As sete carteiras recomendadas de FIIs de agosto de 2026, com a estreia da carteira Mista de renda e valorização
INTERMEDIÁRIO PTENES

Carteiras recomendadas de FIIs: a atualização de agosto e a nova carteira Mista

Sete carteiras, 91 fundos lidos um a um e uma estreia: a Mista, que cobra dividendo e valorização do mesmo fundo.

O que mudou nas carteiras recomendadas de FIIs em agosto de 2026?

As sete carteiras foram refeitas em 7 de agosto de 2026, com 91 fundos lidos um a um. A sétima é nova: a Mista, que cobra renda e valorização do mesmo fundo. Nas outras seis saíram o bloco Kinea pós-fixado, o crédito agro e quem passou do teto de payout.

Esta é uma atualização da carteira publicada em 7 de agosto. O motor de seleção ganhou melhorias entre uma versão e outra: os indicadores passaram a ser medidos do histórico a cada rodada, em vez de lidos de um campo escrito quando a análise do fundo foi feita; cada fundo é lido uma vez por rodada e o que está escrito na análise vira critério, não só o painel de números; e o teto de concentração passou a contar grupo econômico, não razão social. Com a régua nova, a composição mudou — e é ela que está descrita daqui para baixo.

Carteiras7a Mista é nova
Fundos lidos91análise inteira, um a um
IFIX no período−1,65%13/05 a 07/08/2026
Dividendos recebidosR$ 18.119nas seis carteiras antigas

Onde acompanhar. As sete carteiras, com todos os pesos, o racional de cada ativo, o desempenho diário contra o IFIX e o histórico de mudanças, ficam em /fiis/recomendados. Este texto explica o que o período entregou e o motivo de cada troca.

A régua ganhou três travas novas

A revisão desta rodada acrescentou três regras que antes não existiam — e as três derrubaram fundos que o filtro numérico já tinha aprovado.

Fundo com veredicto "MANTER" não entra em carteira de recomendação. A análise de cada fundo termina num veredicto: COMPRA, ACUMULAR, MANTER. "Manter" quer dizer que quem tem pode ficar, não que vale começar. Uma carteira de recomendação começa posição do zero todo mês, então o veredicto tem que ser pelo menos ACUMULAR. Isso tirou o GZIT11 (nota 6,0) e o TVRI11 (nota 6,3, e sem preço justo calculado), os dois com números de tela bons o suficiente para passar no filtro.

O teto de concentração passou a contar grupo econômico, não razão social. KNCR11, KNIP11 e KNRI11 são três CNPJs diferentes, três gestões, três teses — e uma casa só: Kinea, do Itaú. A carteira de renda conservadora de junho carregava os três, somando 32% do patrimônio sob a mesma gestora; a moderada carregava dois, somando 20%. Nenhum teto acusava, porque o teto olhava o ativo e o segmento, nunca o dono. Agora olha. Na composição nova, a maior exposição a um grupo é de 14% (KFOF11 e KNHY11, na renda conservadora).

Preço justo apoiado em premissa de juro vencida não vira âncora. O TRBL11 tinha o maior potencial de alta de todo o universo revisado — 53,1% contra o preço justo da análise. Só que esse preço justo assume um dividendo recorrente de R$ 0,58 por cota ao mês, e o fundo confirmou R$ 0,44 em agosto, depois do corte estrutural que ele mesmo tinha avisado. Um desconto calculado sobre um pagamento que não existe mais não sustenta peso grande. O TRBL11 entrou nas três carteiras de ganho de capital com 7% — na agressiva, o menor peso, empatado com o XPSF11 e classificado como satélite. Âncora, no site inteiro, hoje só existe uma: o BRCR11, com 16% na agressiva de capital e 10% na conservadora.

Vale somar uma quarta trava, que não é nova mas passou a morder de verdade agora que os números são medidos a cada rodada em vez de lidos de um campo antigo: payout acima de 105% barra o fundo. Payout é a fatia do que o fundo gerou de caixa que ele devolve ao cotista; acima de 100%, ele distribui mais do que ganha e a diferença sai da reserva. Foi o que deixou o CPSH11 de fora — o payout medido nos nove meses recentes dele é de 110%.

