Faria Lima Capital

Gestão referência — nota de gestão 8,1/10

A Faria Lima Capital entrega acima do mercado e faz o combinado. O melhor da casa é patrimônio do cotista (9,4); o principal ponto de atenção é entrega operacional (4,9).

1 fundos imobiliários, R$ 70,6 mi sob gestão, 2.595 cotistas.

O que sustenta o julgamento

  • Em 5 anos, o cotista da casa ganhou 10,0% ao ano (valor patrimonial + proventos), 3,8 pp acima do IFIX — média ponderada de 1 fundo.
  • Das 6 emissões de cotas medidas, 1 saíram abaixo do valor patrimonial (17%) — cada uma transfere patrimônio de quem já era cotista.
  • A administração custou 0,97% do patrimônio ao ano (8% do que foi distribuído); a mediana das gestoras é 0,75%.
  • 1 de 1 fundos publicam relatório gerencial todo mês no Fundos.NET; o informe da CVM sai no prazo em 96% dos meses.
  • A Faria Lima Capital tem um fundo só no acervo: não existe segundo track record para confirmar ou desmentir o que se vê aqui.

Pilares da gestão

  • Patrimônio do cotista: 9,4
  • Alocação de capital: 8,6
  • Custo da gestão: 7,9
  • Entrega operacional: 4,9
  • Palavra cumprida: sem medida
  • Transparência: 7,8

Sobre a Faria Lima Capital

A Faria Lima Capital Ltda. é uma gestora boutique independente credenciada pela CVM em dezembro de 2015 (Ato Declaratório 14.781), sediada no coração financeiro de São Paulo. O DNA da casa é creditício-imobiliário: seus dois sócios fundadores — Vicente Postiga Nogueira (Diretor de Gestão) e Marcos Ribeiro do Valle Neto — são também sócios da Habitasec Securitizadora, emissora de CRI desde novembro de 2010, com mais de 240 operações estruturadas totalizando R$ 12 bilhões em volume financeiro. O único veículo público da casa é o FLCR11, com patrimônio de R$ 70,7 Mi (abr/2026) e cerca de 2.800 cotistas.

Track record e governança

O diferencial mais robusto da Faria Lima Capital é o histórico de zero default desde o lançamento do FLCR11 em 2019 — algo raro num segmento que convive com inadimplências e retomadas de garantias. A governança é acima da média: relatório gerencial mensal com detalhamento ativo a ativo, comunicação frequente via entrevistas em canais como FII Fácil, Funds Explorer, Professor Baroni e Clube FII. A administração fiduciária é da BRL Trust DTVM (Apex Group, CNPJ 13.486.793/0001-42) e a auditoria independente é da Grant Thornton a partir do exercício 2024. A gestora é aderente aos códigos da ANBIMA e tem registro formal no portal da associação. O elo com a Habitasec é estrutural: a originação dos CRIs do FLCR11 se beneficia diretamente da rede de relacionamento e do know-how da securitizadora do grupo — um pipeline de oportunidades proprietário que poucos gestores de pequeno porte conseguem sustentar.

Estratégia e fundos sob gestão

Com um único veículo público, a estratégia é concentrada e coerente: CRI high yield de nicho, com duration curta a média (2,6 anos ponderados em abr/2026), LTV conservador (46,4%) e garantias reais obrigatórias em todas as operações — alienação fiduciária de imóveis, cessão de créditos e fundos de reserva. A taxa média ponderada da carteira é expressiva: IPCA+10,7% (76% dos ativos indexados ao IPCA) e CDI+7,1% (4% em CDI), sustentando um DY de 14,2% nos últimos 12 meses — equivalente a 112% do CDI líquido para pessoa física. Em março/2026, a alocação estava em 85,2% e em expansão, com integralização de novo CRI em Salvador (BA) prevista para o início do ano. A distribuição mensal oscila entre R$ 1,00 e R$ 1,40 por cota, com R$ 5,65 acumulados no primeiro semestre de 2026. O PL de R$ 70,7 Mi é enxuto — uma escolha de posicionamento: qualidade e seletividade acima de crescimento de escala.

Pontos fortes e de atenção

  • Zero default desde 2019 em CRI high yield, ao longo de mais de seis anos e em ciclos econômicos adversos
  • Originação proprietária via Habitasec: acesso a operações com relacionamento direto com emissores, sem dependência de distribuidoras terceiras
  • Transparência operacional elevada: relatório mensal detalhado por ativo e presença ativa nos principais canais especializados
  • LTV médio de 46,4% e garantias reais obrigatórias — proteção estrutural que diferencia do CRI high yield mais arriscado
  • DY consistente (14,2% em 12m), acima do CDI líquido, com rendimentos mensais entre R$ 1,00 e R$ 1,40
  • PL pequeno (~R$ 70 Mi) e liquidez secundária muito baixa: volume médio de R$ 37–100 mil/dia dificulta entrada ou saída de posições relevantes
  • Gestora monotética: todo o risco operacional recai sobre o FLCR11 — sem diversificação de estratégias ou receitas
  • Concentração de cotas: ~64% em mãos de fundos e family offices — um resgate relevante pode pressionar o mercado secundário
  • Taxa 1,0% a.a. + performance 20% é relevante para um PL enxuto, ainda que a entrega de yield justifique parte do custo

Para qual investidor faz sentido

A Faria Lima Capital é indicada para o investidor pessoa física conservador ou moderado que busca renda mensal isenta de IR, DY acima do CDI e tolerância a baixa liquidez. O FLCR11 funciona bem como posição de carregamento de longo prazo, não como instrumento de giro. Não é adequado para grandes alocações únicas (o volume diário não absorve facilmente) nem para investidores que precisam de saída rápida. O que vigiar: eventos de crédito nos CRIs (ainda que o histórico seja zero), movimentação dos grandes cotistas institucionais e qualquer alteração de estrutura da Habitasec — já que a originação do FLCR11 depende diretamente do grupo.

Faria Lima Capital tem 1 fundo analisado (FLCR11). Nota média 7.5/10 (BOA).

Segmentos de atuação: FII de Papel (CRI High Yield)

Fundos geridos por Faria Lima Capital

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