O que aconteceu com o KISU11 e o SNFF11?
Hoje, 13/10/2026, é o último pregão do fundo imobiliário KISU11 e do SNFF11; depois do fechamento, as cotas ficam travadas. Os dois fundos viram cotas do SNME11, entregues em 24/11. O fator oficial sai em 17/11; a estimativa é de ~0,755 SNME11 por KISU11 e ~8,30 por SNFF11.
O KISU11 (antigo Kilima, hoje sob gestão da Suno) e o SNFF11 são fundos de fundos — fundos imobiliários que, em vez de comprar prédios ou títulos diretamente, compram cotas de outros FIIs. Os dois serão liquidados: cada um usa sua carteira para subscrever cotas da 3ª emissão do Suno Multiestratégia (SNME11) e, na liquidação, repassa essas cotas aos próprios cotistas. A fusão do KISU11 foi aprovada na assembleia encerrada em 18/05/2026 (quórum de 35,93%, aprovação de 30,54% das cotas); a do SNFF11, em assembleia entre outubro e novembro de 2025.
Os fatos relevantes de 28/09 revisaram o cronograma divulgado em setembro: a entrega das cotas do SNME11 passou de 23/11 para 24/11, e o fator de proporção, de 18/11 para 17/11. Os artigos sobre o fim do KISU11 e sobre o fim de negociação do SNFF11 trazem a versão anterior das datas; vale a tabela abaixo.
Qual é o cronograma completo?
O KISU11 e o SNFF11 seguem exatamente o mesmo calendário. A data-base — o dia que define quem tem direito a receber as cotas novas — é hoje.
| Data | Evento | O que significa |
|---|---|---|
| 13/10 | Último dia de negociação e data-base | Quem tiver cotas no fechamento entra na troca; depois, nada se negocia nem se transfere |
| 16/10 a 16/11 | Envio do custo médio de aquisição | Pelo Portal do Investidor do BTG Pactual (administradora); o dado enviado não pode ser alterado |
| 17/11 | Fator de proporção e valor da amortização em dinheiro | Número oficial de SNME11 por cota |
| 18/11 | Data-base do evento | Referência da liquidação |
| 24/11 | Entrega das cotas do SNME11 | Cotas aparecem na custódia da corretora |
| 17/11 a 26/11 | Apuração do IR | Cálculo dos 20% retidos sobre o ganho |
| 27/11 | Pagamento do caixa remanescente | Dinheiro que sobrou nos fundos, incluindo o leilão das frações |
Como funciona a troca e quantas cotas de SNME11 eu recebo?
A conta é uma divisão de patrimônio. Cada cota de KISU11 carrega uma fatia do valor patrimonial (VP) — o valor dos ativos do fundo, menos as dívidas, dividido pelo número de cotas. Esse patrimônio compra cotas da 3ª emissão do SNME11, que custam R$ 9,64 de preço de emissão mais R$ 0,36 de taxa de distribuição, ou R$ 10,00 no total. A taxa de distribuição é o custo de colocar as cotas novas no mercado; ela não vira patrimônio do fundo.
Fator estimado = VP por cota do fundo que sai ÷ preço da cota nova do SNME11.
O documento da emissão diz que a taxa de R$ 0,36 é devida pelos subscritores, inclusive no direito de preferência, e não há isenção escrita para o KISU11 nem para o SNFF11. Por isso a estimativa principal usa R$ 10,00; a coluna ao lado mostra o caso de R$ 9,64, se a taxa não for cobrada na integralização.
| Fundo | VP/cota (ago/26) | Fator a R$ 10,00 | Fator a R$ 9,64 | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| KISU11 | R$ 7,5549 | ~0,755 | ~0,784 | 1.000 cotas → ~755 SNME11 |
| SNFF11 | R$ 83,0027 | ~8,30 | ~8,61 | 100 cotas → ~830 SNME11 |
Os números de partida vêm dos informes mensais de agosto: o KISU11 tinha PL de R$ 449,8 milhões, 59.544.167 cotas e 98.266 cotistas; o SNFF11, PL de R$ 333,7 milhões e 4.020.635 cotas.