A sétima carteira: Renda + Valorização

A carteira nova responde a um pedido antigo de quem lê o site: não querer escolher entre receber todo mês e ver a cota subir. As carteiras de renda buscam o dividendo mais alto que se sustente; as de ganho de capital buscam o maior desconto contra o preço justo. A Mista pede as duas coisas do mesmo fundo, e é por isso que ela não é a média das outras duas.

O ativo entra por média harmônica das duas notas. A média comum deixa uma perna curta se esconder atrás da perna longa: um fundo com nota 90 em renda e 20 em valorização tira 55 na média simples, e 55 parece bom. Na média harmônica ele tira 33. A conta pune desequilíbrio de propósito — para pontuar, o fundo precisa ir razoavelmente bem nos dois eixos, nunca muito bem num só.

O resultado é uma carteira de doze fundos que paga 12,33% ao ano e negocia a 0,79 vez o valor patrimonial — ou seja, R$ 0,79 pagos por cada R$ 1,00 de patrimônio que o fundo tem por cota. A variação entre os doze últimos pagamentos, ponderada pelos pesos, é de 4,6%.

AtivoPesoPaga ao anoDesconto vs preço justo
BRCR1110%12,4%15,0%
RBRR119%14,8%19,8%
CPTS119%14,3%13,7%
ITRI119%13,9%17,1%
HSLG119%10,2%4,3%
HSML118%10,8%15,5%
GARE118%12,2%11,9%
JSRE118%10,0%0,8%
RBVA118%12,1%3,8%
KFOF118%12,4%10,2%
XPSF117%14,1%19,3%
ALZR117%10,1%17,4%

Ela é a carteira em destaque da página, e é a que mais se parece com o que a maior parte das pessoas descreve quando pergunta por "uma carteira de FII para começar". O risco declarado dela está nos dois maiores blocos: híbridos de multiestratégia somam 18% e fundos de fundos, 15%. E o XPSF11, que entrou com um dos maiores descontos da lista, tem no próprio parecer a observação de que a tese central — a queda da Selic fechando o duplo desconto — está "em xeque" pela piora do quadro fiscal, com o payout já operando entre 97% e 99,8%.

O que mudou em cada uma das seis carteiras antigas

CarteiraAtivosPaga ao anoP/VPVariação do dividendo
Renda + Valorização — Mista1212,33%0,794,6%
Renda Passiva — Conservador1413,44%0,863,6%
Renda Passiva — Moderado1213,79%0,852,5%
Renda Passiva — Agressivo915,09%0,906,9%
Ganho de Capital — Conservador1415,59%0,8013,2%
Ganho de Capital — Moderado1214,68%0,7610,1%
Ganho de Capital — Agressivo914,84%0,739,8%

A coluna da variação do dividendo é o desvio entre os doze últimos pagamentos, ponderado pelos pesos: quanto menor, mais parecido é o cheque de um mês com o do mês seguinte. Repare que ela é baixa nas carteiras de renda, que é onde ela importa, e alta na de ganho de capital conservador — nesse mandato o critério é desconto e preservação do principal, não regularidade do pagamento.

Renda Passiva — Conservador · 14 ativos · 13,44% ao ano

Saíram: KNCR11 (14%), KNIP11 (12%), MCCI11 (10%), AFHI11 (9%), BTLG11 (8%), TRXF11 (7%), KNRI11 (6%), HGLG11 (5%) e MCRE11 (4%).
Entraram: MANA11 (8%), GGRC11, BRCR11, FATN11, CYCR11, VISC11, RBVA11, KFOF11, CLIN11, KNHY11 e PMLL11 (7% cada). CPTS11 caiu de 11% para 8%, HSAF11 de 9% para 7% e ICRI11 subiu de 5% para 7%.

A saída do bloco Kinea tem dois motivos empilhados. O primeiro é o teto por grupo econômico, que os três violavam juntos. O segundo é o que o KNCR11 paga: ele distribui CDI mais um spread, e o dividendo dele caiu 18,5% em doze meses. Com a Selic em 14,00% e o Copom cortando, a renda dele encolhe todo mês — que é exatamente o risco que uma carteira de aposentadoria não deveria ter. Não é problema do fundo: o KNCR11 é o maior FII de papel pós-fixado do país, tem giro diário na casa das dezenas de milhões e nota 8,4. É problema de encaixe.

