Rico aos Poucos

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ALMI11 Torre Almirante — quórum 0,14% e dividendo zero em abril/2026
ALMI11: AGE aprovou DFs 2025 com apenas 0,14% de quórum. Dividendo abr/26 zerado após 22 meses de sequência.
VENDA Escritórios · Centro RJ Análise Mai/2026

ALMI11: 99,86% dos cotistas não apareceram nem para votar nas contas — e o dividendo zerou em abril

A AGE via Consulta Formal aprovou as DFs 2025 com 155 cotas de 111.177 votantes. Na semana seguinte, o informe de abril veio com R$ 0,00 de provento. O fundo virou zombie — não há quem o governe e quase não há quem consiga sair.

⚠️ Sou cotista. Vou ganhar ou perder? Devo vender ou aguentar?

Quem comprou a R$ 650 (cotação de 19/05/2026) está com -68% do patrimônio contábil: o VP/cota é R$ 2.048,45, mas o mercado paga R$ 650 — P/VP de 0,33.

Vender é caro: a liquidez diária de ALMI11 é de cerca de R$ 11 mil. Sair de uma posição relevante exige semanas e desconto adicional sobre o preço de tela.

Aguentar também tem custo: o dividendo de abril/2026 foi R$ 0,00, quebrando uma sequência de 22 meses. Com inadimplência 90+ em 42,35% e 57% dos contratos vencendo em 2025, meses adicionais de provento zero são o cenário-base, não a exceção.

Veredicto: ALMI11 não é uma tese de valor disfarçada de desconto. É um fundo onde o desengajamento dos cotistas se tornou prova material — e a baixa liquidez impede o mercado de fazer o ajuste que faria em qualquer outro ativo.

O retrato do fundo em maio/2026

0,14%
Quórum AGE (DFs 2025)
~155 de 111.177 cotas
R$ 0,00
Dividendo abr/26
Quebra de 22 meses
0,33
P/VP
68% abaixo do VP contábil
R$ 650
Cotação (19/05/26)
VP/cota: R$ 2.048,45
46,80%
Vacância
Andares 3-18 vazios há 2+ anos
42,35%
Inadimplência 90+ (4T25)
Contas a receber +44% em 4 meses
6,1%
DY trailing 12m
Inclui o zero de abr/26
~R$ 11k
Liquidez diária
R$ 247k/mês — saída travada
1.852
Cotistas
1.910 (out/25) → 1.852 (abr/26)

O que o quórum de 0,14% revela

Em 13/05/2026, a AGO de ALMI11 aprovou as demonstrações financeiras de 2025 — sem nenhuma deliberação estrutural: nenhum ajuste de gestão, nenhum plano para vacância ou inadimplência, nenhuma proposta de reposicionamento. Seis dias depois, o BTG Pactual divulgou o resultado de uma AGE via Consulta Formal (doc 1199416), aberta entre 17/04 e 18/05/2026, sobre a mesma pauta das contas anuais.

O resultado é o dado mais incômodo do ano para o fundo:

AGE via Consulta Formal — DFs 2025Resultado
Favoráveis84,34%
Contra9,04%
Abstenções6,63%
Quórum total (sobre 111.177 cotas emitidas)0,14%
Cotas que efetivamente votaram~155 cotas

Os 84,34% favoráveis incidem sobre uma base de cerca de 155 cotas. Não é maioria do fundo — é maioria de quem ainda tem interesse em opinar. Esse grupo é numericamente minúsculo: a 155 cotas × R$ 650 = cerca de R$ 100 mil em valor de mercado. Em um fundo de R$ 227,7 milhões de PL.

A combinação letal: não vota, não sai

Os 99,86% que não votaram nas contas se enquadram em uma de duas categorias:

  • Resignados: já assumiram o prejuízo emocionalmente e não acompanham mais o fundo. Para eles, ALMI11 virou um número vermelho no extrato que não compensa abrir.
  • Presos pela liquidez: com cerca de R$ 11 mil de giro diário, posições acima de R$ 50 mil exigem semanas para ser desmontadas — e qualquer pressão de venda derruba o preço imediatamente.

Não votar é o sintoma. A iliquidez é a doença.