Por que o fator é só uma estimativa
Três coisas mudam o número até 17/11. Primeiro, o VP de agosto não é o VP da integralização: os ativos do KISU11 entram "pelo valor de mercado à época da integralização", então a oscilação dos FIIs da carteira entre agosto e novembro muda a conta (os do SNFF11 entram pelo valor contábil, que para FII listado é praticamente o mesmo número). Segundo, a liquidação tem custos ainda não quantificados. Terceiro, a cobrança ou não da taxa de R$ 0,36. As frações de cota são agrupadas, vendidas em leilão e pagas em dinheiro.
Quanto imposto vai ser retido e como informar o custo médio?
A liquidação é tratada como resgate: a administradora retém 20% de imposto de renda na fonte sobre o que exceder o custo médio de aquisição de cada cotista. Quem comprou acima do VP não tem ganho e, portanto, não tem imposto a reter. Os documentos não detalham se a retenção sai em dinheiro ou em cotas.
O custo médio precisa ser informado no Portal do Investidor do BTG Pactual entre 16/10 e 16/11. Quem não informar terá como custo o menor preço histórico de negociação do fundo — o que maximiza o ganho calculado e, com ele, o imposto. Os dados enviados não podem ser corrigidos depois.
| Exemplo: 1.000 KISU11 (valor de ~R$ 7,55/cota) | Custo usado | Ganho | IR retido (20%) |
|---|---|---|---|
| Comprou a R$ 9,00 e informou | R$ 9.000 | nenhum | R$ 0 |
| Comprou a R$ 6,20 e informou | R$ 6.200 | R$ 1.355 | ~R$ 271 |
| Não informou (mínimo histórico hipotético de R$ 5,00) | R$ 5.000 | R$ 2.555 | ~R$ 511 |
A última linha usa um valor hipotético de R$ 5,00 só para mostrar o mecanismo: o cotista que pagou R$ 9,00 e não informou o custo passaria de imposto zero para algumas centenas de reais retidos.
O IR retido agora não é necessariamente perda definitiva
Inferência que precisa ser confirmada no informe de rendimentos: o custo de aquisição das cotas de SNME11 recebidas tende a ser o valor pelo qual foram integralizadas, perto de R$ 10,00. Se for assim, o imposto retido na liquidação funciona em parte como adiantamento — uma venda futura do SNME11 abaixo desse custo gera prejuízo, que pode ser compensado em ganhos posteriores com FIIs.
Quanto custa uma cota de SNME11 pelo caminho do KISU11 ou do SNFF11?
Para quem compra KISU11 ou SNFF11 pelo preço de hoje, ou para quem compara o que tem com o que vai receber, dá para calcular o custo efetivo por cota de SNME11: preço da cota antiga dividido pelo fator. Com o imposto, soma-se o IR retido sobre a diferença entre o VP e esse preço. Todos os números abaixo são ESTIMATIVAS com cotações aproximadas de hoje (KISU11 ~R$ 6,20, P/VP ~0,82; SNFF11 ~R$ 72,79, P/VP ~0,88; SNME11 ~R$ 9,57).
| Caminho | Custo por SNME11 (sem IR) | Custo por SNME11 (com IR) | P/VP efetivo |
|---|---|---|---|
| Via KISU11 a R$ 6,20 (taxa de R$ 0,36 cobrada) | ~R$ 8,21 | ~R$ 8,57 | ~0,85 a ~0,89 |
| Via KISU11 a R$ 6,20 (sem a taxa) | ~R$ 7,91 | — | ~0,82 |
| Via SNFF11 a R$ 72,79 (taxa cobrada) | ~R$ 8,77 | ~R$ 9,02 | ~0,91 a ~0,94 |
| SNME11 direto na bolsa | ~R$ 9,57 | — | ~1,00 (VP ago/26 R$ 9,59) |
O IR estimado é de ~R$ 0,27 por KISU11 (20% de R$ 7,55 − R$ 6,20) e ~R$ 2,04 por SNFF11. O P/VP efetivo compara o custo com os R$ 9,64 de patrimônio que cada cota nova carrega — os R$ 0,36 da taxa saem do caminho e não ficam no fundo. P/VP é preço sobre valor patrimonial: abaixo de 1, paga-se menos do que o patrimônio contábil correspondente.