No lugar entraram receitas que não seguem o CDI. O MANA11 vem com o dividendo em trajetória de alta (de R$ 0,11 para R$ 0,125 por cota, o maior da história do fundo em junho) e payout de 88%, construindo reserva. O CYCR11 tem inadimplência zero em 30 CRIs e o pagamento parado em R$ 0,106 há onze meses. O KNHY11 carrega uma carteira indexada a IPCA + 12,32% com prazo médio de 6,4 anos, que é renda que sobe com a inflação em vez de cair com a Selic. O risco declarado da carteira está no VISC11, cuja alavancagem de 32% do patrimônio é a maior do grupo e obriga o gestor a vender ativo, emitir cota ou tomar mais dívida, e no PMLL11, que tem contestação judicial aberta sobre o direito de preferência na fração do Pátio Higienópolis.

Renda Passiva — Moderado · 12 ativos · 13,79% ao ano

Saíram: KNCR11 (15%), VRTM11 (9%), AFHI11 (8%), MCCI11 (8%), MCRE11 (6%), RBFM11 (6%), RECR11 (6%) e KNIP11 (5%).
Entraram: MANA11, BRCR11, CYCR11, FATN11 e KFOF11 (9% cada), RBVA11 e PORD11 (8%), GGRC11 (7%). CLIN11 subiu de 5% para 9%; CPTS11 caiu de 12% para 9% e HSAF11 de 13% para 7%.

O MCRE11 saiu das duas carteiras de renda por um dado que a série de doze meses ainda não sabia: o gestor cortou o guidance de dividendo de R$ 0,11 para R$ 0,10 por cota no segundo semestre de 2026, cerca de 9% a menos. A estabilidade que o filtro mediu era real e já estava vencida. O mesmo fundo continua nas três carteiras de ganho de capital, onde a pergunta é outra — lá ele entra pelos 16,8% de desconto contra o preço justo, com a carteira de crédito 100% adimplente.

O HSAF11 deixa de ser a maior posição da carteira e cai para o piso de peso porque o payout medido nos nove meses recentes é de 92% — ele devolve ao cotista 92 centavos de cada real que gera de caixa, folga estreita demais para carregar 13% de uma carteira de renda. Continua na carteira: paga 15,0% ao ano e teve zero de variação entre os doze últimos pagamentos. O ponto de atenção dele está escrito: 27% do patrimônio em CDI+, vulnerável à Selic caindo, e as quatro maiores posições de CRI somando 41% do patrimônio.

Renda Passiva — Agressivo · 9 ativos · 15,09% ao ano

Saíram: VCRA11 (15%), EGAF11 (13%), LIFE11 (12%), RZAG11 (12%), RZLC11 (9%), VRTM11 (7%), AAZQ11 (6%), CDII11 (6%), RZAT11 (5%) e RBRY11 (3%).
Entraram: MANA11 (15%), CLIN11, CYCR11 e RBRR11 (14% cada), ICRI11, VGIP11 e RINV11 (7% cada). CPTS11 subiu de 4% para 15% e HSAF11 caiu de 8% para 7%.

Esta é a carteira que perdeu 9,75% no trimestre, 8,10 pontos percentuais abaixo do IFIX, e foi refeita quase inteira. Em junho ela tinha 46% do patrimônio em crédito do agronegócio repartido em quatro fundos — VCRA11, EGAF11, RZAG11 e AAZQ11 —, e o teto por classe de risco não existia. Os três piores resultados do trimestre inteiro saíram dali: AAZQ11 perdeu 12,2% com dividendos incluídos, VCRA11 perdeu 10,3% e LIFE11, 6,6%. O teto de crédito agro agora é de 20% neste perfil.

Cada saída tem motivo nomeado. No VCRA11, o dividendo confirmado caiu de R$ 0,97 para R$ 0,75 por cota, a carteira em observação subiu para 10,19% do patrimônio e um novo devedor (Grupo Ruiz Coffees, 4,78% do patrimônio) entrou em default com suspensão judicial em julho. No LIFE11, o CRI da EMA Planejamento (8,6% do patrimônio) segue em processo de falência desde julho de 2025, e o FIDC Residence Club (10% do patrimônio) está em reestruturação com o deságio sobre o valor patrimonial subindo de 11% para 29% em três meses.

O que entrou concentra em papel com carrego indexado à inflação e pagamento regular, e o CPTS11 virou a maior posição junto com o MANA11. É a posição que exige mais atenção da carteira: a alavancagem por compromissadas está em 21,6% do patrimônio, subindo, e a margem contra o custo da dívida é negativa em cerca de 1,3% ao ano. Está na carteira porque a régua deste perfil aceita risco de crédito e de volatilidade da cota — não porque o risco sumiu.

