GGRC11 — 11ª emissão, R$ 357 Mi em novos galpões e dividendo R$ 0,10 em análise
FII Logístico 11ª Emissão

GGRC11 usou caixa para pagar o R$ 0,10 em abril — e comprou R$ 357 Mi em galpões no mesmo mês

Gerou R$ 18,80 Mi. Distribuiu R$ 21,42 Mi. A diferença saiu do caixa. Mas os 3 novos galpões vão mais do que compensar isso em 2S26 — se a 11ª emissão completar o que foi planejado.

Atualização — 27/05/2026

Monitor Clube FII detectou dois novos pontos: (1) Macro positivo — vacância do mercado logístico nacional recuou para 5,62% no 1T26 (Cushman&Wakefield), vs 7,0% no 4T25 (Colliers), reduzindo o risco de re-locação dos contratos próximos do GGRC11. (2) Governança — cotistas relatam que uma AGE aprovou limitação de exercício de voto a 10% das cotas em matérias sensíveis; informação ainda sem confirmação em documento CVM oficial.

O que o cotista precisa saber agora
DPS mai/26 R$ 0,10 pago em 11/05 ✓
DPS jun/26 R$ 0,10 pago em 09/06 ✓
DY anual ~11,9% cotação R$ 10,03
P/VP 0,90 10% de desconto

Veredicto: ACUMULAR. O consumo de caixa em abril é temporário — reflexo do desinvestimento Covolan + novas aquisições ainda sem receita plena. Com DPS confirmado para maio e junho, o R$ 0,10 está seguro no curto prazo. O risco real está em 2027, quando 39% dos contratos vencem.

O que aconteceu em abril com o caixa

Resultado gerado R$ 18,80 Mi receita de locação R$ 19,43 Mi
Distribuição R$ 21,42 Mi R$ 0,10 × 214 Mi cotas
Consumo de caixa – R$ 2,63 Mi vs. equilíbrio em mar/26
Por quê? Transição Covolan saiu, novos galpões ainda sem receita

A receita de locação caiu de R$ 19,58 Mi (março) para R$ 19,43 Mi (abril) — queda pequena, mas suficiente para tornar o caixa negativo pela primeira vez em trimestres. O motivo é estrutural e temporário: o desinvestimento do ativo Covolan (que respondia por ~4,5% da receita) retirou fluxo antes que os novos ativos entrassem em operação plena.

O padrão deve persistir até o 2S26, quando Braspark (SC), Garuva A (SC) e CD3 Camaçari (BA) completam o ramp-up e adicionam receita à carteira. Até lá, o caixa acumulado e o próprio capital captado na 11ª emissão cobrem a diferença.

As 3 aquisições que consomem a emissão

Ativo Localização Valor Cap Rate ABL
Braspark B + C Garuva, SC (BR-101) R$ 192,3 Mi 10,20% a.a. 40.225 m² → 61.686 m²
Garuva A Garuva, SC (condomínio Braspark) R$ 88 Mi* 9,54% a.a. (médio) 22.789 m²
CD3 Camaçari Camaçari, BA (próx. BYD) R$ 77 Mi* 9,54% a.a. (médio) 27.565 m²
Total R$ 357,3 Mi ~9,9% médio ~130 mil m²

* Garuva A + CD3 Camaçari somam R$ 165 Mi (split estimado proporcional à ABL). Pagamento via compensação de créditos da 11ª emissão.

Os três ativos foram adquiridos com recursos da 11ª emissão de cotas — pagamento feito por compensação de créditos, sem saída de caixa. O 1º Período da emissão, encerrado em 30/04, captou R$ 352,58 Mi (31,3 milhões de cotas). O 2º Período está aberto até 29/05 com preço de R$ 11,25/cota. Cotação atual (R$ 10,03) abaixo do preço de emissão — risco de baixa adesão no 2º Período, mas execução parcial já garantiu os três ativos.

O portfólio após as aquisições

Imóveis 36 12 estados + 41 inquilinos
Vacância física 0,19% praticamente pleno
ABL total 786 mil m² +130 mil m² em absorção
WAULT 4,06 anos 39% vence até 2027

O portfólio é 99,81% ocupado. Contratos atípicos (BTS/SLB) respondem por 86,15% da receita — o que explica a consistência dos R$ 0,10/mês há 13 meses consecutivos. O contrato Renault (10,84% da receita) vence em dez/2026 e é o maior vencimento de curto prazo — renegociação bem-sucedida mantém o nível de distribuição; perda do contrato pressionaria o DPS em ~R$ 0,01/cota.

DPS: 13 meses consecutivos em R$ 0,10

Competência DPS DY mensal Observação
nov/25R$ 0,101,00%
dez/25R$ 0,101,01%
jan/26R$ 0,101,00%
fev/26R$ 0,100,97%
mar/26R$ 0,100,97%caixa equilibrado
abr/26R$ 0,100,97%caixa consumido (–R$ 2,63 Mi)
mai/26R$ 0,100,97%pago 11/05 ✓
jun/26R$ 0,100,99%pago 09/06 ✓
O que monitorar no 2S26
  • Renault (10,84% receita) — vence dez/2026: renegociação é o principal evento do ano. Contrato atípico — menos flexível pra sair, mas vencimento próximo exige atenção.
  • 2º Período da 11ª emissão (até 29/mai): adesão abaixo do esperado pode limitar novas aquisições além dos 3 já comprometidos.
  • Ramp-up dos novos galpões: Braspark já concluído; Garuva A + CD3 Camaçari condicionados a "condições precedentes" — atraso impacta receita.
  • CRIs vencem R$ 59 Mi em 2027: amortização pesada no próximo ano — emissão cobre parte, mas alavancagem IPCA+6,5% a 9,5% é custo relevante.

Por que o caixa negativo em abril não é o problema

Fundos logísticos em expansão frequentemente apresentam caixa temporariamente negativo durante ciclos de aquisição — é o custo de crescer. O GGRC11 captou R$ 352,58 Mi, comprou R$ 357 Mi em ativos novos e manteve o dividendo. A receita de locação dos 3 galpões ainda não entrou totalmente no caixa. Quando entrar — estimativa: 2S26 — o gap se fecha.

Fundos comparáveis como HGLG11, BTLG11 e BRCO11 apresentam DY anualizado entre 9% e 10,5%. O GGRC11, com DY de 11,9% a R$ 10,03 e P/VP de 0,90, entrega spread relevante com portfólio de qualidade. O desconto de 10% sobre o VP não está justificado pelos fundamentos atuais.

ACUMULAR — nota 7,0/10

Com 341.692 cotistas, 99,81% de ocupação e DPS R$ 0,10 confirmado até junho, o GGRC11 é um fundo logístico maduro num momento de expansão acelerada. O consumo de caixa em abril é o preço da aquisição de R$ 357 Mi em galpões — não é sinal de fragilidade. O risco que merece atenção está em 2027: 39% da receita vence, pico de amortização de CRIs, e o WAULT de 4,06 anos deixa pouca margem para renegociações malsucedidas.

Para aprofundar