Carteira boa não é a que nunca muda — é a que muda pelo motivo certo, registrado e auditável. Nesta semana reanalisamos a base inteira de FIIs do Rico aos Poucos (schema v3-rico, com preços de 02/06/2026) e, como consequência direta, revisamos as 6 carteiras recomendadas: dois objetivos (renda passiva e ganho de capital) cruzados com três perfis (conservador, moderado e agressivo).
O resultado não foi uma reviravolta. Foi uma faxina cirúrgica: tirar o que parou de fazer sentido e repor com qualidade. Abaixo, exatamente o que mudou em cada carteira — e por quê. Sem invenção: todos os motivos saem do histórico de alterações registrado na própria base.
O resumo em 5 pontos
- Por que agora: a base v3-rico foi atualizada com preços de 02/06/2026 — quando os dados de cada fundo mudam, a carteira precisa refletir a fotografia nova.
- Limpeza obrigatória: saíram CVBI11 (incorporado/inativo, estava em 3 carteiras) e MALL11 (renomeado para PMLL11). Fundo que não negocia mais é fantasma na carteira.
- Troca de qualidade: saíram nomes fracos ou de risco alto (XPIN11 em liquidação, VGHF11, MFII11, BCRI11, RBHY11, JGPX11, VGIA11); entraram nomes COMPRA/ACUMULAR com upside ou yield equivalente e melhor sustentabilidade.
- Pouca mudança onde já estava bom: a renda passiva moderada teve só um repeso; a conservadora não mudou nada.
- Mensagem: carteira recomendada é viva, mas muda por motivo — e cada investidor deve adaptá-la ao seu perfil.
1. Por que revisar logo agora
A seleção das carteiras parte de um universo de mais de 270 FIIs analisados pelo Rico aos Poucos, filtrados por veredicto e qualidade. Esses números não são estáticos: nota, P/VP, dividend yield, sustentabilidade do dividendo e direção de preço mudam a cada documento novo e a cada movimento de cotação. Quando reanalisamos a base inteira com preços atuais, ficou evidente que parte das carteiras carregava nomes que já não se sustentavam na fotografia de hoje — alguns porque o fundo simplesmente parou de existir, outros porque a nota desabou.
A revisão, portanto, não foi disparada por um calendário fixo. Foi disparada pelo dado. Esse é o princípio: a carteira muda quando a base nova obriga, não numa data marcada no muro.
2. A limpeza obrigatória: fundos que saíram de negociação
O ajuste menos "estratégico" e mais inegociável foi remover os fundos que deixaram de ser negociados. Dois nomes se enquadram:
Por que isso importa tanto? Porque manter um fundo inativo na carteira é carregar um fantasma: ele não distribui renda nova, não permite reforço nem desinvestimento, e distorce qualquer cálculo de retorno. A boa notícia é que, nos dois casos, há reposição natural — o PMLL11 simplesmente herda o lugar do MALL11 no mesmo segmento de shoppings, e o peso do CVBI11 foi redistribuído para nomes de papel e tijolo de qualidade equivalente.
3. A troca de qualidade: sair de nota baixa, entrar em COMPRA/ACUMULAR
Resolvida a higiene, veio a parte de juízo: substituir nomes com nota baixa, veredicto MANTER ou risco alto por fundos com COMPRA/ACUMULAR, mantendo a mesma função na carteira (yield, upside ou proteção) com melhor sustentabilidade ou governança. Vamos carteira por carteira.
Ganho de Capital — Agressivo
Máxima exposição a teses descontadas com direção de alta no médio prazo.
Limpeza de inativos e nomes fracos: saíram CVBI11 (inativo), XPIN11 (em liquidação), VGHF11 e MFII11 (MANTER, nota baixa); entraram lajes e híbridos descontados COMPRA/ACUMULAR.
| Movimento | Ticker | Peso | Motivo |
|---|---|---|---|
| Saiu | CVBI11 | 9% → — | Fundo incorporado/inativo — saiu da base de negociação. |
| Saiu | XPIN11 | 7% → — | Nota 5,0, NEUTRO COM RISCO ALTO, em liquidação — incompatível com tese de reprecificação. |
| Saiu | VGHF11 | 6% → — | Nota 5,9, MANTER, sustentabilidade curta — substituído por FoF de melhor qualidade. |
| Saiu | MFII11 | 5% → — | Nota 5,5, MANTER, sem status de DPS — trocado por sale-leaseback atípico mais seguro. |
| Entrou | BROF11 | — → 9% | Escritórios AAA a P/VP 0,50 (maior desconto), DY 11,8%, direção de alta — repõe o satélite de papel inativo. |
| Entrou | JSRE11 | — → 7% | Lajes AAA a P/VP 0,59, sustentabilidade longa, direção de alta — repõe peso descontado de qualidade. |
| Entrou | GGRC11 | — → 8% | Logística/industrial HG nota 7,8, P/VP 0,90, direção de alta — repõe upside de tijolo no lugar do XPIN11 e mantém escritórios abaixo de 35%. |
| Entrou | RBFM11 | — → 6% | FoF nota 8,0, P/VP 0,80, DY 12,3% — beta descontado em lugar do VGHF11. |
| Entrou | RZAT11 | — → 5% | Sale-leaseback IPCA+10% a P/VP 0,93, DY 15,6% — upside contratado em lugar do MFII11. |
Ganho de Capital — Moderado
Upside controlado, gestores top-tier, equilíbrio entre tese e proteção.
