Pelo calendário do InfoMoney, a semana de 9 a 13 de novembro gira em torno da inflação. No Brasil, Itaú e Bradesco projetam um IPCA de outubro entre 0,21% e 0,29%, e qualquer número nessa faixa afasta ainda mais a inflação do teto da meta. Isso dá ao Banco Central mais um motivo para deixar a Selic parada, e a Selic é o que define quanto rende o seu dinheiro na renda fixa e quanto valem FIIs e ações.
O que sai na semana de 9 a 13 de novembro?
São três eventos principais: a ata do Copom e o CPI americano na terça-feira (10), o IPCA de outubro na quinta-feira (12) e o índice de preços ao produtor dos EUA na sexta (13). O resumo do InfoMoney cita "quinta-feira (11)" para o IPCA, mas a quinta cai no dia 12. O IPCA cheio de outubro será divulgado em 12 de novembro, segundo a Agência Brasil, que segue o calendário do IBGE. Do lado americano, o próprio BLS informa que o CPI de outubro sai em 10 de novembro de 2026, às 8h30 da manhã (horário de Nova York).
| Dia | Brasil | Estados Unidos |
|---|---|---|
| Seg (9) | Boletim Focus, IGP-DI de outubro, balança comercial | — |
| Ter (10) | Ata do Copom | CPI de outubro |
| Qui (12) | IPCA de outubro (IBGE) | Pedidos de seguro-desemprego, resultado fiscal |
| Sex (13) | — | PPI (preços ao produtor) de outubro |
De todos esses, o que pesa no seu bolso é o IPCA. E aqui os grandes bancos não chegam ao mesmo número.
Quanto o IPCA de outubro deve marcar, e por que os bancos divergem?
O Bradesco espera uma alta mais forte, puxada pelos alimentos. O Itaú projeta um número menor, mas aponta que os serviços subjacentes (a parte da inflação que mostra a pressão persistente, sem os preços mais voláteis) seguem pressionados. Pela conta do Itaú, o acumulado em 12 meses sobe para 4,7%, ante 4,6% em setembro.
A prévia ajuda a entender por que os bancos discordam. O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, abaixo do esperado, mas a maior variação e o maior impacto vieram de Alimentação e Bebidas (0,88% e 0,19 p.p.). Quem dá mais peso à comida que continua subindo chega perto do número do Bradesco. Quem dá mais peso ao alívio da conta de luz chega perto do Itaú.
Mesmo a projeção mais baixa faz o acumulado subir, por causa do efeito base. A conta de 12 meses tira outubro de 2025, quando o IPCA foi de 0,09%, e coloca outubro de 2026 no lugar. A inflação acumula 4,58% em 12 meses e 3,95% em 2026, até setembro. Pela nossa conta, com a projeção do Itaú o acumulado vai a cerca de 4,71% (1,0458 × 1,0021 ÷ 1,0009). Com a do Bradesco, vai a cerca de 4,79%. Nos dois casos, a inflação fica acima do teto. A meta contínua definida pelo CMN é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos, então o teto corresponde a 4,5%. Para comparar a inflação oficial com a variação de preços que você sente no seu dia a dia, nossa página de inflação real comparada ao IPCA, mês a mês faz a conta.
Inflação acima do teto é exatamente o motivo que o Banco Central deu para parar de cortar juros. Por isso a ata de terça importa tanto quanto o IPCA.
O que a ata do Copom pode contar que o comunicado não contou?
A ata deve dizer se a pausa é curta ou longa. Em 4 de novembro, o Copom decidiu, de forma unânime, manter a Selic em 13,75% ao ano, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto. O comitê descreveu os juros como "substancialmente contracionista", ou seja, num nível que já freia a economia. Segundo o Itaú, o mercado vai procurar na ata como o comitê avalia a perspectiva de inflação, agora mais difícil, e quais são suas diretrizes para as próximas reuniões.
A Nomad apontou o detalhe que deve dominar a leitura da ata: o comitê retirou o trecho sobre a magnitude total do ciclo de calibração, o que pode indicar que os cortes chegaram ao fim, ao menos por ora. Se a ata confirmar essa leitura, ganham força projeções como a da Fecomércio-RS, que espera manutenção da Selic na última reunião de 2026 (9/dez), com retomada dos cortes em algum momento do 1º semestre de 2027.
