Nota 6.5/10 — RAZOÁVEL
JPP Capital Gestão de Recursos tem 2 fundos analisados (OUJP11, JPPA11). Nota média 6.5/10 (RAZOÁVEL).
A JPP Capital Gestão de Recursos (CNPJ 13.516.035/0001-20) é uma gestora paulista de crédito privado e fundos imobiliários sediada na Vila Olímpia, em São Paulo, que iniciou operações em 2012 e carrega no DNA a herança do Grupo JPP — fundado em 1939 pela família Pinheiro, antiga controladora do Banco BMC, vendido ao Bradesco em 2007. Autorizada pela CVM desde o Ato Declaratório nº 11.763 (20/06/2011), a casa monta equipes com "no mínimo 20 anos de carreira" por especialidade e foca em CRI de incorporação, loteamento e crédito estruturado. No segmento de FIIs listados ela aparece com dois fundos de papel — OUJP11 e JPPA11 — somando um AUM estimado de ~R$ 420 milhões (OUJP11 ~R$ 329 M e JPPA11 ~R$ 91 M), além de mandatos não listados (FII JPP Capital de desenvolvimento, Positano FIC FIM e Somma Real Estate FIC FIM). É, portanto, uma gestora de menor escala, sem o brand recognition de Kinea ou BTG, mas com gestão de crédito genuinamente ativa. Nota consolidada: 6,5 — Razoável.
A estrutura de governança dos dois FIIs é homogênea: administração pela Finaxis CTVM (CNPJ 03.317.692/0001-94) e gestão JPP Capital — no caso do OUJP11, em co-gestão com a Fator ORE Asset, ligada ao Banco Fator. O histórico operacional mostra capacidade real de administrar estresse: no OUJP11, o evento de inadimplência do CRI Carvalho Hosken em 2024 (provisão de R$ 1,2 milhão) foi sanado até jun/2025 sem perda definitiva. A casa também aplica rating proprietário em ~80% dos ativos, substituindo agências externas — virtude de profundidade analítica, mas que reduz validação independente. O ponto que polui a leitura do track record longo está no JPPA11: o fundo já teve três nomes (VX XIV → JPP Allocation Mogno → JPP Capital Recebíveis Imobiliários), dificultando reconstruir sua série histórica. No campo de eventos societários, a JPP lidera desde set/2025 um movimento de consolidação: JPPA11 e VRTM11 propuseram adquirir 50% cada dos ativos do OUJP11 com dissolução do fundo; em out/2025 a VRTM11 (Fator Verità) revogou sua proposta, e a JPP manteve a sua sem liquidação. Em 01/06/2026 confirmou a retomada da operação com proposta atualizada (29/05/26), ainda pendente de aprovação formal dos cotistas.
Vistos em conjunto, OUJP11 e JPPA11 são variações da mesma tese de papel híbrido, com perfis complementares. O OUJP11 é o veterano (desde 2016, co-gerido): ~32 CRIs, 65% IPCA+10,1% e 34% CDI+5%, LTV 50%, duration 2,6 anos, DY 15,2% e P/VP 0,85. O JPPA11 é menor e solo: 28 CRIs (72% IPCA+10,8%, 25% CDI+5,5%, 3% IGPM+8,9%), LTV 47,9%, duration 2,7 anos, DY 16,7% e P/VP 0,85. Ambos cobram 1,05% a.a. de administração/gestão e 20% de performance sobre IMA-B+0,5%. A gestão ativa é o fio condutor dos dois: no OUJP11, 11 novas operações em 2024-26 a taxas elevadas (IPCA+10–12,68%, CDI+5–6%) e venda do CRI Trisul a TIR de 15,79% a.a.; no JPPA11, captação do CRI MAGO (mar/26), CRI Laken (out/25) e pré-pagamento do CRI Socicam Ilhéus a TIR de 19,53%. A consistência de dividendos é o melhor ativo da gestora: no OUJP11 o DPS subiu de R$ 0,82–0,91 (2024) para R$ 1,10 (mar/26) e R$ 1,50 (15/06/26); no JPPA11, de R$ 1,06 (jan/fev) para R$ 1,20 (abr) e R$ 1,35 (mai). Há dispersão de qualidade — nota 7,0 no OUJP11 contra 6,0 no JPPA11 —, refletindo o maior porte, a co-gestão e o crédito mais maduro do primeiro. A operação de M&A, se aprovada, poderia triplicar o JPPA11 absorvendo ativos do OUJP11 (e potencialmente do RBHG11), ganhando escala e liquidez.
A cobertura da JPP Capital interessa sobretudo ao investidor de renda focado em DY elevado: ambos os fundos entregam DY de 15–17% sobre a cota de mercado, com dividendos em trajetória crescente e P/VP ~0,85 oferecendo margem. Para o perfil orientado a evento, o JPPA11 carrega a tese adicional do M&A — potencial de ganho de escala e fechamento de desconto se a operação OUJP11 prosperar, mas é uma aposta com timing e aprovação incertos. Já o investidor conservador deve ponderar a escala reduzida da gestora, a ciclicidade da carteira de incorporação, os bolsões de LTV alto e a taxa de performance sobre um benchmark frouxo. O que vigiar daqui para a frente: o desfecho formal do M&A OUJP11 (proposta de 29/05/26), a evolução da inadimplência nos CRIs de LTV >76%, a sustentação do payout via reservas de caixa e a transparência sobre o AUM total não divulgado. Trata-se de uma gestora competente em crédito, honesta na comunicação e consistente em distribuição — porém pequena e em meio a uma reorganização societária que ainda precisa se concretizar.
Segmentos de atuação: Papel - CRI, Papel Híbrido (CRI)