A eliminação temporária de R$ 210 mi volta ao resultado quando a Arbex revender a celulose.
  • O recorde é contábil: sem a Arbex, a receita ficou estável, e 49% da joint venture é da Kimberly-Clark.
  • O lucro dependeu de derivativos; a Ativa estima cerca de R$ 0,7 bi sem esse efeito.
  • A margem EBITDA caiu 9 pontos e o custo da celulose rodou acima do previsto, o que deixa pouco espaço para dividendos maiores.