As apostas já mudaram. Na prévia da decisão do Copom, o mercado ainda estava dividido entre corte e pausa. Num levantamento com 105 instituições, 72 apostavam na estabilidade dos juros e 33 esperavam um novo corte para 13,50%. Depois da decisão, o Focus passou a indicar Selic de 13,50% ao fim de 2026, ante 13,25% na pesquisa anterior.
Só que o Brasil não decide sozinho. Na mesma terça, os EUA divulgam o dado que pode reforçar ou aliviar a pressão vinda de fora.
Por que a inflação americana mexe com o seu dólar e a sua bolsa?
O CPI vai mostrar se o Fed, o banco central americano, tem motivo para subir juros, e juro mais alto nos EUA puxa dinheiro para fora de países como o Brasil. O payroll de sexta-feira foi forte. Os EUA criaram 165 mil vagas em outubro, contra uma previsão de 65 mil, segundo o Investing.com. Como o InfoMoney registrou, isso aumentou a chance de uma alta de juros nos EUA, e mesmo assim o Ibovespa subiu mais de 1%, acompanhando Nova York. O mesmo dado de emprego ajudou a derrubar as bolsas europeias, como mostramos na análise de por que as bolsas da Europa caíram na sexta.
A inflação americana já vem alta. O último CPI, de setembro, marcou 3,7% em 12 meses, acima da previsão de 3,6%, e o consenso para outubro no Investing.com é de alta mensal de 0,3%, metade dos 0,6% de setembro. Se outubro vier acima disso, o Fed fica mais perto de subir juros em dezembro, o dólar tende a se fortalecer e o real a perder valor. Um real mais fraco também pressiona o IPCA dos próximos meses, porque encarece produtos importados.
Juntando as duas inflações, o que muda na sua carteira? Depende de onde o IPCA cair.
O que cada resultado do IPCA muda para quem investe?
O acumulado em 12 meses já vai ficar acima do teto em praticamente qualquer cenário. Para o mercado, a pergunta que sobra é se ele sobe pouco ou muito. Os acumulados abaixo são estimativas nossas, com o mesmo efeito base da seção anterior.
Mostra que o alívio da energia superou a comida. Reforça a ideia de que os cortes voltam no início de 2027 e tende a reduzir as taxas dos títulos longos.
Confirma o cenário de Selic parada até dezembro. Pouco muda para quem já está posicionado.
Inflação de serviços espalhada, junto com um real fraco, empurra a retomada dos cortes para mais longe e pressiona prefixados, FIIs e ações de crescimento.
Para quem tem renda fixa pós-fixada, a conta favorece. Com Selic de 13,75% e inflação em torno de 4,7%, o juro real ex-post (já descontada a inflação passada) fica perto de 8,6% ao ano: 1,1375 ÷ 1,047 − 1. Os títulos atrelados à inflação também estão pagando muito. O Tesouro IPCA+ 2040 pagava IPCA + 7,62% e o IPCA+ 2050, 7,48% de juro real, segundo o Money Times, um dia depois do Copom. As taxas ficaram nesse nível pelo mesmo motivo que discutimos em o que esperar de dólar, bolsa, juros e FIIs após a reeleição: o mercado está cobrando um prêmio pelo risco fiscal.
Se você está no Tesouro Selic ou em CDBs pós-fixados, a pausa garante mais alguns meses de rendimento alto, e esta semana não muda isso. No Tesouro IPCA+ ou em FIIs de papel corrigidos pelo IPCA, inflação maior aumenta a correção que entra na distribuição, geralmente com um ou dois meses de defasagem. A desvantagem é que o preço dos títulos longos cai se a ata indicar juros altos por mais tempo. Em FIIs de tijolo e ações que dependem da queda dos juros, um IPCA acima da mediana do Focus adia a valorização que viria com os cortes. Nenhum desses resultados exige uma mudança imediata na carteira. Eles mudam o prazo das suas expectativas, não a lógica de cada investimento.
A semana vai responder uma pergunta só: a Selic fica em 13,75% apenas até dezembro ou até bem dentro de 2027? A ata de terça mostra como o Banco Central pensa, e o IPCA de quinta mostra se a inflação dá motivo para ele mudar de ideia.