A diferença entre ~R$ 8,21 e os R$ 9,57 do SNME11 de hoje não é o mesmo que um desconto sobre patrimônio. O preço atual do SNME11 é o de um fundo pequeno, de R$ 71 milhões, antes da chegada de dezenas de milhões de cotas novas; não há garantia de que ele se mantenha depois de 24/11. Para quem já tem KISU11 ou SNFF11, a relação com o patrimônio já está dada pelo VP de cada fundo: o cotista passa a ter SNME11 com custo de integralização de ~R$ 10,00.
Que preço o mercado já embute para o SNME11 depois da fusão?
KISU11 e SNFF11 vão virar a mesma coisa — cotas de SNME11. Por isso, o preço de cada um hoje revela quanto o mercado está pagando, por aquele caminho, pela cota futura do fundo consolidado. Dividindo o custo por SNME11 pelos R$ 9,64 de patrimônio de cada cota nova, chega-se ao P/VP implícito (ESTIMATIVA, cotações do pregão de 13/10, sem IR):
| Caminho | Custo por SNME11 | P/VP implícito | Cotas novas que gera |
|---|---|---|---|
| KISU11 a R$ 6,22 ÷ 0,755 | ~R$ 8,24 | ~0,85 | ~45 milhões |
| SNFF11 a R$ 72,79 ÷ 8,30 | ~R$ 8,77 | ~0,91 | ~33 milhões |
| Média ponderada pelas cotas | — | ~0,88 | ~78 milhões |
| SNME11 hoje na bolsa (R$ 9,54) | — | ~0,99 | 7,4 milhões existentes |
O fundo consolidado terá um preço só, formado por quem comprar e vender SNME11 a partir de 24/11 — não é uma média dos descontos dos fundos de origem. O que a tabela mostra é a expectativa embutida hoje: os cotistas do KISU11, que vão gerar mais da metade das cotas novas, aceitam um desconto maior (~0,85) do que os do SNFF11 (~0,91). O preço atual do SNME11, perto de 1,0 do patrimônio, é o de um fundo de R$ 71 milhões antes da chegada de ~78 milhões de cotas.
Vender hoje ou converter: a conta para 1.000 cotas de KISU11
Exemplo com 1.000 cotas de KISU11, custo médio hipotético de R$ 6,70 e venda hoje a R$ 6,22. Vendendo, o cotista recebe R$ 6.220. Convertendo, recebe ~755 cotas de SNME11 (R$ 7.278 de patrimônio) e tem ~R$ 170 de IR retido (20% de R$ 7,55 − R$ 6,70, por cota). O valor de mercado dessas cotas depende do P/VP em que o SNME11 negociar depois de 24/11 (ESTIMATIVA):
| P/VP do SNME11 pós-fusão | Valor das ~755 cotas, já sem o IR | Diferença para vender hoje (R$ 6.220) |
|---|---|---|
| 0,80 | ~R$ 5.650 | −R$ 570 |
| 0,85 | ~R$ 6.020 | −R$ 200 |
| 0,88 | ~R$ 6.235 | ~zero |
| 0,90 | ~R$ 6.380 | +R$ 160 |
| 0,95 | ~R$ 6.745 | +R$ 525 |
O ponto de empate fica perto de 0,88 do patrimônio — o mesmo número que a média ponderada da tabela anterior. Dois ajustes de imposto mexem pouco nessa conta, e para lados opostos: quem vende abaixo do custo realiza um prejuízo que pode abater ganhos futuros com FII; quem converte passa a ter SNME11 com custo perto de R$ 10, e uma venda futura abaixo disso também gera prejuízo compensável. Quem tem custo médio menor que o VP paga mais IR na conversão e desloca o empate um pouco para cima.
O valor de tela só vira resultado se a cota for vendida. Para quem mantém pela renda, a conta relevante é outra: o material da assembleia estima resultado recorrente de ~R$ 0,09 por cota de SNME11, o que dá ~R$ 68 por mês para as 755 cotas do exemplo, contra os ~R$ 70 por mês que 1.000 KISU11 rendiam com o último pagamento de R$ 0,07 (ESTIMATIVA; não inclui ganhos extraordinários).
