Kilima Gestão de Recursos

Nota 6.0/10 — RAZOÁVEL

Kilima Gestão de Recursos tem 1 fundo analisado (KIVO11). Nota média 6.0/10 (RAZOÁVEL).

A Kilima Gestão de Recursos (CNPJ 34.877.615/0001-12) é o braço de gestão de ativos do grupo Monte Bravo, autorizada pela CVM em abril de 2020. O Monte Bravo foi fundado em 2010 e evoluiu para uma plataforma financeira integrada — corretora, family office, mercado de capitais e gestão de fundos — com mais de 500 colaboradores e 10 escritórios distribuídos pelo Brasil (SP, RJ, RS, MG, PR, GO e DF). Com aporte estratégico da Trafalgar (ex-UBS/Itaú), Paulo Corchaki assumiu o comando da Kilima, que passou a ser identificada comercialmente como Kilima Asset e está em processo de renomeação para Monte Bravo Asset Management. O AUM consolidado do grupo na vertical de fundos gira em torno de R$ 2 bilhões, concentrado em crédito imobiliário (CRIs/CRAs) e fundos imobiliários.

Track record e governança

A gestora é jovem — início operacional em 2020 —, mas o grupo Monte Bravo tem trajetória de mais de uma década no mercado financeiro. O fundo-carro-chefe KIVO11 (Kilima Volkano Recebíveis Imobiliários) foi lançado em dezembro de 2021 e alcançou destaque em 2023 ao ser eleito o FII que mais pagou rendimentos no ano (DY 15,84%), segundo a plataforma Quantum Finance. A administração é terceirizada para a BRL Trust DTVM — escolha padrão em casas focadas em crédito —, e a supervisão regulatória é exercida pela CVM. O ponto de atenção de governança é a relativamente curta história institucional da gestora: sem um histórico completo de ciclo de crédito, a capacidade de reestruturação ainda está sendo testada na prática — como evidenciado pelo caso CRI Starbucks (devedor em RJ desde dez/2023, mediação judicial em andamento sem avanços concretos até meados de 2025).

Estratégia e fundos sob gestão

A Kilima opera com foco em crédito imobiliário de perfil high yield: carteiras de CRIs com taxas médias de IPCA+10,4% a.a. e CDI+4,3% a.a., direcionadas a operações de incorporação, loteamento, multipropriedade e recebíveis corporativos. O KIVO11 concentra esse DNA: PL de R$ ~200 milhões, 29 CRIs na carteira, duration de 2,72 anos, com gestão ativa de originação, monitoramento e reciclagem de ativos. A alocação mínima de 67% em instrumentos regulados (CRI, LCI, LIG, debêntures elegíveis) garante enquadramento CVM. Além do KIVO11, a Kilima/Monte Bravo Asset opera o KISU11 (FoF passivo atrelado ao índice Suno 30), demonstrando capacidade de atuar em arquiteturas distintas — ativo high yield e passivo indexado. A estratégia de crédito beneficia-se da integração com a Trafalgar, que ampliou o pipeline de originação com fundos de crédito privado em diversas gradações de risco.

Pontos fortes e de atenção

  • DY competitivo e histórico de distribuição acima da média: KIVO11 foi o maior distribuidor de rendimentos entre os FIIs em 2023 e segue entregando 17%+ isento de IR, sustentado por reserva acumulada de R$ ~57 MM.
  • Respaldo institucional do grupo Monte Bravo: 10 escritórios, 500+ colaboradores e integração com a Trafalgar conferem musculatura para originação e gestão que gestoras solo não possuem.
  • Taxa de administração competitiva (1,15% a.a.) com gestão ativa: o nível de fee é coerente com a proposta high yield sem ser predatório.
  • Payout acima do lucro corrente (125%): distribuição sustentada pela queima de reserva — quando o colchão se esgotar (estimativa 2–3 anos), o DPS sustentável cai para o nível do resultado corrente.
  • Créditos estressados na carteira: CRI Starbucks inadimplente desde dez/2023, com processo de mediação sem resolução definida até mid-2025. A capacidade de recuperação ainda está sendo provada.
  • Gestora jovem em processo de rebranding: transição de Kilima para Monte Bravo Asset Management traz ruído de identidade e incerteza regulatória até a conclusão junto à CVM/ANBIMA.
  • Base de cotistas pequena e deságio persistente: ~7.000 cotistas e P/VP 0,69 indicam liquidez limitada e ceticismo do mercado quanto à resolução do portfólio estressado.

Para qual investidor faz sentido

A Kilima/Monte Bravo Asset combina ambição em crédito high yield com respaldo institucional real, mas ainda carece do histórico longo que distingue as gestoras de referência do segmento. Faz sentido para quem busca exposição a CRI com DY elevado, aceita o risco de reestruturação e vê o deságio atual (P/VP 0,69) como entry point com margem de segurança. Não é adequado para quem exige DPS estável, histórico longo da gestora ou liquidez diária elevada. Pontos a monitorar: resolução do CRI Starbucks, evolução da reserva de distribuição e conclusão do rebranding para Monte Bravo Asset Management.

Segmentos de atuação: Papel — CRI Multicategoria (Outros)

Fundos geridos por Kilima Gestão de Recursos

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