A necessidade de uma AGE via Consulta Formal para deliberar o mesmo tema da AGO presencial é outro sinal: a assembleia ordinária de 13/05 pode ter sido inconclusiva por falta de quórum — e a alternativa digital, com um mês de janela de votação (17/04 a 18/05), conseguiu reunir apenas 0,14%. Um cotista médio deste fundo que participou da AGE tinha cerca de R$ 648 investidos (155 cotas ÷ 1.852 cotistas totais × R$ 650 — estimativa grosseira). Mas o ponto não é o tamanho da posição: é que a esmagadora maioria dos 1.852 cotistas não sentiu que valia a pena nem clicar "sim" na plataforma.

Por que o dividendo zerou em abril

O informe mensal de abr/2026 (doc 1187612, divulgado em 12/05) trouxe rentabilidade efetiva de -0,0009% e provento de R$ 0,00 por cota. Não houve retenção estratégica — não houve resultado para distribuir.

Métrica operacionalValorContexto
Contas a receber (abr/26)R$ 5,08 Mi+44% vs 4T25 (R$ 3,53 Mi)
Inadimplência 90+ dias (4T25)42,35%Quase metade do faturamento contratado
Outras obrigações a pagar (abr/26)R$ 4,75 MiDrenam caixa antes do distribuível
Reserva de contingênciaR$ 48 milSimbólica — constituída set/2025
Caixa em fundos RF (abr/26)R$ 9,67 MiLiquidez operacional — não distribui automaticamente

O depósito judicial de ITBI de R$ 2,47 milhões (execuções fiscais abr/2022) segue pendente. Quando contas a receber sobem 44% em quatro meses enquanto a inadimplência crônica supera 40%, o resultado mensal entra em terreno negativo — e a regra de distribuição de 95% sobre lucro simplesmente não tem lucro para se aplicar.

Histórico de DPS: a queda em uma tabela

MêsDividendo/cotaVariação
Mai/2025R$ 3,40
Jun/2025R$ 5,26+55%
Jul/2025R$ 3,93-25%
Ago/2025R$ 4,23+8%
Set/2025R$ 4,17-1%
Out/2025R$ 3,04-27%
Nov/2025R$ 4,82+59%
Dez/2025R$ 5,04+5%
Jan/2026R$ 4,53-10%
Fev/2026R$ 3,85-15%
Mar/2026R$ 3,20-17%
Abr/2026R$ 0,00-100%

A média móvel de 12 meses é R$ 3,46/cota — número que ainda sustenta o DY trailing de 6,1%, mas que olha para o passado. Os últimos quatro meses já mostravam a tendência: R$ 4,53 → R$ 3,85 → R$ 3,20 → R$ 0,00. Não foi uma surpresa; foi a confirmação.

Timeline: 7 anos sem dividendo, 22 meses de retomada, agora outra quebra

2017-20247 anos sem distribuir nada. Saída dos grandes locatários (óleo & gás/governo) esvaziou o prédio. ALMI11 entrou na lista dos "fundos esquecidos" do mercado.
Jun/2024Retomada da distribuição mensal após sete anos.
Set/2024WeWork quita inadimplência acumulada. Pico de R$ 7,47/cota — o teto da nova era.
Dez/2025Ajuste negativo de VP em -R$ 4,73 Mi (-R$ 42,55/cota). VP/cota cai de R$ 2.105 para R$ 2.062.
Abr/2026Dividendo R$ 0,00. Quebra de 22 meses de sequência. VP cai para R$ 2.048,45.
Mai/2026AGE Consulta Formal: quórum de 0,14%. 99,86% dos cotistas não opinaram sobre as contas anuais.

Vencimento de contratos: 57% já vencidos em 2025

O edifício Torre Almirante tem locatários relevantes (WeWork, Caixa Econômica Federal, Marsh Corretora, Kuehne+Nagel, DSV Air Sea, Altera Piranema, EDF EN do Brasil), mas a estrutura dos contratos é o problema:

Vencimento% dos contratosImplicação
2025 (vencidos/no vencimento)57%Maior parte do faturamento em renegociação imediata
202621%Pressão adicional nos próximos 12 meses
202714%Janela curta de estabilidade
2028+7%Base contratual mínima de longo prazo

Com 46,80% de vacância (andares 3-18 vazios há mais de dois anos) e 57% dos contratos vivos em renegociação no mesmo período, o gestor — BTG Pactual em gestão passiva, com Cushman & Wakefield na propriedade — não tem alavanca de preço. Os locatários remanescentes têm leverage; o fundo, não.