As duas trilhas de quem tem KISU11 ou SNFF11 hoje
| Trilha | O que acontece | O que implica |
|---|---|---|
| Vender até o fechamento de hoje | Recebe o preço de mercado (KISU11 ~0,82 do VP; SNFF11 ~0,88) | Encerra a exposição; eventual ganho na venda segue a regra comum de FII (20% via DARF pelo próprio investidor); não participa do SNME11 |
| Manter e receber SNME11 | Cotas bloqueadas de 14/10 a 24/11; troca pelo VP na integralização | Sem liquidez por ~6 semanas; exposição ao preço dos FIIs da carteira até a avaliação; IR retido na fonte; obrigação de informar o custo médio até 16/11 |
O último rendimento do KISU11 foi de R$ 0,07 por cota (data-base 15/09, pago em 25/09). Para comparação, R$ 0,07 por KISU11 equivale a ~R$ 0,093 por cota de SNME11 recebida (ESTIMATIVA, 0,07 ÷ 0,755).
O que o SNME11 entregou até aqui?
O SNME11 tem hoje PL de R$ 71,16 milhões e 7.418.243 cotas. O VP por cota oscilou pouco nos últimos 12 meses: R$ 9,637 em set/25, R$ 9,614 em dez/25, R$ 9,495 em mar/26, R$ 9,434 em mai/26, R$ 9,626 em jun/26, R$ 9,720 em jul/26 e R$ 9,592 em ago/26. A tabela abaixo, montada a partir dos relatórios gerenciais, separa o que é recorrente do que é pontual.
| Mês | Resultado/cota | Rend. FIIs + juros CRI (R$ mil) | Ganho de capital bruto (R$ mil) | Distribuição | Reserva/cota |
|---|---|---|---|---|---|
| set/25 | 0,3193 | 309 + 353 | 2.195 (IR −439) | 0,15 | 0,1954 |
| out/25 | 0,0851 | 391 + 281 | 0 | 0,15 | 0,1310 |
| nov/25 | 0,0883 | 412 + 239 | 0 | 0,15 | 0,0624 |
| dez/25 | 0,1215 | 397 + 327 | 556 (performance −456) | 0,15 | 0,0339 |
| jan/26 | 0,1174 | 473 + 408 | 17 | 0,10 | 0,0513 |
| fev/26 | 0,0884 | 411 + 307 | 0 | 0,10 | 0,0397 |
| mar/26 | 0,1507 | 570 + 249 | 335 | 0,10 | 0,0904 |
| abr/26 | 0,1463 | 534 + 100 | 391 FII + 144 ações | 0,10 | 0,1000 |
| mai/26 | 0,0883 | 581 + 91 | −55 | 0,15 | 0,0429 |
| jun/26 | 0,2440 | 362 + 105 | 1.519 (IR −208) | 0,22 | 0,0669 |
| jul/26 | 0,4951 | 544 + 95 | 52 FII + 2.945 CRI | 0,10 | 0,4620 |
| ago/26 | 0,0965 | 526 + 35 | 130 (IR −26) | 0,10 | 0,3938 |
O relatório de agosto revisa o ganho de junho para R$ 1.039 mil e o resultado do mês para R$ 1.330 mil. O mesmo relatório mostra a reserva de agosto como R$ 0,3938 por cota no texto e R$ 0,4938 no quadro — uma inconsistência do próprio documento.
A parte recorrente — rendimentos dos FIIs da carteira mais juros dos CRIs, antes de despesas — fica em torno de R$ 0,08 a R$ 0,10 por cota por mês. Os meses fortes vieram de eventos pontuais: em set/25, um ganho de capital de R$ 2,2 milhões; em jun/26, a liquidação e amortização do RLGX11 (TIR de 52,5% ao ano, cerca de R$ 0,16 por cota), uma venda a descoberto em GGRC11 (R$ 146 mil) e arbitragens em RBVA11 (R$ 117 mil) e SNEL11 (R$ 102 mil); em jul/26, um ganho de R$ 2,9 milhões num CRI. Também se vê o peso dos juros de CRI caindo, de R$ 300–400 mil por mês até o início de 2026 para R$ 35 mil em agosto.
O que é a "arbitragem" do SNME11
Na linguagem da gestão, arbitragem são operações long-short em pares de fundos que estão em conversão ou incorporação: compra-se o fundo que negocia mais barato em relação ao que vai receber e vende-se a descoberto o outro, capturando a diferença quando a operação se conclui. Exemplos citados nos relatórios: BRCO11 (R$ 290 mil entre março e abril), GGRC11, RBVA11 (cerca de R$ 650 mil no semestre), o par PATL11 × HGLG11 (encerrado em julho) e HGRU11 (R$ 130 mil em agosto). Há ainda uma venda tática a descoberto de HGLG11 em dez/25 e compras com desconto no mercado secundário (SNEL11, RELG11/RLGX11). No 1º semestre de 2026, essas operações somaram cerca de R$ 869 mil, ou ~R$ 0,11 por cota. A gestão descreve a capacidade como "consistente", mas não promete recorrência.
