Veredicto: VENDA — Nota 3.8/10
As demonstrações financeiras de 2025, auditadas pela Grant Thornton sem ressalvas, confirmam que o patrimônio chegou íntegro ao evento de liquidação: PL de R$ 115,09 Mi, resultado líquido 3,1× maior que em 2024 e caixa robusto. Isso é uma boa notícia para quem entrou apostando em arbitragem — mas não muda a recomendação. A cota negocia a R$ 79,99 contra um valor de entrega de R$ 89,70 em cotas do VVCR11, sem rendimentos no caminho e com liquidez mínima. A tese segue sendo arbitragem para perfil específico, e venda para quem precisa de fluxo.
O que as DFs 2025 confirmam
Em maio de 2026 foram publicadas as demonstrações financeiras de 31/12/2025 do HCHG11, com parecer da Grant Thornton sem ressalvas. O número mais relevante é o resultado líquido do ano: R$ 13,71 Mi, alta de 3,1× sobre os R$ 4,36 Mi de 2024. A receita total saltou de R$ 5,52 Mi para R$ 14,94 Mi, impulsionada pela marcação a mercado (MtM) positiva da carteira de CRIs IPCA+ ao longo do ano — efeito direto da abertura de spreads no segmento high grade no segundo semestre.
As despesas seguem comportadas em R$ 1,23 Mi no ano: R$ 797 mil de gestão (Hectare Capital, 0,70% a.a.), R$ 230 mil de administração (Vórtx, 0,20% a.a.) e R$ 32 mil de despesas jurídicas. Sem taxa de performance, sem surpresas no rodapé. A rentabilidade patrimonial fechou em 12,16% no ano.
Outra mudança marcante na estrutura patrimonial: o caixa saiu de literalmente R$ 1 mil em 31/12/2024 para R$ 9,97 Mi em 31/12/2025. Esse movimento, combinado com os R$ 19,67 Mi alocados em cotas de fundo de renda fixa, mostra que o gestor estava desmontando posição em CRIs e empilhando liquidez justamente para o processo de alienação. Os 13 CRIs remanescentes valem R$ 86,4 Mi (75,07% do PL), avaliados em Nível 2 de MtM — duration média de 2,49 anos e taxa média de IPCA + 7,09%.
Os dividendos pagos em 2025 totalizaram R$ 11,32 Mi, ou R$ 9,43/cota, uma média de R$ 0,786/mês. É um patamar consistente com fundos de papel IPCA+ ativos como KNIP11, AFHI11 e KNCR11 — só que esses três continuam pagando, e o HCHG11 parou.
Principais indicadores patrimoniais
| Indicador | 31/12/2024 | 31/12/2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Patrimônio Líquido | R$ 110,7 Mi | R$ 115,09 Mi | +4,0% |
| CRIs em carteira | R$ 105,3 Mi | R$ 86,4 Mi | −18,0% |
| Cotas de FI renda fixa | R$ 4,2 Mi | R$ 19,67 Mi | +368% |
| Caixa | R$ 0,001 Mi | R$ 9,97 Mi | muito relevante |
| Receita total no ano | R$ 5,52 Mi | R$ 14,94 Mi | +170,6% |
| Resultado líquido | R$ 4,36 Mi | R$ 13,71 Mi | +214,4% |
A tese continua a mesma
Se as DFs confirmam que o patrimônio está vivo e bem, por que manter a recomendação de venda? Porque o gatilho da decisão não é mais o desempenho operacional do fundo — é a mecânica da liquidação aprovada em 27/11/2025.
Naquela Consulta Formal, 43% dos cotistas aprovaram a alienação de 100% dos ativos ao VVCR11 por R$ 107,64 Mi, equivalente a R$ 89,70/cota. Com a cota negociando hoje a R$ 79,99, isso significa upside teórico de cerca de 12% — só que três pontos travam essa conta:
- O pagamento é em cotas do VVCR11, não em dinheiro. Quem segura HCHG11 hoje vira automaticamente cotista do VVCR11 no fechamento. O retorno final depende do preço da cota VVCR11 no dia do swap, não do P/VP atual do HCHG11.
- Não há cronograma firme. As condições precedentes da operação ainda estão pendentes. Pode levar semanas, pode levar trimestres — e o fundo não paga rendimentos no intervalo.
- Liquidez R$ 96 mil/dia, 569 cotistas. Posição de R$ 100 mil leva cerca de 5 pregões para liquidar sem pressão de preço. Quem precisa sair rápido come o spread.
Há ainda um deságio embutido na própria avaliação dos CRIs: o portfólio estava marcado a R$ 86,5 Mi e foi vendido por R$ 79,5 Mi, cerca de 8,7% abaixo. Na ponta da cota, isso é o que faz o VP/cota de R$ 95,91 cair para R$ 89,70 no valor de entrega — uma diferença de 6,5%. O mercado, ao precificar R$ 79,99, está exigindo um desconto adicional de 10,8% sobre esse preço de saída só para topar esperar.
Quem deve sair vs quem pode ficar
O perfil que ainda pode aceitar segurar HCHG11 é o do arbitragista paciente: investidor que tem caixa folgado, não depende do fluxo mensal, topa virar cotista do VVCR11 sem reclamar, e está disposto a esperar de 6 a 18 meses pela diferença entre R$ 79,99 e R$ 89,70 — descontando o risco de a cota VVCR11 cair no caminho.
Para todos os outros, o caso é claro: realizar a posição e migrar para fundos de papel IPCA+ ativos, com gestão presente, distribuição mensal regular e liquidez decente. KNIP11, AFHI11 e KNCR11 são os comparáveis mais óbvios no bucket de papel high grade — todos com track record de pagamento ininterrupto, volume diário muito superior e gestoras com novos veículos sendo lançados (sinal oposto ao do HCHG11, que está se encerrando).
O comparativo dentro do bucket papel high grade de médio risco (13 FIIs) coloca o HCHG11 em 13º lugar, atrás de JPPA11 (6.2), JSCR11 (6.1) e EXES11 (5.5). Não é uma questão de carteira ruim — é uma questão de fundo parado, sem fluxo, esperando fechar a porta.
As DFs 2025 auditadas são uma boa notícia para quem já está dentro: o patrimônio que vai ser entregue ao VVCR11 está confirmado, sem ressalvas. Mas boa carteira parada não paga aluguel. A recomendação segue VENDA, nota 3.8/10.