VP/cota em queda contínua

PeríodoVP/cotaVariação
Nov/2025R$ 2.105
Dez/2025R$ 2.062-R$ 43
Abr/2026R$ 2.048,45-R$ 14 adicionais

Queda de 2,7% em 5 meses em fundo mono-ativo indica ajuste negativo do valor justo do imóvel — coerente com vacância estrutural e inadimplência crescente. O P/VP de 0,33 não é oportunidade: é o preço que o mercado cobra para guardar um ativo de Centro do Rio com tese de turnaround incerta.

Comparativo com peers: posição 9/13 no bucket

FIINotaVeredictoObservação
HGPO115,2Topo do bucketEscritórios prime SP — outra liga
EDGA113,7Risco altoMono-ativo Centro/RJ, dor parecida, mas ainda distribui
HBRH113,6Risco altoHíbrido com componente de escritórios
ALMI113,5VENDAPosição 9/13 — quórum zero + DPS zero

Dentro do bucket "Tijolo · Escritórios · baixa qualidade", ALMI11 não é a opção mais arriscada por acidente. É a única em que o desengajamento dos cotistas se materializou em ato formal (AGE de 0,14%) e em que o provento já zerou. EDGA11 tem dor estrutural parecida no Centro do Rio, mas ainda distribui. HGPO11 está em outra categoria de qualidade e governança.

Três cenários para os próximos 12 meses

CenárioPressupostoDPS médio esperadoCota implícita
PessimistaInadimplência acima de 40%, vacância estacionada, mais 1-2 meses de DPS zeroR$ 1,50/mêsR$ 480-550
BaseRenegociação parcial dos contratos vencidos, inadimplência cai para 30-35%, DPS volta a R$ 2-3 irregularmenteR$ 2,50/mêsR$ 560-620
OtimistaRecuperação de inadimplentes + nova locação relevante nos andares vazios (andares 3-18)R$ 4,00/mêsR$ 700-800

O DCF estimado (CDI + 7% de desconto, refletindo risco mono-ativo + inadimplência crônica + governança esvaziada) aponta para preço justo de R$ 560 (faixa R$ 480-620). A cota atual a R$ 650 carrega prêmio sobre esse cálculo — o mercado ainda paga algo pela esperança implícita no desconto patrimonial, mas o fluxo de caixa real não sustenta.

📊 Veredicto — ALMI11 · Nota 3,5/10 · VENDA

  • Não comprar: P/VP 0,33 é desconto contábil, não desconto de fluxo de caixa. Sem distribuição, o desconto se eterniza — não necessariamente fecha.
  • Cotista atual: avaliar saída parcial nas janelas de liquidez disponíveis, aceitando desconto adicional sobre o preço de tela. Manter a posição inteira é apostar em recuperação que depende de gestão ativa — e a AGO + AGE de 0,14% mostrou que não há mandato político para isso.
  • Substitutos para quem quer laje corporativa: HGRE11, PVBI11, BRCR11 ou RCRB11 — diversificação de ativos, gestão ativa e governança viva.

Preço justo estimado: R$ 560 (faixa R$ 480-620). Cota atual: R$ 650.

O fundo que ninguém quer governar

A história de ALMI11 tinha um arco até maio: 7 anos sem dividendo, 22 meses de retomada, queda gradual no DPS. Em duas semanas, esse arco se fechou. A AGO aprovou as contas sem deliberação estrutural; a AGE confirmou que apenas 0,14% das cotas se importaram em participar; o informe de abril chegou com R$ 0,00 no campo de provento.

Não é coincidência que tudo tenha vindo junto. A governança dos FIIs depende de cotistas que apareçam — e cotistas que continuam aparecendo são, em geral, aqueles que ainda acreditam que o fundo pode mudar. O quórum de 0,14% é o sinal mais limpo de que essa crença evaporou.

O paradoxo é que a liquidez baixíssima (~R$ 11 mil/dia) não deixa os desencantados sair. O fundo que 99,86% dos cotistas ignoraram nas urnas em maio é o mesmo que vai prendê-los pelos próximos anos sem dividendo — e o desconto de 68% sobre o VP não é oportunidade: é o preço que o mercado cobra para guardar um ativo que ninguém mais quer governar.