O que muda no SNME11 depois da fusão?
Diluição é o efeito de um número grande de cotas novas sobre cada cota existente: o patrimônio cresce junto, mas qualquer valor fixo em reais passa a ser dividido por mais gente. É o ponto central desta operação.
| ESTIMATIVA | Cotas | Participação |
|---|---|---|
| SNME11 atual | 7,4 milhões | ~9% |
| Novas via KISU11 (R$ 449,8 mi ÷ R$ 10) | ~45 milhões | ~52% |
| Novas via SNFF11 (R$ 333,7 mi ÷ R$ 10) | ~33 milhões | ~39% |
| Fundo consolidado | ~86 milhões | PL de ~R$ 830–890 mi |
O material da assembleia do KISU11 (fev/2026) estimava o consolidado em cerca de R$ 890 milhões; pelos VPs de agosto e descontada a taxa de distribuição, a conta fica perto de R$ 830 milhões. Os efeitos práticos:
- Arbitragem pesa menos por cota. O mesmo ganho em reais, dividido por ~86 milhões de cotas, vale cerca de 1/12 do que valia. Os ~R$ 0,11 por cota do 1º semestre virariam ~R$ 0,01. Operações desse tipo dependem do tamanho da posição e da liquidez dos pares, que não crescem na mesma proporção do fundo.
- A reserva se dilui. Até junho, a gestão dizia que distribuiria toda a reserva antes da fusão; em julho e agosto, passou a dizer que ela será mantida como colchão para eventuais perdas antes da consolidação. A reserva de ~R$ 0,39 por cota soma cerca de R$ 2,9 milhões; se for mantida e distribuída depois da entrada das cotas novas, equivale a ~R$ 0,03 por cota.
- A carteira muda de cara. Hoje o SNME11 tem 28 ativos: 66,5% em FIIs, 26,3% em caixa, 6,9% em CRI e 0,3% em ações. Os maiores são Alianza Renda+ (13,81%), SNEL11 (7,95%), TRXY11 (5,61%), IBBP11 (4,31%), SNFZ11 (4,19%) e o CRI Vanguarda (3,73%). Depois da fusão, a carteira passa a ser majoritariamente a dos fundos de fundos do KISU11 (36 FIIs) e do SNFF11 — um fundo de fundos grande, com uma parcela menor de CRIs e operações táticas.
- Duas carteiras de fundos de fundos bem diferentes. O KISU11 segue o Índice Suno 30: 36 FIIs grandes e líquidos com pesos quase iguais, perto de 3,4% cada — BTLG11, KNRI11, VISC11, HSML11, MXRF11, CPTS11, KNHY11, LVBI11, XPLG11, HGBS11 entre os maiores — e pouca rotação. O SNFF11 tem gestão ativa e 71 ativos (dados de fev/2026), dos quais só 9 também estão no KISU11; os maiores são PISA7 (11,5%, logística em desenvolvimento), REC11 (8,3%), ROMA6 (6,5%) e TRXH11 (5,7%), com classes de cotas de baixa negociação entre as principais posições. No dia 1, mais da metade do fundo consolidado será a carteira que veio do KISU11. Daí em diante, quem define a carteira é o regulamento do SNME11 — multiestratégia, com gestão ativa, CRIs diretos, caixa tático e operações long-short —, que permite girar as posições recebidas.
- O CRI Vanguarda perde peso. Com rating D e em recuperação desde a assembleia de credores de agosto de 2025, ele representa 3,73% do fundo atual; no consolidado, a exposição cai para menos de 0,5% do PL (ESTIMATIVA). O LTV médio dos CRIs — dívida sobre o valor da garantia — é de 55,68%.
- Oferta nova no mercado. Cerca de 100 mil cotistas novos recebem cotas em 24/11, todos ao mesmo tempo. Parte deles pode vender; o volume de cotas disponíveis no secundário aumenta de forma abrupta em relação ao fundo de hoje.
