Vendemos o Tesouro IPCA+: caixa sobe para 35% Relevância10,0
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Vendemos o Tesouro IPCA+ e o caixa subiu para 35%

A decisão de trocar o título de longo prazo por caixa rendendo 14% ao ano após a volatilidade do Tesouro Direto.

Em 20 segundos
  • Mudança direta: Zeramos a posição de 5% no Tesouro IPCA+ (Renda+ 2065) e alocamos esse montante no caixa.
  • Novo caixa: A liquidez sobe de 30% para 35% do portfólio total, rendendo 14% ao ano na taxa Selic.
  • Transparência: A decisão foi tomada em 27/10 e registrada retroativamente com fechamento em 26/10 (taxa de IPCA+ 6,75%).

No nosso artigo anterior, publicado logo após as eleições em 26/10/2026, afirmamos categoricamente que não faríamos ajustes na carteira recomendada. Contudo, após avaliar a dinâmica das taxas durante o pregão daquele mesmo dia, mudamos de ideia. Não temos vergonha de voltar atrás quando identificamos que o cenário de risco e retorno mudou de figura.

Por que mudamos de ideia sobre a carteira?

Nós reavaliamos o risco fiscal e a oscilação intraday das taxas do Tesouro Direto. A abertura do mercado no dia 26/10 trouxe títulos IPCA+ de prazo muito longo operando perto de IPCA+ 7,4% ao ano, mas o fechamento do dia viu uma forte queda nas taxas, retornando para a faixa de IPCA+ 6,75% ao ano. Entendemos que essa taxa de fechamento não compensa o risco fiscal acumulado para um prazo de quase 40 anos, levando a equipe do canal a preferir a segurança do caixa remunerado a 14% ao ano.

Decidir não mudar é uma escolha diária, mas manter uma posição ruim por orgulho é um erro. Quando publicamos a análise inicial, nosso plano era deixar a alocação intocada. O comportamento do pregão de 26/10, no entanto, abriu uma janela para zerar um título de altíssima volatilidade sem incorrer em prejuízos pesados de marcação a mercado no encerramento do dia.

O que mudou na alocação da carteira

O ajuste foi pontual: saiu a renda fixa atrelada à inflação de longo prazo e entrou o caixa pós-fixado. A tabela abaixo resume exatamente como ficou a distribuição dos nossos ativos por classe a partir de 26/10/2026.

Classe / Setor Alocação Anterior Nova Alocação Visão / Status
Caixa (Pós-fixado) 30% 35% Otimista
Dólar (Moeda) 25% 25% Otimista
TLT (Treasuries EUA) 15% 15% Neutro
FIIs (Fundos Imobiliários) 10% 10% Neutro
Imóveis de Leilão 10% 10% Neutro
Ibovespa (Ações BR) 5% 5% Pessimista
Tesouro IPCA+ 5% 0% Pessimista
Ouro, S&P 500, Bitcoin 0% 0% Fora da carteira

Todo o restante da estrutura permanece rígido em 100%. A única movimentação física de recursos foi a transferência integral dos 5 pontos percentuais que estavam no Tesouro IPCA+ direto para a rubrica de Caixa.

Qual era o título e como funciona a marcação a mercado

O título vendido foi o Tesouro Renda+ 2065, o papel de vencimento mais longo da nossa renda fixa. Para o investidor pessoa física, é crucial compreender que títulos públicos IPCA+ de prazo dilatado se comportam quase como ações na tela das corretoras devido ao mecanismo conhecido como marcação a mercado.

Taxa do Título Sobe + Prazo Longo (2065) = Preço do Título Despenca

A marcação a mercado ajusta o valor do título diariamente. Se a taxa negociada pelo governo sobe, o preço do papel que já está no seu extrato cai para se igualar ao rendimento dos novos títulos. Quanto mais distante for a data de vencimento (como 2065), maior é a sensibilidade do preço a qualquer variação de 0,10% na taxa de juros. É o que chamamos no mercado de alta duration.

Quando a taxa do título cai, ocorre o inverso: o preço de face do papel sobe rápido. Foi exatamente esse movimento intraday no dia 26/10 que nos chamou a atenção e acelerou a nossa tomada de decisão.