Ganho de Capital — Conservador · 14 ativos · P/VP 0,80

Saíram: BTLG11 (13%), HGLG11 (12%), KNRI11 (12%), TRXF11 (11%), XPML11 (10%), BRCO11 (9%), HSLG11 (8%), ALZR11 (7%), PMLL11 (6%), HGBS11 (5%) e LVBI11 (3%).
Entraram: BRCR11 (10%), RBRR11, HSML11 e MCRE11 (8%), TRBL11, IRIM11, CPTS11, RCRB11 e RBRY11 (7%), RZAT11, CLIN11, PORD11 e KFOF11 (6%). GARE11 subiu de 4% para 7%.

A troca aqui foi quase total, e o eixo dela é o mesmo: a carteira antiga era um bloco de logística e escritório de primeira linha comprado perto do valor patrimonial, e a nova é um conjunto de posições com desconto medido contra o preço justo de cada análise. O BRCR11 entra como maior peso negociando a metade do valor patrimonial (P/VP 0,50), com o dividendo parado em R$ 0,41 por cota há quase um ano e o resultado operacional cobrindo 98% do que ele distribui. O desconto dele não é gratuito: a Torre Almirante está com 43,8% de vacância e a Petrobras, 18% da receita, migra para sede própria até 2028.

Ganho de Capital — Moderado · 12 ativos · P/VP 0,76

Saíram: ALZR11 (12%), BTLG11 (11%), HGLG11 (9%), TRXF11 (9%), XPML11 (7%), FATN11 (6%), BTHF11 (5%), KNRI11 (4%) e RBFM11 (3%).
Entraram: RBRR11, ITRI11, HSML11 (9%), HSLG11, MCRE11, CPTS11 (8%), TRBL11, XPSF11, IRIM11 (7%). BRCR11 caiu de 14% para 11%, GARE11 de 12% para 8% e JSRE11 subiu de 8% para 9%.

O IRIM11 é o caso que mostra por que a mesma régua produz respostas diferentes por mandato. Ele foi reprovado para as carteiras de renda com um número duro: payout de 113,5% em maio e 122,0% em junho, o que significa uma queima de R$ 4,0 a R$ 7,5 milhões por mês para pagar o que paga — contra a própria previsão da análise, de que o pagamento voltaria à faixa recorrente de R$ 0,75 a R$ 0,80 por cota. Para renda, isso o desqualifica. Para ganho de capital, onde a pergunta é sobre o desconto de 13,9% contra o preço justo e a cota que caiu 17% depois da fusão, ele entra — com 7%, o menor peso da carteira, porque o pagamento atual não é âncora de nada.

Ganho de Capital — Agressivo · 9 ativos · P/VP 0,73

Saíram: GARE11 (13%), BROF11 (9%), BTHF11 (9%), GGRC11 (8%), RPRI11 (7%), GRUL11 (6%), RBFM11 (6%), BRCO11 (5%) e RZAT11 (5%).
Entraram: ITRI11, RBRR11 (13%), HSML11, MCRE11 (12%), TRBL11, XPSF11 (7%). BRCR11 ficou em 16%, JSRE11 subiu de 7% para 13% e IRIM11 caiu de 9% para 7%.

É a carteira com o maior desconto das sete: as nove posições negociam, na média ponderada, a 73% do valor patrimonial. O JSRE11 é o ativo mais amparado entre os escolhidos — quinze gestores de fundos de fundos profissionais o carregam —, mantém o pagamento em R$ 0,48 por cota há mais de dois anos (subiu para R$ 0,50 em julho) e está desalavancado desde o pré-pagamento do CRI Rochaverá. O risco declarado dele é de governança: a cessão crescente à estrutura subordinada JSRI e a correção de 60% na área locável divulgada pela Safra.

O HSML11 entra com 12% e traz o contraponto: o guidance foi revisado para cima depois da venda do Pátio Maceió, mas o payout mensal saltou para a faixa de 131% a 148% entre abril e junho, queimando de R$ 3,8 a R$ 4,9 milhões por mês. Num mandato de valorização isso é tolerável — o dividendo não é o produto. Numa carteira de renda, não seria, e por isso ele não está em nenhuma.

