Nota 7.5/10 — BOA
Banestes tem 1 fundo analisado (BCRI11). Nota média 7.5/10 (BOA).
A Banestes DTVM S.A. é a distribuidora de títulos e valores mobiliários do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), instituição de economia mista controlada pelo Governo do Espírito Santo. Fundada em 1968 — originalmente como Sarval DTVM, depois Tranquilidade DTVM, com o nome atual desde 7 de março de 1977 —, a gestora possui mais de 55 anos de atuação no mercado de capitais brasileiro. Em 2023, reunia aproximadamente R$ 6,4 bilhões em ativos sob gestão distribuídos em 19 fundos (renda fixa, crédito privado, multimercado, ações e estruturado), posicionando-se como a principal gestora de recursos do Espírito Santo. A diretoria é composta por Vicente Duarte (presidente), Fabio Oliveira e Marcos Vargas, todos com Certificação de Gestores ANBIMA, inclusive para fundos estruturados.
O histórico da Banestes DTVM no segmento de fundos de investimento abrange mais de duas décadas com figurações consecutivas nos rankings de melhores gestoras do Brasil — do Guia Exame em 2002 ao Standard & Poor's em 2003. No FII, o pico de reconhecimento veio em 2021, quando o BCRI11 foi eleito 3º melhor fundo imobiliário do Brasil pelo Ranking Infomoney-Ibmec, avaliando consistência de retorno e controle de risco. A estrutura fiduciária do BCRI11 migrou do Banco Fator S.A. para a BRL Trust DTVM (atual grupo Apex) em 2018, que hoje acumula custódia, escrituração e administração — separação clara entre gestor e administrador. Não foram identificados processos sancionatórios ou irregularidades relevantes junto à CVM na pesquisa realizada, o que reforça o histórico de conformidade regulatória da gestora.
A Banestes DTVM opera com foco exclusivo em FII de papel (CRI) no segmento High Yield como seu único produto imobiliário público: o BCRI11. A estratégia combina crédito de baixo risco (AAA — Direcional, Rede D'or, Atacadão a IPCA+4,84%) com crédito de maior retorno (CRIs High Yield a IPCA+13,50%), buscando capturar spread sobre a Selic com carteira diversificada de 51 CRIs e patrimônio líquido de R$ 532,2 milhões. O fundo não cobra taxa de performance — diferencial raro no High Yield que melhora o resultado líquido do cotista —, cobrando apenas 1,0% a.a. de administração total. A gestão se destaca pela comunicação ativa: lives mensais com cotistas, relatórios com análise individual de cada CRI e monitoramento público dos casos em recuperação. Em 2025, a reciclagem de R$ 52 Mi em novos CRIs (~10% do PL) e a recuperação de R$ 7 Mi do CRI Skanix evidenciam a postura ativa da equipe de gestão frente ao desafio do ciclo de inadimplências.
A Banestes DTVM é adequada para o investidor que busca exposição ao crédito imobiliário High Yield com gestão pública responsável e comunicação acima da média do segmento. O BCRI11, negociado a P/VP ~0,71 com DY de ~16%, oferece margem de segurança real — mas exige tolerância ao risco de crédito concentrado nos casos em recuperação. O perfil ideal é o investidor renda moderado a agressivo, com horizonte de 2-3 anos para aguardar a resolução dos waivers e a normalização do P/VP. Para quem prioriza segurança de crédito acima de carrego, gestoras especializadas em High Grade são mais indicadas. O principal ponto de vigilância é o desfecho do CRI PESA (venda do galpão esperada para meados de 2026) — resolução positiva pode ser o catalisador para redução do desconto patrimonial.
Segmentos de atuação: Papel (CRI) — High Yield