Saiu CVBI11 (inativo); entraram FATN11 (lajes HG descontadas) e JSRE11 (lajes AAA P/VP 0,59); TRXF11 subiu de peso por qualidade.
| Movimento | Ticker | Peso | Motivo |
|---|---|---|---|
| Saiu | CVBI11 | 10% → — | Fundo incorporado/inativo — saiu da base de negociação. |
| Entrou | FATN11 | — → 6% | Lajes BTS nota 7,8, P/VP 0,88, sustentabilidade longa, direção de alta — repõe satélite com upside HG e proteção. |
| Entrou | JSRE11 | — → 8% | Lajes AAA P/VP 0,59, sustentabilidade longa, direção de alta — segundo nome mais descontado da base. |
| Repeso | TRXF11 | 6% → 9% | Renda urbana nota 8,5, sustentabilidade longa — elevado por qualidade/desconto ao realocar o peso do CVBI11. |
| Repeso | KNRI11 | 3% → 4% | Pequeno reforço do piso defensivo blue chip. |
Ganho de Capital — Conservador
Reprecificação esperada, com proteção total do principal nominal.
Saiu MALL11 (inativo); entra PMLL11 (Pátria Malls, mesmo segmento de shoppings com qualidade equivalente); GARE11 sobe levemente.
| Movimento | Ticker | Peso | Motivo |
|---|---|---|---|
| Saiu | MALL11 | 6% → — | Fundo incorporado/inativo (renomeado PMLL11) — saiu da base de negociação. |
| Entrou | PMLL11 | — → 6% | Shoppings de gestão ativa nota 7,6, P/VP 0,90, direção de alta — repõe o MALL11 no mesmo segmento com qualidade equivalente. |
| Repeso | GARE11 | 3% → 4% | Pequeno reforço da posição oportunística de opcionalidade. |
Renda Passiva — Agressivo
Maximiza o dividendo mensal aceitando volatilidade de DPS.
Troca dos papéis HY/fiagro de nota baixa (BCRI11, RBHY11, JGPX11, VGIA11) por nomes de yield equivalente e melhor sustentabilidade/governança.
| Movimento | Ticker | Peso | Motivo |
|---|---|---|---|
| Saiu | BCRI11 | 10% → — | Nota 5,9, MANTER, sustentabilidade curta — yield alto mas frágil; substituído por RZLC11. |
| Saiu | RBHY11 | 7% → — | Nota 5,5, MANTER — trocado por VRTM11 (nota 6,9, sustentabilidade longa) com DY semelhante. |
| Saiu | JGPX11 | 6% → — | Nota 5,0, NEUTRO COM RISCO ALTO — risco de crédito desproporcional; substituído por CDII11. |
| Saiu | VGIA11 | 5% → — | Nota 6,2, MANTER, direção lateral/baixa — trocado por RZAT11, reduzindo concentração em agro. |
| Entrou | RZLC11 | — → 9% | DY 14,4%, sustentabilidade longa, papel calibrado ao CDI — HY de melhor governança no lugar do BCRI11. |
| Entrou | VRTM11 | — → 7% | DY 14,7%, sustentabilidade longa, nota 6,9 — repõe HY com sustentabilidade superior ao RBHY11. |
| Entrou | CDII11 | — → 6% | DY 16,5%, FI-Infra CDI+ — diversifica o caixa para fora do agro, com isenção de IR. |
| Entrou | RZAT11 | — → 5% | DY 15,6%, sustentabilidade longa, sale-leaseback IPCA+10% — adiciona renda-tijolo atípica. |
4. Onde quase nada mudou — e por que isso é bom
Nem toda carteira precisou de troca. Duas delas passaram pela mesma reanálise e saíram praticamente intactas — e isso não é descuido, é o sistema funcionando.
Renda Passiva — Moderado
Yield acima da mediana, equilíbrio entre papel HG e qualidade.
Revisada — todos os 12 fundos seguem COMPRA/ACUMULAR com tese intacta; só um pequeno ajuste de peso em KNIP11.
| Movimento | Ticker | Peso | Motivo |
|---|---|---|---|
| Repeso | KNIP11 | 4% → 5% | IPCA+ longo nota 8,5, direção de alta — reforço marginal da proteção real. |
Renda Passiva — Conservador
Perfil aposentadoria — DPS estável, gestores top-tier, blindagem total.
Revisada — sem ajustes: todos os fundos seguem com sustentabilidade longa e gestores top-tier; composição mantida.
Esta é a carteira de quem vive do dividendo mensal — a que não pode oscilar mais de 8% mês a mês. Justamente por isso, ela já nasceu exigente: todos os fundos com sustentabilidade longa, payout sob controle, alavancagem baixa, gestor de primeira linha e histórico de pelo menos cinco anos. Na reanálise, os 12 nomes passaram. Resultado: zero alterações.
5. O que isso significa para a sua carteira
A lição central deste rebalanceamento é simples: carteira recomendada é viva, mas só muda por motivo — e o motivo fica registrado, item por item, no histórico de cada carteira. Saída de fundo inativo é higiene. Troca de nota baixa por COMPRA/ACUMULAR é juízo de qualidade. Manter o que está bom é disciplina. Nada aqui foi capricho ou "giro pelo giro".
Mas atenção: nenhuma destas seis carteiras é uma ordem de compra para você copiar cegamente. Elas são um ponto de partida transparente — com pesos, racional e veredictos abertos. Seu objetivo, seu prazo, sua tolerância a perda nominal e sua situação tributária são únicos. Use as carteiras como referência de seleção e de raciocínio, e adapte ao seu perfil.
Quer ver a composição completa, os pesos atualizados e o racional de cada ativo? Explore as 6 carteiras recomendadas do Rico aos Poucos e compare lado a lado os perfis de renda e de ganho de capital.