O placar do trimestre contra o IFIX

As carteiras são uma simulação auditável: cada uma começou com R$ 100.000 fictícios em 13 de maio de 2026, os dividendos entram no caixa e voltam no rebalanceamento seguinte, e não há corretagem. No período de 13 de maio a 7 de agosto, o IFIX caiu 1,65%, de 3.834,34 para 3.771,15 pontos. A Mista não entra neste placar: ela foi criada em 7 de agosto e tem um dia de vida — começa a ser acompanhada agora.

CarteiraResultadovs IFIXDividendos recebidos
Renda Passiva — Moderado+0,32%+1,97 ppR$ 3.472,90
Renda Passiva — Conservador+0,24%+1,89 ppR$ 3.186,96
Ganho de Capital — Conservador−1,16%+0,49 ppR$ 2.439,17
Ganho de Capital — Moderado−1,66%−0,01 ppR$ 2.523,35
Ganho de Capital — Agressivo−4,01%−2,36 ppR$ 3.032,43
Renda Passiva — Agressivo−9,75%−8,10 ppR$ 3.464,70

Três das seis ficaram acima do índice e três abaixo — uma delas, muito abaixo. Duas terminaram o trimestre no positivo em termos absolutos, num período em que o índice caiu: a renda moderada, com +0,32%, e a renda conservadora, com +0,24%. A conservadora de capital caiu 1,16%, menos que o índice. Somados, os dividendos das seis chegaram a R$ 18.119,51 em 86 dias — 3,02% sobre o capital inicial de cada carteira, na média. É o dividendo que segura o placar: em preço puro, quase todo FII do mercado caiu no período.

As posições que mais pesaram contra, com dividendos incluídos: AAZQ11 (−12,2%), VCRA11 (−10,3%), BRCR11 (−9,4% na agressiva de capital), LIFE11 (−6,6%) e RBRY11 (−6,3%). Do outro lado, KNCR11 (+5,0% na renda moderada, +5,2% na conservadora), KNIP11 (+3,0%), CPTS11 (+2,2%) e GARE11 (+1,9%) foram os que mais entregaram — três deles agora fora das carteiras onde renderam, o que é o custo de trocar por encaixe e não por desempenho recente.

As 43 saídas de junho, julgadas contra o índice

No rebalanceamento de junho, 43 posições foram vendidas. Do dia da venda até 7 de agosto, o IFIX caiu 1,88%; é contra isso que cada saída é medida. A maioria se provou certa, e as maiores por larga margem:

Vendido em junhoVariação após a vendaContra o IFIX
CACR11−42,6%−40,7 pp
BBIG11−24,8%−22,9 pp
TGAR11−15,4%−13,5 pp
BRCR11−10,3%−8,4 pp
CRAA11−7,9%−6,1 pp
HSML11−7,4%−5,5 pp

Seis se provaram erradas, e elas também têm nome:

Vendido em junhoVariação após a vendaContra o IFIX
BTRA11+18,3%+20,2 pp
BROF11+6,2%+8,1 pp
CXCO11+5,4%+7,3 pp
ARRI11+3,1%+4,9 pp
EXES11+1,4%+3,3 pp
CPTR11+0,5%+2,4 pp

Duas voltaram pelo caminho: BRCR11 e HSML11 saíram de carteiras no rebalanceamento de junho, caíram mais que o índice depois disso e estão de volta em agosto — nas de valorização, mais baratos do que quando foram vendidos. O BROF11, que subiu 6,2% depois de vendido, tinha permanecido na carteira agressiva de capital e saiu agora.

Quanto o Leão levou

Em FII a regra é diferente da de ações: o ganho na venda da cota paga 20% de imposto, sem a faixa de isenção de R$ 20 mil ao mês que vale para ações. O dividendo é isento. E o prejuízo só compensa ganho em FII — mas não vence nunca.

Nas 126 vendas dos rebalanceamentos de junho e agosto, os ganhos somaram R$ 1.833,12 e as perdas, R$ 29.301,66. O saldo é um prejuízo realizado de R$ 27.468,54 nas seis carteiras. Imposto devido: R$ 0,00 em todas, nos dois meses. Todo esse valor virou crédito tributário que abaterá o imposto das próximas vendas com lucro — enquanto ele não for consumido, nenhuma dessas carteiras paga IR sobre ganho de capital.