Por que decidimos vender o Tesouro IPCA+ agora

O pregão de 26/10/2026 foi marcado por extrema volatilidade no Tesouro Direto. Na abertura dos negócios, o Tesouro Renda+ 2065 bateu marcas próximas a IPCA+ 7,4% ao ano. Ao longo do dia, contudo, houve um forte alívio comprador nas taxas, levando o encerramento das negociações para a casa de IPCA+ 6,75% ao ano.

Na nossa visão, uma taxa de IPCA+ 6,75% para um prazo de quase 40 anos é insuficiente frente ao risco fiscal do país. Não vemos uma perspectiva atraente para este papel nem na janela de curto prazo (com a Selic mantida no patamar elevado de 14% ao ano) e nem na visão de longo prazo, dado que o prêmio de risco fechou rápido demais em um único pregão.

Preferimos não carregar essa incerteza. Vender o título na faixa de IPCA+ 6,75% permitiu capturar o alívio do preço de fechamento e eliminar do portfólio um ativo que traria forte turbulência sem a devida compensação no rendimento real.

Como foi feito o registro e por que ele é retroativo

A honestidade com o leitor é o pilar do Rico aos Poucos. Nós tomamos a decisão efetiva de zerar a posição no dia 27/10/2026. Porém, para fins de precificação da carteira, consideramos o valor do ativo no fechamento do mercado do dia anterior, 26/10/2026, quando o título cravou a taxa aproximada de IPCA+ 6,75%.

Transparência na prática

O registro público no nosso log de operações (registro 0008 na seção de Transparência) foi gravado no dia 27/10, mas consta como "reconstituído" para o fechamento de 26/10. Não escondemos o intervalo entre a análise e a gravação do dado: a data da prova técnica do registro é 27/10.

Inconsistências de horário ocorrem na gestão real, e nós fazemos questão de documentá-las. Ao consultar nossa página de transparência, o leitor verá claramente a nota explicativa demonstrando por que o preço adotado retroagiu ao encerramento do pregão do dia 26.

O que NÃO mudou nas nossas posições

Apesar do movimento no Tesouro IPCA+, as demais posições permanecem exatamente nas mesmas proporções estratégicas. Os ativos expostos ao dólar (moeda americana em 25% e o ETF TLT em 15%) tiveram valorização recente e passaram a pesar proporcionalmente mais no patrimônio total.

Dólar & TLT 40%

Subiram de valor relativo. Estudamos reduzir uma fração para o caixa, mas sem pressa.

FIIs & Imóveis 20%

Mantidos em 10% cada. Rendimento mensal e ativos físicos protegendo a base.

Ibovespa 5%

Classificação em Pessimista mantida. Exposição mínima em ações brasileiras.

Ainda estudamos se vale a pena realizar lucro parcial no Dólar e no TLT para reforçar ainda mais o caixa. Se fizer sentido, executaremos sem afobação nos próximos meses, mantendo a disciplina de rebalanceamento.

O que a Selic em 14% faz com nosso caixa de 35%

Manter 35% do patrimônio em caixa não significa deixar dinheiro parado sofrendo com a inflação. Com a taxa Selic fixada no patamar de 14% ao ano, a renda fixa pós-fixada de liquidez imediata oferece um retorno nominal extremamente robusto com risco praticamente nulo.

Além de rentabilizar o patrimônio sem volatilidade, o caixa alto garante a nossa "pólvora seca". Em momentos de estresse de mercado ou de reprazida severa em ativos de risco, ter 35% da carteira prontos para alocação é a vantagem tática que permite aproveitar oportunidades sem precisar liquidar posições perdedoras às pressas.

Conclusão e aviso importante: Mudamos de ideia porque o mercado ofereceu uma taxa de saída no Renda+ 2065 que achamos desproporcional ao risco fiscal de longo prazo. Com isso, elevamos nosso caixa para 35%, garantindo 14% ao ano de rendimento sem a volatilidade da marcação a mercado.

Esta é a visão da equipe do canal e reflete exclusivamente a gestão do nosso portfólio demonstrativo — não é recomendação de investimento. Acompanhe a evolução detalhada na nossa página de Carteira Recomendada e confira o log auditável das operações na nossa seção de Transparência.