Taxas: o que o cotista do KISU11 passa a pagar
| Item | KISU11 hoje | SNME11 (regulamento de 26/08/2026) |
|---|---|---|
| Taxa global | 0,60% a.a. | 0,99% a.a. sobre o PL (ou valor de mercado, se o fundo entrar em índice como o IFIX); mínimo de R$ 22 mil/mês; 0,20% administração + 0,79% gestão |
| Taxa de performance | Não há | 20% do que exceder IPCA + yield do IMA-B, apurada por semestre |
A taxa de performance já foi cobrada: custou R$ 456 mil em dez/25. Em reais, a taxa global de 0,99% sobre R$ 9,64 de patrimônio por cota dá cerca de R$ 0,095 por ano, ou ~R$ 0,008 por mês (ESTIMATIVA). O material da assembleia do KISU11 estimava um resultado recorrente de R$ 0,09 por cota para o fundo consolidado — o que, multiplicado pelo fator de ~0,755, corresponde a cerca de R$ 0,068 por KISU11 antigo, próximo dos R$ 0,07 que o KISU11 vinha pagando.
E quem já tem SNME11?
Não há nada a fazer operacionalmente: as cotas continuam negociando normalmente. O que muda é o fundo. O cotista atual passa a representar cerca de 9% de um patrimônio dez vezes maior, a reserva acumulada passa a ser dividida com os novos cotistas se não for distribuída antes, e a contribuição das operações táticas por cota encolhe. Em contrapartida, o fundo ganha escala e liquidez, e o piso de R$ 22 mil por mês da taxa deixa de ser relevante. No direito de preferência da 3ª emissão, encerrado em 04/09, terceiros subscreveram apenas 2.161 cotas novas — praticamente toda a emissão será absorvida pelo KISU11 e pelo SNFF11. Se o fundo entrar em índices como o IFIX, a base de cálculo da taxa passa a ser o valor de mercado, e não o patrimônio.
O que acompanhar daqui para frente
| Quando | O que observar |
|---|---|
| Até 16/11 | Envio do custo médio no Portal do Investidor do BTG Pactual (sem possibilidade de correção) |
| 17/11 | Fator oficial de proporção e valor em dinheiro — e se a taxa de R$ 0,36 foi cobrada |
| 17/11 a 26/11 | Forma de retenção do IR (dinheiro ou cotas), ainda não detalhada |
| 24/11 | Entrega das cotas e primeiro pregão do SNME11 com a base nova de cotistas |
| 27/11 | Pagamento do caixa remanescente e das frações vendidas em leilão |
| Dezembro em diante | Política de distribuição do fundo consolidado, destino da reserva e informe de rendimentos com o custo das cotas recebidas |
Resumo
Hoje é o último pregão do KISU11 e do SNFF11. Quem mantiver as cotas recebe SNME11 em 24/11, na proporção estimada de ~0,755 por KISU11 e ~8,30 por SNFF11 (oficial em 17/11), com 20% de IR retido sobre o ganho acima do custo médio — que precisa ser informado entre 16/10 e 16/11. O SNME11 que sai da fusão é outro fundo: cerca de dez vezes maior, majoritariamente um fundo de fundos, com taxa de 0,99% ao ano mais performance, e com as operações táticas e a reserva que marcaram o último ano diluídas por ~86 milhões de cotas. Pelos preços de hoje, o mercado embute um P/VP de ~0,85 (via KISU11) a ~0,91 (via SNFF11) para o SNME11 pós-fusão; para quem tem KISU11, converter ou vender hoje empata perto de 0,88. A renda recorrente estimada por posição fica próxima da atual. Em aberto: o fator oficial, a cobrança da taxa de distribuição, a forma de retenção do imposto e a política de distribuição depois de novembro.
Fontes
- KISU11 — Fato relevante com cronograma revisado (28/09/2026)
- SNFF11 — Fato relevante com cronograma revisado (28/09/2026)
- KISU11 — Fato relevante com o cronograma original (17/09/2026)
- SNME11 — Fato relevante da 3ª emissão (14/08/2026)
- SNME11 — Ato de aprovação da 3ª emissão
- SNME11 — Resultado do direito de preferência (04/09/2026)
- KISU11 — Informe mensal de agosto/2026
- SNFF11 — Informe mensal de agosto/2026
- SNME11 — Relatório gerencial de agosto/2026
- SNME11 — Regulamento (26/08/2026)