CarteiraGanhos realizadosPerdas realizadasCrédito acumuladoIR devido
Renda Passiva — AgressivoR$ 2,98R$ 12.779,21R$ 12.776,23R$ 0,00
Ganho de Capital — AgressivoR$ 108,61R$ 4.512,25R$ 4.403,64R$ 0,00
Ganho de Capital — ConservadorR$ 176,37R$ 3.736,43R$ 3.560,06R$ 0,00
Ganho de Capital — ModeradoR$ 620,39R$ 3.064,42R$ 2.444,03R$ 0,00
Renda Passiva — ConservadorR$ 370,84R$ 2.547,89R$ 2.177,05R$ 0,00
Renda Passiva — ModeradoR$ 553,93R$ 2.661,46R$ 2.107,53R$ 0,00

Prejuízo realizado não é o mesmo que prejuízo do período. Boa parte dele é a queda que já estava marcada nas cotas e que a venda apenas materializou, em troca de outro ativo. O resultado de verdade está no placar acima, com dividendos incluídos; a tabela do imposto diz só quanto crédito ficou guardado. A apuração mês a mês fica na aba de desempenho de cada carteira. Sobre a isenção do dividendo, o detalhe está em como funciona o IR sobre dividendos de FII.

O cenário por trás das sete carteiras

A Selic está em 14,00% desde 6 de agosto, depois do corte de 25 pontos-base decidido na véspera — o quarto corte de 25 pontos desde março, quando a taxa estava em 15,00%. O IPCA acumulado em doze meses é de 5,15%. O boletim Focus projeta 14,00% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027. A próxima reunião do Copom é em 15 e 16 de setembro. O detalhe do último corte está em Selic a 14%: o que o Copom cauteloso muda para os FIIs.

Isso separa os dois eixos em direções opostas. Para as carteiras de renda, cada 25 pontos-base a menos é renda a menos em fundo pós-fixado, já no mês seguinte — é o efeito imediato que tirou o KNCR11 dessas carteiras e empurrou a seleção para receitas indexadas à inflação. Para as de ganho de capital, o corte em si não destrava setor nenhum nesse ritmo; o que reprecifica FII descontado é a curva longa parar de exigir prêmio, e a cota costuma reagir antes de isso aparecer na taxa básica. As duas pontas ainda têm de atravessar a turbulência eleitoral de agosto a outubro.

O que acompanhar daqui para frente

  • A alavancagem do CPTS11. Está em 21,6% do patrimônio pelo relatório de 29/07, contra 16,5% em abril, com margem financeira negativa de cerca de 1,3% ao ano. Divide com o MANA11 a maior posição da renda agressiva (15%) e está em mais quatro carteiras. O próximo relatório gerencial diz se a trajetória continua.
  • O payout do HSML11 e do IRIM11. Os dois entraram em carteiras de valorização com o pagamento acima do que geram — 131% a 148% no HSML11 entre abril e junho, 113,5% e 122,0% no IRIM11 em maio e junho. O que se acompanha aqui é a volta ao patamar recorrente que as próprias análises projetam.
  • O dividendo recorrente do TRBL11. O corte para R$ 0,44 por cota foi confirmado em agosto. A reavaliação de Contagem, prevista para dezembro de 2026, e a revisional de Guarulhos, em 2027, são os dois eventos datados que podem mudar o preço justo de novo — para cima ou para baixo.
  • A reestruturação dentro do LIFE11. O deságio do FIDC Residence Club saiu de 11% para 29% em três meses e a falência da EMA Planejamento corre desde julho de 2025. O fundo saiu da carteira; o desfecho dirá se a leitura estava certa.
  • O ritmo do Copom em setembro. Cortes de 25 pontos mantêm o gatilho vivo e lento. O que muda o jogo das carteiras de capital é o passo acelerar ou a curva longa ceder; se nenhum dos dois vier, o desconto patrimonial demora mais para virar retorno.

O que está publicado e o que dá para conferir. As sete carteiras têm todos os pesos, o racional de cada ativo, o desempenho diário contra o IFIX, a apuração de imposto mês a mês e o histórico de alterações em /fiis/recomendados. Os números deste texto vêm da simulação com preço de fechamento por pregão e do parecer de cada fundo, medidos na rodada de 7 de agosto. Rodada anterior: o rebalanceamento de junho de 2026.